quarta-feira, 20 de maio de 2026

Bolsonaristas não temem caso Vorcaro na campanha de Flávio

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 20 de maio de 2026
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Ilustração: Takeshi Gondo

Ainda é cedo para medir o estrago na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) após o áudio publicado pelo Intercept Brasil expor o envolvimento do senador com Daniel Vorcaro. Depois de tentar se esquivar do assunto, acabou por confirmar ter visitado o ex-banqueiro quando ele já cumpria prisão domiciliar. Esse episódio, refletiu na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19), com queda de seis pontos de Flávio na intenção de votos. Na avaliação dos aliados de Flávio, “o barulho na mídia é uma estratégia do governo para desacreditá-lo junto à opinião pública”.

Dentro do PL, a percepção é de que transformar esse levantamento em sentença é prematuro. Isto porque cada instituto trabalha com metodologia própria e o ambiente político muda rápido. No caso da Atlas, aliados de Flávio já questionam, inclusive na Justiça Eleitoral, o fato de o instituto ter incluído no levantamento o áudio enviado a Daniel Vorcaro. “Esse recurso, de certo modo, induz o entrevistado a negar apoio e formar juízo de valor”, disse à coluna o deputado estadual por Goiás Delegado Eduardo Prado (PL).

Se para Flávio ainda é cedo para decretar morte política, no caso de Ronaldo Caiado (PSD), a nova rodada é muito ruim. O ex-governador, que tenta ocupar a terceira via, com críticas tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo, numa linha mais moderada do que Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), tem perdido espaço nas pesquisas. Caiado, que chegou a pontuar 4,4%, agora aparece com 2,7%, atrás dos pré-candidatos que escolheram a radicalização. Esses números indicam que, diante do endividamento generalizado, do aumento dos índices de criminalidade e de novos escândalos de corrupção, a maioria do eleitorado não quer “moderação” e procura alguém disposto a “chutar tudo que está aí”. O pré-candidato do PSD escolheu a moderação como bandeira em busca do centro. Como faltam pouco mais de cinco meses para ir às urnas, pode ser que o eleitor perceba sua moderação.

PL segue firme com Flávio
Apesar do discurso oficial do PL de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue firme na disputa presidencial, nos bastidores nem todos demonstram a mesma convicção. Há quem entenda que o envolvimento com Vorcaro já atingiu o pico de desgaste e, a partir de agora, se não surgir um fato novo, não tem como sustentar a narrativa política. Quanto à possibilidade de Flávio ser substituído por Michelle Bolsonaro, a “chance é zero”, conta um deputado bolsonarista.

Confiança
Uma raposa experiente do Centrão, em conversa reservada com a coluna, diz que mesmo que sangre muito, Flávio permanecerá candidato pela “característica dos Bolsonaros”. “O clã não confia em mais ninguém que não tem o sangue Bolsonaro, nem na Michelle”, afirma.

Daniel no Entorno
Desde o ano passado que o governador Daniel Vilela (MDB), não raro toda semana, tem uma agenda no Entorno do Distrito Federal. Além da importância eleitoral, os 10 municipios que fazem fronteira com o DF reúnem o segundo maior colégio eleitoral do Estado, com quase 700 mil eleitores. Nesta terça-feira (19), Daniel, que disputa a reeleição, fez uma vistoria na implantação do sistema IA Contra o Crime. São 160 câmeras de segurança em tempo real, além da leitura de placas e características de veículos.

Sem legado
Em quase um ano e meio, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), ainda não conseguiu uma identidade com a população. A maioria das pessoas, principalmente a classe média, vê o gestor da cidade como um alienígena, sem qualquer lastro de afinidade com os cidadãos. Para piorar, essa percepção acaba refletindo nos vereadores e, por isso, o clima no Legislativo municipal com o prefeito nunca é temperado. Ou é quente ou frio.

Kowalsky é PDT
A posse de Kowalsky Ribeiro no comando do PDT em Goiás, nesta quarta-feira (20), aproxima o partido de Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo. Kowalsky é aliado de Romário Policarpo (Cidadania), que hoje é pré-candidato na base tucana.

Cadê os aliados? – Nem parece que os pré-candidatos a deputados federais e estaduais, bases dos pré-candidatos a governador, são aliados. Cada qual em seu pedaço e nunca pedem votos, salvo raras exceções.

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