Candidatos antiquados gastam à toa para parecer modernos nas redes
Como está a sua campanha? “Tá boa demais.” Demais? “É. Contratei duas empresas aí desses meninos de computador.” E funciona? “Vixe! Funciona demais! Eu gravo um vídeo e num instantin mais de 100 mil já viram.” Esse diálogo é fictício, mas resume onde os candidatos, principalmente a deputado, amarraram a carroça. Outra armadilha em que caem, coitados, é das artes e vídeos em massa no WhatsApp: “Tô com mais de 200 grupos no Zap-Zap, toda cidade tem coisa minha.” É cilada, Bino! E as vítimas achando que a nova mecânica de ganhar eleição é largar a campanha nas mãos leves dos enganadores, que iludem até a si mesmos.
A edição da revista “Veja” que começou a circular ontem diz que, nas redes sociais, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) tem impacto quatro vezes menor que sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado em Brasília. Ele tem 10 milhões e 800 mil seguidores; ela, com 8 milhões e 200 mil, “posta menos, aparece menos, mas é muito mais propagada e curtida”. Publicitários ligados ao partido de ambos rebatem: “Nada disso [os 400% a mais de engajamento para a ex-primeira-dama] é verdade”. Por quê? “Estão levando em consideração os vídeos em que ela cita Flávio.”
No mínimo, fica a lição: o que vale não é o número de seguidores, mas o de comentários e curtidas a cada postagem. O eleitor sabe que não é o político o autor do card, do vídeo, da frase. Fica ainda pior quando se metem a decorar o que vão dizer. Quem nasceu para distribuir santinho não se sai bem no papel de Virgínia do Vini Jr.. (Especial para O HOJE)
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