sexta-feira, 26 de junho de 2026

Bolsonaristas não temem caso Vorcaro na campanha de Flávio

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 20 de maio de 2026
Bolsonaristas não temem caso Vorcaro na campanha de Flávio
Ilustração: Takeshi Gondo

Ainda é cedo para medir o estrago na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) após o áudio publicado pelo Intercept Brasil expor o envolvimento do senador com Daniel Vorcaro. Depois de tentar se esquivar do assunto, acabou por confirmar ter visitado o ex-banqueiro quando ele já cumpria prisão domiciliar. Esse episódio, refletiu na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19), com queda de seis pontos de Flávio na intenção de votos. Na avaliação dos aliados de Flávio, “o barulho na mídia é uma estratégia do governo para desacreditá-lo junto à opinião pública”.

Dentro do PL, a percepção é de que transformar esse levantamento em sentença é prematuro. Isto porque cada instituto trabalha com metodologia própria e o ambiente político muda rápido. No caso da Atlas, aliados de Flávio já questionam, inclusive na Justiça Eleitoral, o fato de o instituto ter incluído no levantamento o áudio enviado a Daniel Vorcaro. “Esse recurso, de certo modo, induz o entrevistado a negar apoio e formar juízo de valor”, disse à coluna o deputado estadual por Goiás Delegado Eduardo Prado (PL).

Se para Flávio ainda é cedo para decretar morte política, no caso de Ronaldo Caiado (PSD), a nova rodada é muito ruim. O ex-governador, que tenta ocupar a terceira via, com críticas tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo, numa linha mais moderada do que Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), tem perdido espaço nas pesquisas. Caiado, que chegou a pontuar 4,4%, agora aparece com 2,7%, atrás dos pré-candidatos que escolheram a radicalização. Esses números indicam que, diante do endividamento generalizado, do aumento dos índices de criminalidade e de novos escândalos de corrupção, a maioria do eleitorado não quer “moderação” e procura alguém disposto a “chutar tudo que está aí”. O pré-candidato do PSD escolheu a moderação como bandeira em busca do centro. Como faltam pouco mais de cinco meses para ir às urnas, pode ser que o eleitor perceba sua moderação.

PL segue firme com Flávio
Apesar do discurso oficial do PL de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue firme na disputa presidencial, nos bastidores nem todos demonstram a mesma convicção. Há quem entenda que o envolvimento com Vorcaro já atingiu o pico de desgaste e, a partir de agora, se não surgir um fato novo, não tem como sustentar a narrativa política. Quanto à possibilidade de Flávio ser substituído por Michelle Bolsonaro, a “chance é zero”, conta um deputado bolsonarista.

Confiança
Uma raposa experiente do Centrão, em conversa reservada com a coluna, diz que mesmo que sangre muito, Flávio permanecerá candidato pela “característica dos Bolsonaros”. “O clã não confia em mais ninguém que não tem o sangue Bolsonaro, nem na Michelle”, afirma.

Daniel no Entorno
Desde o ano passado que o governador Daniel Vilela (MDB), não raro toda semana, tem uma agenda no Entorno do Distrito Federal. Além da importância eleitoral, os 10 municipios que fazem fronteira com o DF reúnem o segundo maior colégio eleitoral do Estado, com quase 700 mil eleitores. Nesta terça-feira (19), Daniel, que disputa a reeleição, fez uma vistoria na implantação do sistema IA Contra o Crime. São 160 câmeras de segurança em tempo real, além da leitura de placas e características de veículos.

Sem legado
Em quase um ano e meio, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), ainda não conseguiu uma identidade com a população. A maioria das pessoas, principalmente a classe média, vê o gestor da cidade como um alienígena, sem qualquer lastro de afinidade com os cidadãos. Para piorar, essa percepção acaba refletindo nos vereadores e, por isso, o clima no Legislativo municipal com o prefeito nunca é temperado. Ou é quente ou frio.

Kowalsky é PDT
A posse de Kowalsky Ribeiro no comando do PDT em Goiás, nesta quarta-feira (20), aproxima o partido de Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo. Kowalsky é aliado de Romário Policarpo (Cidadania), que hoje é pré-candidato na base tucana.

Cadê os aliados? – Nem parece que os pré-candidatos a deputados federais e estaduais, bases dos pré-candidatos a governador, são aliados. Cada qual em seu pedaço e nunca pedem votos, salvo raras exceções.

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