sexta-feira, 10 de julho de 2026

Cláusula de barreira decreta o fim dos partidos “nanicos” e sem votos

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 9 de julho de 2026 às 09:17
Cláusula de barreira decreta o fim dos partidos “nanicos” e sem votos
Ilustração: Takeshi Gondo

A cláusula de barreira veio com a promessa de diminuir a fragmentação partidária e melhorar a governabilidade depois que 23 partidos passaram a ser representados no Congresso. Um dispêndio para o contribuinte. Só que a principal promessa era acabar com as legendas de aluguel, aquelas que não possuem compromisso com o eleitor e são usadas para obter favores em troca de algum cargo ou benesse. Ao olhar para a composição atual das bancadas na Câmara, vê-se que a cláusula de barreira ameaça mais os chamados partidos “nanicos” e ideológicos progressistas, como PCB, PCO, PSTU, PSOL, PDT, PSDB, DC, Novo e Missão.

Goste ou não, não há como negar que o Partido Comunista Brasileiro tem ideologia. Fundado em 1922, “O Partidão”, que está em sua quarta encarnação, depois de passar pela cisma do PCdoB, virar PPS e, agora, Cidadania, não deve sobreviver à cláusula. O PSDB, que foi a primeira tentativa de social-democracia entre os trópicos e chegou a ocupar a presidência, caminha para o mesmo destino. Sem falar do PDT de Brizola, que prometeu substituir o PTB de Vargas, este, que já deixou de existir depois de se fundir com o Patriota e virar o PRD, sigla que ninguém sabe exatamente o que é.

Enquanto isso, o PSD, que não é nem de esquerda, nem de direita, nem de centro, nas palavras do seu próprio fundador, Gilberto Kassab, segue vivíssimo e já governa a maioria das prefeituras do País. O paradoxo é que a cláusula de barreira, que prometeu acabar com as legendas de aluguel, tem feito o contrário: mata os ideológicos e fortalece os fisiológicos. A maior afetada deve ser a esquerda, que terá apenas no PT a sua representação partidária.

O partido de Lula deve se consagrar como a força hegemônica na esquerda pós-redemocratização e deverá absorver, seja via fusões ou federações, o capital eleitoral disperso nessas siglas menores. Se nada mudar, até 2030, teremos apenas PL, PT, União Progressista, PSD, MDB, Republicanos e uma nova legenda menor de esquerda, que deve sair dos restos do PSB e PDT.

Vice de Arruda pode ser do Avante
Com as convenções partidárias próximas, Jorginho Argello (Avante) ganha força para a vice de José Roberto Arruda (PSD). Empresário com trânsito entre diferentes setores, Jorginho é visto por aliados como capaz de unir renovação e experiência política. Outro fator que pesa a seu favor é ser do Avante, sigla que apoia Arruda desde o início da pré-campanha. Ele é filho do ex-senador Gim Argello, um dos aliados mais próximos do pré-candidato a governador do DF, José Roberto Arruda.

Policarpo por Goiânia
A Câmara de Goiânia promulgou a lei de autoria de Romário Policarpo (Cidadania) que cria regras para o poder público patrocinar eventos na Capital, como o MotoGP e o Goianão. A norma também beneficia projetos comunitários nos bairros.

Apostas do Podemos DF
O Podemos no Distrito Federal trabalha com duas certezas. A primeira é a presença de Robério Negreiros na chapa majoritária, nome do qual o partido não abre mão. A segunda é Mayara Noronha como puxadora de votos para a Câmara Federal.

Desigualdade social
Dados inéditos da Receita Federal sobre o IR 2026 esvaziam o discurso da esquerda contra o empresariado. O levantamento, que mapeia o patrimônio médio declarado por profissão, mostra que o topo do ranking não é ocupado pela iniciativa privada, mas por categorias vinculadas ao próprio Estado, como membros do Judiciário e do Ministério Público.

Politicagem
Circula nas redes um vídeo que diz que aliados do prefeito de Jataí, Geneilton Assis (PL), processam a Apae local. Procurado pela coluna, o gestor municipal classificou o episódio como “politicagem” da oposição, lembrou que a atual sede da entidade foi inaugurada em sua gestão e adiantou previsão de ampliação com emendas do senador Wilder Morais (PL).

Adeus de Ibaneis – O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não aguentou a pressão e o isolamento dentro da legenda. Além do lamaçal do Banco Master/BRB, a perda de votos.

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