sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Cláusula de barreira ‘força’ siglas menores a federar

Wilson Silvestrepor em
Cláusula de barreira ‘força’ siglas menores a federar
Mal terminou a eleição geral e já tem muita gente monitorando com lupa os movimentos dos partidos e suas lideranças - Ilustração: Takeshi Gondo

Numa rápida contabilidade, apenas 16 dos 30 partidos registrados conseguiram eleger a cota mínima de 13 deputados federais em pelo menos um terço dos Estados

 

As eleições municipais só vão ocorrer em 2028. Para o eleitor, está longe demais, mas não para o profissional da política. Mal terminou a eleição geral e já tem muita gente monitorando com lupa os movimentos dos partidos e suas lideranças. Não só pelas articulações, mas sobretudo de olho nas inevitáveis fusões e federações partidárias, principalmente aqueles que ambicionam se eleger ou se reeleger vereador. Isso porque, com a cláusula de barreira, está cada vez mais difícil se eleger por partidos sem estrutura.

Numa rápida contabilidade, apenas 16 dos 30 partidos registrados conseguiram eleger a cota mínima de 13 deputados federais em pelo menos um terço dos Estados. Ou seja, em números redondos, em oito unidades federativas e no Distrito Federal. Isso significa pelo menos 2,5% dos votos válidos, com um mínimo de 1,5% em nove Estados. Quem alcançou essa cota mínima terá acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária no rádio e na televisão a partir de 2027.

Dentre os que ficaram fora dessa bolada de recursos está o Avante, que já entrou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral para ingressar na Federação Renovação Solidária, formada pelo PRD e o Solidariedade. Três legendas que deverão atuar como se fossem uma só sigla e uma única nominata para candidatos a vereador. Menor número de partidos significa menos opções, chapas mais concorridas e concentradas. Resumo do script: a cada eleição fica mais difícil eleger um representante no Legislativo municipal com modestos recursos. A redução do número de partidos também vem de mãos dadas com a redução do número de candidatos, o que deve elevar as votações, afinal, com menos opções, os votos serão menos fragmentados. Somam-se aos desafios mais concorrência por vaga dentro das legendas e um eleitorado cada vez mais concentrado em poucos candidatos.

Peregrinação política
Em busca do mínimo de garantias para 2028, já tem vereador que faz beija-mão em presidente de partido, numa verdadeira peregrinação política. Os mais ousados chegam a se aventurar pelos corredores de Brasília na esperança de assumir uma presidência municipal com as bênçãos de algum comando nacional.

Missão vive
O Missão está entre os partidos mais procurados do momento. Sem existência na maior parte do País, a sigla tem atraído uma leva de candidatos interessados em presidências municipais. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda foi a que mais cresceu durante a campanha eleitoral, de 23.557 filiados em agosto para 53.468 em outubro.

Celina na ativa
Depois de um breve descanso no feriado, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), voltou ao batente com agenda de trabalho intensa. Nesta quinta-feira (5), dedicou o dia todo em reuniões com pastas estratégicas, sendo a saúde sua maior preocupação. A governadora determinou várias ações administrativas e cobrou de todos maior empenho nas demandas prioritárias.

Caiado nacional
Mesmo sem sucesso na empreitada presidencial, Ronaldo Caiado (PSD) está com a faca e o queijo na mão para se tornar a maior liderança nacional do PSD. Escolhido pela sigla para disputar a Presidência da República, o ex-governador agora amplia sua influência ao atrair dezenas de prefeitos para o partido. A cereja do bolo deve ser a provável chegada da senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil).

Líder singular
Enquanto no União Brasil Ronaldo Caiado (PSD) precisava dividir espaço com outros caciques regionais, como ACM Neto na Bahia, César Maia no Rio de Janeiro e Davi Alcolumbre no Amapá, na nova sigla, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), é a única com alguma capacidade de fazer sombra à sua liderança.

Assunto sensível – O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), deve retomar sua agenda de trabalho na próxima segunda-feira (9) e, entre tantos assuntos para resolver, a mexida no secretariado é um dos que vai demandar muita habilidade e tato político.

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