Atividade industrial e de serviços sinalizam desaquecimento em Goiás
Os números apurados em junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram baixa na produção industrial e no setor de serviços em Goiás na comparação com maio, sinalizando uma tendência de esfriamento da atividade econômica no Estado no final do primeiro semestre. Depois de três meses de avanços, ainda que num ritmo decrescente, a indústria goiana reduziu sua produção em 1,7% na passagem de maio para junho deste ano, na série ajustada sazonalmente – ou seja, com exclusão de fatores e eventos que ocorrem ano a ano sempre na mesma época. Na comparação com outubro do ano passado, quando a indústria havia alcançado seu melhor desempenho em toda a série histórica, iniciada em 2012, os volumes produzidos acumularam perda de 7,7%.
No setor de serviços, ainda tomando maio como base, houve estagnação no dado nacional e, para Goiás, um recuo de 0,4%. Foram dois meses sem qualquer avanço na média anotada pelo IBGE para os serviços em todo País, enquanto no Estado o setor chegou ao terceiro mês seguido de paralisação ou queda. Na prática, o volume dos serviços prestados em Goiás registrou algum incremento apenas em março deste ano, quando houve elevação modesta de 0,4%.
Ao longo do semestre, o IBGE anotou dois meses de estagnação (ou crescimento zero), em janeiro e maio, e três meses de baixa, com recuos de 0,2% em fevereiro, de 0,5% em abril e de 0,4% em junho, sempre em relação aos meses imediatamente anteriores. Entre novembro do ano passado e junho deste ano, na série dessazonalizada, o levantamento do IBGE aponta uma baixa de 1,9%. Em relação a fevereiro de 2014, quando os serviços anotaram seu melhor desempenho, a queda acumulada atinge 8,6%.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a atividade no setor realizou um tímido avanço de 0,4% em junho, depois de uma sequência de números negativos nos quatro meses anteriores, levando o setor a encerrar o primeiro semestre com baixa de 1,6%. Os serviços prestados às famílias (restaurantes, bares, hotéis, pousadas) puxaram os números para baixo com a queda de 3,6% em junho – a 12ª baixa mensal consecutiva, o que se traduziu numa retração de 4,8% nos 12 meses encerrados em junho deste ano.
Tecnologia da informação
Na média de todo o País, os serviços de informação e comunicação, alavancados pela área de tecnologia da informação, atingiram volume recorde em junho deste ano, crescendo 1,8% na passagem de maio para junho e 9,4% frente a junho do ano passado. Para Goiás, os dados do setor apontam três meses de perdas em sequência, diante dos mesmos meses de 2025, com baixas de 2,4%, de 3,7% e de 4,3% em abril, maio e junho. O ritmo de crescimento acumulado no ano saiu de uma alta de 4,5% nos primeiro quadrimestre para variação ainda positiva de 1,6% no primeiro semestre.
Balanço
Como já sabido, o IBGE, responsável pela pesquisa mensal sobre a produção industrial, não disponibiliza dados dessazonalizados para cada um dos segmentos da indústria regional. Desta forma, o desempenho por ramo industrial só pode ser avaliada tomando igual período do ano passado para comparação. Neste caso, a produção local apresentou o quarta mês consecutivo de alta, crescendo 2,2% em junho.
Novamente, a tendência mostra algum desaquecimento, já que as taxas de crescimento saíram de 7,4% março para 5,7% em abril e para 3,9% em maio, chegando a junho numa perda de ritmo equivalente a 5,2 pontos percentuais desde março. No semestre, a variação ficou limitada a 1,8% para o conjunto da indústria goiana, com alta de 7,7% para as indústrias extrativas e de variação de 1,6% para a indústria de transformação.
A indústria extrativa avançou 6,0% em junho (em relação ao mesmo mês de 2025), quarta alta em sequência, o que se compara com um incremento de 2,0% para o setor de transformação, saindo de taxas de crescimento de 7,0% em março, 5,9% em abril e de 3,9% em maio. A indústria de biocombustíveis (etanol e biodiesel) respondeu por todo o crescimento, com alguma sobra, ao registrar alta 14,7% em junho (sexto mês de crescimento, levando a um avanço de 32,1% no primeiro semestre).
Também aqui observou-se desaceleração na velocidade de alta da produção, que havia anotado saltos de 75,7% e de 28,5% em abril e maio. Excluído o segmento de biocombustíveis, a produção do restante da indústria observou recuo de 0,7% em junho, com baixa acumulada de 1,58% no primeiro semestre.
Em nota encaminhada à coluna, a assessoria da prefeitura de Goiânia contesta análise sobre as contas municipais apresentadas neste espaço (O Hoje, 11.08.2026). Segundo a assessoria, “os dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária devem ser analisados considerando a finalidade e a metodologia de cada demonstrativo. O percentual de aplicação em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) utilizado na matéria destina-se à aferição do cumprimento do mínimo constitucional e não corresponde ao montante global das despesas executadas na área da saúde. Nesse sentido, a redução de determinado valor computado para fins do indicador constitucional não permite concluir, isoladamente, pela existência de redução ou “arrocho” dos gastos municipais com saúde. A avaliação da execução orçamentária global demonstra situação distinta”.
“Conforme os dados consolidados da execução dos serviços de saúde”, prossegue a nota, “no primeiro semestre de 2025 foram empenhados R$ 1,386 bilhão, enquanto, no mesmo período de 2026, o montante alcançou R$ 1,839 bilhão, representando crescimento de R$ 452,9 milhões, ou 32,68%. O mesmo comportamento é observado nos demais estágios da despesa. As despesas liquidadas passaram de R$ 1,133 bilhão para R$ 1,155 bilhão, crescimento de 1,94%, enquanto os pagamentos aumentaram de R$ 1,093 bilhão para R$ 1,124 bilhão, incremento de 2,78%”.
“Dessa forma, não se verifica, nos dados globais da execução orçamentária da saúde, a retração sugerida pela matéria. Ao contrário, em todos os estágios da despesa – empenho, liquidação e pagamento – os valores executados no primeiro semestre de 2026 são superiores aos registrados no mesmo período de 2025”. Considerando que a avaliação fiscal realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional considera despesas efetivamente pagas, o que se verifica, conforme dados apresentados na nota em questão, é de fato uma redução em termos reais das despesas com saúde, levando-se em conta uma inflação de 5,41% acumulada em 12 meses até junho deste ano.
“Também não se mostra tecnicamente adequada a utilização isolada da redução do percentual de aplicação constitucional, de 20,59% para 16,18%, como indicativo de diminuição dos serviços de saúde. Trata-se de indicador calculado sobre base específica de receitas e despesas elegíveis, cuja finalidade principal é aferir o cumprimento do piso constitucional. O percentual informado para 2026, inclusive, permanece superior ao mínimo constitucional de 15%”. A coluna ressalta precisamente que, a despeito da queda, o percentual constitucional havia sido respeitado – o que não anula a tendência de baixa informada pelo portal de transparência da prefeitura.]
“Portanto, a comparação adequada exige distinguir o cumprimento do mínimo constitucional da efetiva execução orçamentária da política pública de saúde. Sob esta última perspectiva, os números demonstram expansão, e não redução, da aplicação de recursos no primeiro semestre de 2026”. A coluna mantém sua avaliação e suas conclusões. Num registro final: as despesas totais pagas no setor de saúde durante o terceiro bimestre deste ano ficaram virtualmente congeladas em R$ 352,363 milhões diante de R$ 352,453 milhões nos mesmos dois meses de 2025, reforçando a tendência de baixa em termos reais.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.