Base aliada com 12 partidos pode virar dor de cabeça para Daniel

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 31 de julho de 2026 às 07:22
Base aliada com 12 partidos pode virar dor de cabeça para Daniel
Ilustração: Takeshi Gondo

Isso o torna favorito, mas também lhe garante um baita problema, pois não é fácil administrar os interesses vorazes de tantos apetites políticos

 

As convenções partidárias têm confirmado aquilo que todos já esperavam. Daniel Vilela (MDB) certamente será o candidato com o maior número de partidos aliados: 12 legendas. Isso o torna favorito, mas também lhe garante um baita problema, pois não é fácil administrar os interesses vorazes de tantos apetites políticos.

Um exemplo é o Republicanos, que, apesar de já ter confirmado apoio a Daniel, se sente desprestigiado até aqui. Nos bastidores, lideranças reclamam que o partido apoiou Daniel na eleição ao governo em 2018, contra o próprio Ronaldo Caiado (PSD), e repetiu a aliança dois anos depois, em 2020, quando apoiou Maguito Vilela (MDB) para a Prefeitura de Goiânia, com Rogério Cruz (Republicanos) na vice. A recompensa, até aqui, foi a presidência da Goiás Turismo e da Emater Goiás, duas pastas de segundo escalão, sendo a última ocupada por Rafael Gouveia, visto mais como indicação do pastor Josué Gouveia, da Assembleia de Deus Ministério Vila Nova, do que do próprio partido, ligado à Igreja Universal.

A lista de mágoas não para aí. O Avante também tem lá suas queixas. Mesmo já tendo declarado apoio a Daniel, o partido não superou a dor de não ter emplacado suas nominatas e culpa o emedebista por não ter dado a mão durante a janela partidária. Resultado: ficará sem candidatos a deputado federal e estadual. Essa força toda, aliás, pode se tornar o grande problema de Daniel. Como acomodar tanta gente? Durante a campanha, o emedebista vai ter deputados da própria base disputando voto no mesmo município. Marussa (Republicanos) e Lucas do Vale (PSD) já brigam pelos eleitores de Rio Verde. Em Catalão, Adib Elias (MDB) e Jamil Calife (PP) disputam cada rua. Em Valparaíso de Goiás, Lêda Borges (Republicanos) e Dra. Zeli Fritsche (PSD) estão em lados opostos. Os exemplos não faltam.

Muita gente para ser agasalhada
Passada a campanha, e supondo a vitória, vem o segundo problema: com 12 partidos, Daniel deve eleger o maior número de deputados, mas também vai carregar a maior fila de suplentes que, depois de gastarem milhões e perderem a eleição, vão querer um cargo para pagar as contas. Resta saber se terá espaço para todo mundo. Afinal, o cobertor é curto. E cargo bom, aqui em Goiás, é como banco de praça: tem gente demais e lugar de menos.

Menos é mais
A ausência de grandes coligações na campanha de Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), que no primeiro momento pode ser interpretada como fraqueza, no segundo turno vira um grande trunfo. Como estão praticamente isolados, terão mais poder de negociação, já que terão mais espaço para oferecer em um eventual governo.

Aliado de resultados
Marconi Perillo (PSDB) já mira o apoio do PL num eventual segundo turno, com cargos servidos na bandeja. Já Wilder Morais (PL) faz a conta ao contrário: se avançar para um confronto direto com Daniel, vai prometer abrir as portas do governo para os tucanos em troca de apoio.

Ajustes finais
Operadores políticos da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se desdobram nos ajustes finais junto aos partidos aliados com vistas às convenções. O principal deles, o MDB, em que pesem as especulações sobre divergências, está pacificado. O Republicanos, mesmo que insista em neutralidade para presidente, o do DF segue no apoio a Celina, portanto, neste domingo (2), na convenção do PP que vai homologar Celina candidata a governadora, deve consolidar a união dos partidos na campanha.

Izalci federal
O senador Izalci Lucas (PL) faz o caminho de volta e vai disputar vaga para deputado federal. Seu mandato de senador expira em 31 de dezembro e, sem espaço para a reeleição no partido, o jeito é a Câmara Federal. De acordo com aliados, ele trabalha para ser o mais votado do DF.

Talles enfático – Em entrevista ao canal de streaming do O HOJE, o líder do governo Daniel Vilela (MDB) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Talles Barreto (UB), faz uma defesa enfática de Ronaldo Caiado (PSD) para presidente da República e Daniel governador de Goiás.

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