terça-feira, 22 de setembro de 2026

Classe, gênero e raça sob uma nova leitura

Luana Avelarpor em
Classe, gênero e raça sob uma nova leitura
Organizado por Tithi Bhattacharya, livro amplia a noção de trabalho e relaciona classe, gênero, raça e sexualidade na sociedade contemporânea

Quem prepara a comida, cuida das crianças, organiza a casa, garante descanso e cria as condições para que alguém esteja pronto para trabalhar no dia seguinte? É a partir de perguntas como essa que Teoria da reprodução social: Remapear a classe, recentralizar a opressão propõe ampliar o significado de trabalho e observar atividades que sustentam a vida, mas nem sempre são reconhecidas como parte da produção social.

Organizado por Tithi Bhattacharya, o livro reúne ensaios que discutem a chamada Teoria da Reprodução Social (TRS). A perspectiva parte da ideia de que o trabalho humano está no centro da organização da sociedade e questiona a separação entre aquilo que produz mercadorias e aquilo que produz, mantém e reproduz a própria força de trabalho.

Nesse percurso, a obra aproxima exploração de classe e opressões de gênero, raça e sexualidade. A proposta é reconsiderar quem compõe a classe trabalhadora, afastando-se de uma imagem restrita ao trabalhador assalariado e incorporando dimensões raciais, de gênero, territoriais e sociais que atravessam diferentes experiências de trabalho.

Os textos também discutem como tarefas familiares e comunitárias, essenciais para a manutenção cotidiana da vida, podem ser naturalizadas e permanecer fora daquilo que o capitalismo reconhece formalmente como trabalho. A reprodução social aparece, assim, como ferramenta para compreender a ligação entre produção, cuidado e organização da vida.

Ao recuperar categorias do marxismo, os autores procuram também atualizá-las diante das transformações provocadas pelo neoliberalismo. Conceitos como classe, economia e classe trabalhadora são revisitados à luz das condições atuais, sem abandonar sua dimensão histórica.

Publicada pela Editora Elefante em abril de 2023, a edição brasileira tem 352 páginas, tradução de Juliana Penna e reúne diferentes abordagens sobre trabalho, desigualdade e reprodução da vida social.

A autora

É professora de história sul-asiática e diretora de estudos globais na Universidade Purdue, nos Estados Unidos. Ativista de longa data por justiça social e pelos direitos do povo palestino, Bhattacharya escreve principalmente sobre teoria marxista, gênero e islamofobia. Com Nancy Fraser e Cinzia Arruzza, escreveu Feminismo para os 99%: um manifesto (Boitempo, 2019).

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