Assessor quer gastar; candidato, não. Quem está certo? Que hora?
Se dependesse dos staffs de campanha, os pré-candidatos já teriam torrado bilhões de reais com cabos eleitorais, material, eventos, combustível e locação de veículos. A trava da irresponsabilidade está justamente nos candidatos, que aceitam gastar, mas com parcimônia. A hora certa de cobrir despesas é o tempo todo, porém isso depende do motivo e da quantia. A rigor, o grosso do dinheiro deve ser empregado na segunda quinzena de setembro. Se um político acredita que vai reunir R$ 1 milhão, o ideal é reservar R$ 800 mil para os últimos 20 dias de campanha. O leilão de lideranças — aqueles inúteis que tentam se valorizar em ano eleitoral — é armadilha para ingênuos.
A legislação é horrível tanto para arrecadar quanto para prestar contas, mas deve ser obedecida mesmo assim. O ideal é fazer uma programação financeira e segui-la. Aos concorrentes com algum apelo digital, especialmente os que têm menos de 60 anos, recomenda-se gastar metade da verba com redes sociais — focando na atividade-fim, que é o tráfego pago, e não nos fazedores de vídeo, editores e outros profissionais que acabam esvaziando o bolso de trouxa.
Atenção: adversários e o Ministério Público Eleitoral ficam de olhos bem abertos para exageros durante a pré-campanha. O cuidado principal é evitar abuso de poder econômico.
Quando o pré-candidato pousa numa pista do interiorzão, os diretórios dos partidos contrários anotam os dados da aeronave, o horário de chegada e partida e os nomes dos passageiros. E ninguém acredita em avião “emprestado”. Aos que estão no mandato, recomenda-se ainda que não utilizem servidores ou equipes públicas em atos explícitos de campanha, porque nunca se sabe como as autoridades irão interpretar isso em um eventual julgamento.