Sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Biopesticidas na proteção (sustentável) de lavouras

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 18 de janeiro de 2023

O sequenciamento genético do chamado bicho mineiro, uma minúscula mariposa com um milímetro de comprimento, mas com potencial para gerar danos severos aos cafezais, abre espaço agora para o desenvolvimento de ativos biológicos utilizados no controle integrado do inseto e principalmente de sua larva, afirma a pesquisadora Érika Albuquerque, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, coordenadora do projeto. Concluído em 2022, depois de quase meia década de pesquisas e estudos, financiado pelo Consórcio Pesquisa Café, o sequenciamento identificou perto de 39,9 mil genes, dos quais 9,0 mil ainda desconhecidos da ciência.

A expectativa é de que em dois anos comecem a chegar ao mercado os primeiros biopesticidas para combater a mariposa e ainda um kit diagnóstico que permitirá identificar a campo os níveis de resistência da larva a defensivos químicos convencionais, permitindo aprimorar o controle do inseto e assegurando sobrevida às moléculas desenvolvidas pela indústria do setor de defensivos. Uma das tecnologias em desenvolvimento, detalha Érika, envolve o uso de RNA mensageiro para silenciamento gênico de moléculas do bicho mineiro responsáveis pela produção de proteínas específicas, inativando o poder destrutivo da larva.

A inoculação dos biocidas será realizada com utilização de nanotecnologia para facilitar sua ingestão pela larva, que ataca o núcleo das folhas do cafeeiro e pode reduzir sua produtividade em até 87%. A proposta é reduzir o uso de químicos, evitando impactos danosos ao meio ambiente e à saúde humana. Érika ressalta que os ativos biológicos poderão ser utilizados também em variedades orgânicas do café e tendem a aumentar o valor de exportação do café brasileiro, permitindo driblar barreiras fitossanitárias no comércio global.

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Economia circular

O conceito de economia circular ganha destaque dentro do grupo JBS e os planos incluem o reaproveitamento e agregação de valor a praticamente todos os resíduos gerados no processo produtivo, como parte do compromisso de zerar as emissões líquidas de carbono até 2040, afirmam Susana Martins Carvalho, diretora-executiva na JBS Novos Negócios, e Kim Sena, gerente de Sustentabilidade da JBS Couros. Um dos investimentos mais recentes nesta área contemplou a instalação em Guaiçara, no interior de São Paulo, da primeira fábrica da Campo Forte, que utiliza resíduos orgânicos para a produção de fertilizantes orgânicos, organominerais e especiais. Com capacidade para 150 mil toneladas por ano, a indústria entrou em produção neste ano e já atende produtores de soja, cana e café de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná. A partir de dezembro passado, o biofertilizante começou a chegar a áreas de florestas cultivadas e já há vendas contratadas para a segunda safra de milho neste ano.

Balanço

  • Depois de dois anos de pesquisas, detalha Susana, a JBS Ambiental desenvolveu o piso verde, feito de aparas de embalagens plásticas multicamadas de difícil reciclagem e originalmente destinadas a embalar a vácuo produtos in natura. “Trata-se de um piso intertravado utilizado em ambientes externos com as mesmas propriedades do concreto”, aponta a executiva.
  • Em parceria com a Raízen, que ergueu uma planta para a produção de biometano em Piracicaba, a Yara Brasil inicia no segundo semestre deste ano a produção de amônia a partir de biometano, substituindo o gás derivado de petróleo. Os fertilizantes nitrogenados processados em seu complexo de Cubatão passarão a ser fabricados a partir da amônia verde. O biometano deve permitir uma redução de pelo menos 80% nas emissões de carbono ao longo do processo de produção de fertilizantes verdes, conforme Deise Dallanora, diretora de Food Solution Innovation da Yara Brasil. Em princípio, a empresa receberá em torno de 20 mil metros cúbicos de biometano por dia, o que corresponderá a perto de 3% de sua necessidade diária, estimada em 700,0 mil m³.
  • Ao longo de 2022, a israelense ICL apresentou ao mercado brasileiro, entre outras novidades, um fertilizante biodegradável de liberação programada e seu primeiro biofertilizante, destinado a reduzir o “estresse oxidativo da planta, causado por excesso de radiação solar”, na descrição do agrônomo Ithamar Prada, vice-presidente de marketing e inovação da empresa no país.
  • Foram cinco anos de pesquisas e investimentos acima de R$ 6,0 milhões para chegar ao biofertilizante, que atua nas folhas do cafeeiro, formando uma barreira física na superfície foliar. O fertilizante de liberação programada incorpora proteção biodegradável ao NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) contido em sua formulação, baixando em 90% as perdas de nitrogênio para lavouras de café, milho e cana, além de reduzir emissões de amônia e de óxido nitroso, componentes dos gases formadores do efeito estufa.