sábado, 31 de outubro de 2026

Centrão se movimenta em busca de uma reforma política

Wilson Silvestrepor em
Centrão se movimenta em busca de uma reforma política
Mesmo com todo o esforço da gestão Lula 3 em ceder ao Congresso, na disputa do quarto mandato, sua base de apoio encolheu - Ilustração: Takeshi Gondo

A receita do “toma lá, dá cá” funcionou por décadas, mas saiu das urnas sem validade

 

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa servir para colocar na boca dos brasileiros, seja no trabalho ou no almoço de domingo, a urgência de uma reforma político-eleitoral capaz de devolver ao país o mínimo de governabilidade. Historicamente, o presidente da República foi eleito com maioria no Congresso Nacional. Todos eles tiveram que recorrer ao presidencialismo de coalizão, ou de cooptação, para quem prefere chamar as coisas pelo nome. Esse artifício do ‘toma lá, dá cá’ sempre funcionou para garantir o mínimo de governabilidade em troca de cargos e emendas. A receita funcionou por décadas, mas saiu das urnas sem validade.

Mesmo com todo o esforço da gestão Lula 3 em ceder ao Congresso, na disputa do quarto mandato, sua base de apoio encolheu. Dos 513 deputados federais na Câmara, só 124 parlamentares afinados com o presidente foram eleitos.

Esse modesto número de aliados é uma grande dor de cabeça, mas tem mais: o Centrão, aliado de todos os governos, seja de esquerda ou direita, também saiu menor das urnas. O melhor exemplo é o bloco formado pela federação União Progressista, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, Solidariedade-PRD e Avante. Esse bloco viu sua bancada cair de 265 para 246 deputados e vai cobrar caro pelos votos entregues, afinal, quem sente o cobertor mais curto costuma puxá-lo com mais força.

Por isso, mais do que nunca, a reforma político-eleitoral precisa deixar de ser assunto de seminário acadêmico, desses que terminam com quitutes. Aos desavisados, o Centrão não perde tempo: avança no Congresso com o voto distrital misto, fórmula oportunista para recuperar nas regras o terreno que perdeu nas urnas. O Brasil, no entanto, precisa de mais do que remendo, precisa de uma reforma honesta, e esta, talvez, tenha nome de semipresidencialismo. O que não resta dúvida é que seguir do jeito que está tem cobrado juros que, cedo ou tarde, serão impagáveis. O Centrão ainda tem a força para alterar as regras na Câmara Federal e impor uma reforma política que caiba em seu figurino oportunista.

Semipresidencialismo
Entre os entusiastas do semipresidencialismo, se destacam Michel Temer (MDB), Arthur Lira (PP-AL) e o ministro do STF, Gilmar Mendes, que concordam na receita, mas nunca falaram da dosagem. Com a vitória do presidente Lula e seu desejo de entrar para a história pela porta da frente, é possível que a ideia avance mais à frente. A questão é como conciliar tantos interesses que passam pelo Executivo. No entanto, na prática, o ‘dono’ do orçamento na atual conjuntura é o Congresso.

À brasileira
O modelo semipresidencialista à brasileira seria mais próximo do formato francês, em que o presidente ainda guarda boa dose de poder. Fala-se no de Portugual, modelo no qual o cargo vira quase protocolar, com o Legislativo no comando de fato. Entre um e outro, a distância é de quilômetros. Quem viver, verá!

Mantega na área
O ex-ministro da economia no governo Dilma Rousseff e defensor intransigente do gasto público, Guido Mantega, tem sido um dos conselheiros do presidente Lula na área econômica. Mantega tem dito ao presidente Lula para não ceder ao mercado e gastar como se não houvesse amanhã. A tese dele é a de que, ao injetar dinheiro na economia e baixar os juros na marra, a economia aquece. A conferir.

Issy pelas beiradas
O deputado estadual reeleito Issy Quinan driblou os colegas veteranos na disputa pela Presidência da Alego. Enquanto os deputados que foram reeleitos se agarram no pacto firmado, de não votar em ‘novatos’, ou seja, eleito nesta eleição, Issy arrebanhou todos os ‘excluídos’. Essa estratégia pode elegê-lo presidente e a maioria perder cargos e comissões importantes para quem chegou agora.

Voto de Joscilene
A deputada eleita por Novo Gama, Joscilene Mangão (Agir), já declarou apoio a Issy Quinan, bem com como a maioria dos eleitos recentemente. Na contabilidade dos governistas, Issy Quinan será eleito. A conferir.

Justiça salarial – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse que não dará aumento linear ao funcionalismo público. “Quero fazer justiça salarial concedendo aumento salarial por categorias.”

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