Caiado recebe o Presidente de mãos vazias e não faz reivindicações

Publicado por: Venceslau Pimentel | Postado em: 28 de julho de 2019

A frequência de visitas do
Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), a Goiás mereceu pomposos elogios
do governador do estado, Ronaldo Caiado (Democratas), durante o último compromisso
de Bolsonaro à Capital, na última sexta-feira (26). Mas por hora, os
agradecimentos são apenas pela visita ilustre, mas de mãos vazias. É que apesar
de vir ao estado três vezes, em nenhuma delas coube à bordo do avião
presidencial um agrado: seja anúncio de investimentos em infraestrutura nem
qualquer outro aceno de cooperação.

Em seu discurso, enquanto
participava do aniversário de 161 anos da Polícia Militar de Goiás e da
formatura do sobrinho no Curso de Formação de Oficiais da PM, o Presidente
falou em um estado e país devastados, mas não prometeu nada para aliviar a
crítica situação fiscal do estado.

Fazer visitas de mãos abanando,
como faz o presidente Jair Bolsonaro, não são corriqueiras na política. Seu
antecessor Michel Temer (MDB) anunciou a liberação de recursos para
financiamento do pré-custeio da safra 2018/2019 quando veio a Rio Verde, em
janeiro do ano passado. Na sua última visita, em dezembro, anunciou
investimentos de R$ 20 milhões para asfaltar vias em Aparecida de Goiânia.

A ex-presidente Dilma Rousseff
(PT) também trouxe recursos e anúncios importantes em suas visitas. A principal
promessa feita no estado foi a retomada das obras do Aeroporto Santa Genoveva,
inaugurado mais tarde pela então presidente, já prestes a sofrer o processo de
impeachment.

Em Goiás, apesar dos apertos
indicados pelo governador, ele não apresentou ao Presidente, nenhuma demanda
específica. No último evento aberto à imprensa, Caiado e Bolsonaro rememoraram
a atuação no Congresso Nacional, onde ambos atuaram por mais de 20 anos. O
Presidente, inclusive, disse que o governador “não é um paraquedista, mas é um
grande guerreiro. Aliado meu, em especial, nas causas ideológicas desde há
muito, dentro da Câmara dos Deputados”.

A proximidade ideológica citada pelo
Capitão ainda não resultou em grandes benefícios para o povo goiano. A atuação
do Governo Federal, até agora, resumiu-se no envio de alguns milhões de reais
para a Saúde do estado e outras parcerias pontuais, como a disponibilização
emergencial de uma ponte metálica do Exército na GO-060 e atendimento a emendas
parlamentares que beneficiaram cidades goianas.

Em Brasília, Bolsonaro foi capaz
de fazer pouco para o colega congressista. Em parte pela incapacidade política
em articular com os parlamentares e também pelo tempo perdido em gerenciar a
sucessão de crises que seu mandato e sua família demandam.

Isto, inclusive, é um ponto
incomum entre governador e Presidente. Caiado também teve contrariada a sua
escolha para a presidência da Assembleia Legislativa, insucesso com várias
pautas enviadas à Casa e, como mostrado por O Hoje, deverá nomear outro Líder
para melhorar o desempenho da base no Legislativo goiano.

Outra semelhança entre os
políticos é o prestígio dado a membros familiares por parte dos políticos em
postos da máquina pública. Enquanto Bolsonaro tenta emplacar o filho embaixador
do Brasil nos Estados Unidos, Caiado possui nove parentes alocados na estrutura
do Governo.

Agora, é saber se tamanha
proximidade e semelhança entre os representantes vai, de fato, culminar em
benefícios para os goianos. Foi votos daqui que elegeram o Líder do Governo na
Câmara, Major Vitor Hugo (PSL) e outro importante deputado federal de sua
legenda, Delegado Waldir. Jair Bolsonaro também garantiu 65,52% dos votos válidos
em Goiás. Em Goiânia, teve 74,20%.

Tudo isso serviu para gerar no Presidente o
sentimento de que “cada vez mais eu me sinto um pouquinho mais
goiano também”. Que na próxima vinda ao Estado, nesta quarta-feira (31), o
Presidente seja capaz de sentir as dores que afligem a população do estado,
como a recessão no mercado de trabalho, cuja criação de vagas no mês de
junho  foi a segunda pior resultado dos
últimos 15 anos.  

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