quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cláusula de barreira pode provocar o fim dos nanicos

Wilson Silvestrepor em
Cláusula de barreira pode provocar o fim dos nanicos
Em 2027, só terá acesso ao fundo partidário, tempo de rádio e TV, a legenda que sair da urna com ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados - Ilustração: Takeshi Gondo

A cláusula de barreira veio para separar o joio do trigo, ou melhor, para separar os partidos com votos daqueles sem voto. Em 2027, só terá acesso ao fundo partidário, tempo de rádio e TV, a legenda que sair da urna com ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove Estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles, ou quem eleger ao menos 13 deputados federais.

O problema é que boa parte dos partidos nanicos nem chegou perto de montar nominatas. Sem fundo que pague santinhos e sem tempo de TV que exiba seus candidatos, muitas siglas tiveram que apostar tudo em apenas um puxador, aqueles que carregam voto próprio, não precisam de estrutura, nem de fundo. A maioria deles é ideológico, com forte presença nas redes sociais. Para esses, filiação em siglas se trata apenas de uma exigência da legislação eleitoral.

Em Goiás, um dos partidos que depositou a fé em puxador de votos foi o Novo, que vê no delegado Humberto Teófilo um nome capaz de se eleger sozinho, enquanto outros nanicos, PSOL, Rede, DC, UP e Missão, rezam todos os dias para que as migalhas de votação de seus candidatos resultem em uma vaga em Brasília. Se Humberto Teófilo entregar 200 mil votos, o Novo pode sobreviver de carona. Se não, não poderá contar com Goiás para superar a cláusula de barreira.

Sobra aos nanicos, portanto, torcer até o fim pelos seus candidatos, porque reforço financeiro ou televisivo é um luxo que eles não podem se dar. Se o Novo aposta tudo em um único nome para bater a cláusula de barreira, PRD e Solidariedade jogam com uma carta a mais na manga. As duas siglas apostam suas fichas em Lucas Calil, pelo PRD e Denes Pereira pelo Solidariedade, cada um em seu próprio partido. A diferença é que PRD e Solidariedade estão federados, ou seja, para efeitos da cláusula de barreira, os votos das duas legendas são somados como se fossem um só partido.

Voto “GuGu” pega embalo
Nesta reta final de campanha, ganha força na direita o voto “GuGu” para o Senado Federal, Gustavo Gayer (PL) e Gustavo Mendanha (PRD). A dobradinha une o bolsonarismo raiz de Gayer ao eleitorado evangélico de Mendanha e forma uma aliança informal difícil de ser batida. A Igreja Universal foi a primeira a perceber o potencial da combinação e ainda em julho declarou apoio a ambos. Por ser uma candidatura independente, Mendanha não fica preso às estratégias da base caiadista, que foca em Gracinha Caiado (União Brasil) e Zacharias Calil (MDB).

Afinidade antiga
A proximidade de Gustavo Mendanha (PRD) com o bolsonarismo não nasceu de agora. Em 2022, o ex-prefeito chegou a se reunir com Jair Bolsonaro (PL) no Planalto para ser o candidato do PL ao Governo de Goiás naquele ano. O casamento ficou só no papel, mas o namoro nunca acabou.

Monitoramento
A campanha de Gracinha Caiado (União Brasil) tem acompanhado com lupa o avanço do voto “GuGu”, pois enquanto o bolsonarismo de Gayer completa os evangélicos de Mendanha e vice-versa, a ex-primeira-dama não pode contar com a hipótese de ser o segundo voto de ninguém.

Recordar é viver
No serpentário político, tem gente que já fala em um cenário parecido com 2002, quando a dobradinha formada por Demóstenes Torres (PFL) e Lúcia Vânia (PSDB) derrotou Iris Rezende (1933-2021) na disputa pelo Senado, até então, tratado como imbatível. Se a história rima ou não com 2026, só o tempo dirá.

Oposição estagnada
Os candidatos a governador do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, e do PT, Leandro Grass, estacionaram na intenção de votos. O problema é que eles falam para os convertidos e repetem o mesmo discurso há anos. Quanto ao ex-governador José Roberto Arruda (PSD), as idas e vindas jurídicas de sua candidatura estão consolidadas e deixam o eleitor em dúvida. Por conta desse impasse, também estacionou em segundo lugar.

Marconi em movimento – Marconi Perillo (PSDB) concentra sua agenda nesta quarta-feira (23) em Goiânia e Aparecida com carreatas. Além de aparições externas, faz reuniões com lideranças do interior, grava programas para as redes sociais e entrevistas.

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