sexta-feira, 24 de julho de 2026

Centrão liberou geral e vai esperar os vencedores do segundo turno

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 24 de julho de 2026 às 10:36
Centrão liberou geral e vai esperar os vencedores do segundo turno
Ilustração: Takeshi Gondo

No Brasil, as legendas com maior número de representantes nos Legislativos regionais e no Congresso preferem negociar cargos

 

Na estrutura partidária dos países com democracia sólida, os maiores e com poder de mobilização de massa sempre lançam candidatos a presidente da República. No Brasil, as legendas com maior número de representantes nos Legislativos regionais e no Congresso preferem negociar cargos que disputar a cadeira do Executivo. Esse oportunismo transformou nossa democracia em um balcão de negociatas que, por mais popular que seja um presidente, como Lula (PT), e o anterior, Jair Bolsonaro (PL), nenhum conseguiu maioria no Congresso. Cientes disso, MDB, Progressistas, União Brasil e Republicanos sinalizam que vão ficar neutros na eleição presidencial. Na percepção desses caciques partidários, quem chegar ao Planalto vai precisar abrir o governo para as mais diferentes matrizes ideológicas.

A rigor, essas legendas nem deveriam estar na mesma sala, menos ainda na mesma Esplanada dos Ministérios. Nessa engrenagem, tanto faz para os partidos do Centrão se quem vencer for o Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) ou Joaquim Barbosa (DC). Eles sabem que vão estar no governo. Então por que se comprometer com um lado numa eleição tão polarizada? Mais inteligente é economizar energia e recurso para eleger o máximo de deputados e senadores possível, o que engorda a bancada e, com ela, o poder de barganha junto ao inquilino do Palácio da Alvorada.

Um poder que, inclusive, perde cada vez mais sua importância, desde a Emenda Constitucional 86/2015, que abriu o saco de bondades às Excelências no Congresso. Só neste ano, cada deputado federal terá direito a R$ 40,2 milhões, enquanto um senador tem à disposição R$ 74 milhões. Como se vê, não existe crise para o andar de cima da elite política brasileira, Judiciário, estatais e os burocratas na máquina pública.

Se Lula vencer, fará governo ideológico
A exemplo de seu terceiro mandato na Presidência da República, em que Lula ampliou para 38 o número de ministros, caso vença a disputa para o quarto mandato, fará um governo ideológico. Nesse caso, a negociação com o Congresso será mais difícil, pois só vão sobrar ao Centrão ministérios sem relevância. O PT sabe que, em 2030, não terá Lula e quer voltar às origens de sua militância.

Marconi sai em…
… defesa do médico e vice-prefeito de Anápolis, Walter Vosgrau (PSDB). Marconi Perillo esteve em Anápolis e, em postagem em sua rede social, rebateu críticas sobre o aliado. “Depois que o doutor Walter Vosgrau tomou a decisão de se filiar ao PSDB, a vida dele virou um inferno. Começaram adotar toda tática de perseguição para tentar destruir a reputação dele. Isso se chama assassinato de biografia e reputação.”

Arruda e Caiado
Na quarta-feira (29), o presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, tem almoço agendado com os prefeitos da região do Entorno de Brasília. O encontro faz parte da estratégia do pré-candidato a governador da capital da República, José Roberto Arruda (PSD). Toda a cúpula da legenda confirmou presença, entre eles presidentes de partidos, como o empresário Paulo Octavio (PSD), Gim Argello (Avante), entre outros.

Agro gostou
A reunião de Renan Santos (Missão) com pesos-pesados do agro mato-grossense, entre eles Blairo Maggi e Alexandre Schenkel, despertou as atenções dos “homens da terra”. Lideranças do agro que participaram tanto da reunião em Cuiabá quanto da visita a Rio Verde na última segunda-feira (20) saíram impressionadas com o discurso de Renan Santos. Entre as promessas, a expulsão de ONGs internacionais do País e incentivo fiscal pesado para a indústria nacional de fertilizantes.

Não deu, Izalci!
Como esta coluna adiantou, e o tempo, cruel como sempre, confirmou, Izalci Lucas (PL-DF) foi obrigado a desistir da reeleição ao Senado e se contentar com a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. O efeito Michelle Bolsonaro e a determinação da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) em disputar a segunda vaga para o Senado deixaram Izalci sem alternativa para buscar a reeleição.

Reforço eleitoral – PL trata a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, como uma oportunidade para reforçar o apoio de lideranças de direita estrangeiras a Flávio Bolsonaro. A expectativa dentro do partido é de que as imagens ao lado do argentino fortaleçam a direita latina.

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