Bolsonarismo órfão e a direita em busca de um líder para presidente
Os sucessivos reveses que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sofrido, sendo sua prisão e restrições de contato com seus seguidores os piores deles, tendem a restringir o barulho dos devotos. É mais ou menos o que aconteceu com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando esteve preso em Curitiba. Seus seguidores mantiveram a chama do lulopetismo acesa como se fosse uma pira olímpica. O mesmo deve ocorrer com Bolsonaro, mas com uma agravante: sua saúde frágil requer menos esforços. Além disso, Alexandre de Moraes vai continuar sua cruzada implacável contra ele e seus seguidores, bem diferente das regalias que Lula teve na prisão da Polícia Federal.
Seus aliados mais próximos acreditam que aquela romaria em frente à prisão de Lula dificilmente será permitida por Moraes. Mesmo agora em prisão domiciliar, as mobilizações de apoiadores nas ruas têm diminuído de tamanho. Para os adversários na esquerda, esse é um sinal de desidratação de seguidores e pode ser lido como declínio do bolsonarismo. Até aliados mais sólidos avaliam que a tendência, caso a direita perca a eleição para presidente em 2026, será o aumento da orfandade a partir de 2027. Essas projeções estão na cabeça do Centrão e da direita, que buscam convencer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), a liderar a oposição contra Lula e associados de esquerda.
Poderia ser um dos filhos, mas eles passam longe de ser unanimidade dentro bolsonarismo, notadamente, na direita e centro-direita. O mesmo ocorre com os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (UB-GO). Restaria à ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro. No entanto, o ex-presidente não quer vê-la exposta à sanha da oposição. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, bem que faz gosto que ela seja vice. O problema é que no caminho tem uma pedra chamada Ciro Nogueira: o mandachuva do Centrão almeja a vaga.
Direita contra o esquerdismo
Embora a ida às urnas aconteça em 6 de outubro de 2026, os caciques das legendas de direita e centro fazem as contas de perdas e ganhos. Pode haver desistência de bolsonaristas raízes, mas será uma parcela pequena, avaliam. “Acredito que o ex-presidente deve definir quem ele vai apoiar, no máximo em meados de novembro”, disse um senador nordestino à coluna. Esta fonte acrescenta que o embate eleitoral de 2026 não será mais entre bolsonaristas e o lulopetismo, mas com o antiesquerdismo.
Ibaneis no ataque
A movimentação do ex-governador José Roberto Arruda, que anunciou a saída do PL, deixou o governador do DF, Ibaneis Rocha, irritado. De acordo com o serpentário político de Brasília, Ibaneis promete barrar no STF, onde tem amizades poderosas, a possível candidatura de Arruda a governador.
Lula em Luziânia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu uma rápida agenda nesta quarta-feira (8) em Luziânia (GO), onde participou da etapa nacional da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (Cnijma). Com o tema “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”, a conferência busca fortalecer o protagonismo infantojuvenil na construção de uma sociedade mais justa, sustentável e inclusiva.
JK na veia de André
O PSD do Distrito Federal, comandado pelo empresário e ex-governador Paulo Octávio (PO), passa a ter um braço da legenda no governo de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP). Nesta quinta-feira (9), o empresário e bisneto de JK, André Kubitschek, assume a recém-criada Secretaria da Juventude. A leitura entre as lideranças é de que o PSD aposta em André para deputado federal. PO é só alegria com o herdeiro político.
CMEI Dona Nenzica
O prefeito de Luziânia, Diego Sorgatto, e a secretária municipal de Educação, Maria Luiza, entregaram à população o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Dona Nenzica revitalizado. Sorgatto disse à coluna que a unidade passou por uma ampla revitalização e que terá mais conforto, segurança e qualidade no ambiente de ensino para as crianças atendidas.
Wagner radicalizou
Por esta nem os psolistas radicais esperavam. O senador Jaques Wagner (PT-BA) defende que o grupo extremista Hamas “deve ser exterminado”. O petista é judeu, assim como Davi Alcolumbre (UB-AP), e disse isso na cerimônia em homenagem às vítimas do Hamas no 7 de outubro de 2023.