Com perdas em 60% dos setores indústria não avança em novembro
Pressionada por uma política monetária hostil e pelo avanço das importações — favorecidas, entre outros fatores, pelo barateamento relativo do dólar —, a produção industrial no país vem enfrentando um processo de desaquecimento mais intenso do que o restante da atividade econômica. É o que mostram os dados da pesquisa mensal da produção industrial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em novembro do ano passado, a indústria praticamente não saiu do lugar, repetindo os mesmos volumes produzidos em outubro, já considerados os ajustes sazonais que descontam impactos recorrentes ao longo do ano. Na comparação com novembro de 2024, a produção caiu 1,2%, após já ter recuado 0,5% em outubro, também na comparação interanual.
A série recente da pesquisa do IBGE retrata a dificuldade da indústria em apresentar alguma reação em um ambiente claramente desfavorável. Nos dados dessazonalizados, que permitem observar o desempenho mês a mês, o setor cresceu muito pouco ou registrou queda em nove dos 11 primeiros meses de 2025.
Em novembro, 15 dos 25 setores industriais pesquisados pelo IBGE apresentaram recuo em relação a outubro, o que significa que 60% da indústria sofreu perdas no período.
Praticamente revertendo o ganho de 3,5% registrado na passagem de setembro para outubro, a indústria extrativa apresentou queda de 2,6% em novembro, puxando para baixo o resultado geral da indústria. Já a indústria de transformação, que não havia crescido em setembro e recuara 0,3% em outubro, registrou variação inferior a 0,2% em novembro.
Mais baixas do que altas
No mesmo mês, a produção de alimentos caiu 0,5%, enquanto a indústria de bebidas registrou baixa ainda mais acentuada, de 2,1%. Também ficaram em terreno negativo os setores de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 0,1% — o que só não caracterizou estabilidade por conta do tombo de 3,6% observado em outubro —, além da produção de veículos, que caiu 1,6%.
O crescimento expressivo de 9,8% na fabricação de fármacos e produtos farmacêuticos ajudou a atenuar as perdas, mas não foi suficiente para evitar o resultado negativo geral.
Balanço interanual
A análise na comparação com os mesmos meses do ano anterior também não traz alívio. O recuo de 0,7% em agosto foi amplamente compensado pela alta de 2,0% em setembro. No entanto, nos dois meses seguintes, a produção voltou a encolher, com quedas de 0,5% e 1,2%.
Em novembro, 16 dos 25 segmentos industriais apresentaram redução na comparação interanual. Proporcionalmente, portanto, 64% dos setores registraram queda nos volumes produzidos.
A maior influência negativa sobre o desempenho de novembro veio do setor de derivados de petróleo e biocombustíveis, que sofreu tombo de 9,2%. Em setembro e outubro, a produção do setor já havia recuado 7,5% e 10,9%, respectivamente. Os dados indicam perdas contínuas desde abril do ano passado, somando oito meses consecutivos de retração.
O segundo maior impacto negativo foi observado na indústria de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 7,0% em novembro. O setor acumula quatro meses seguidos de retração, após quedas de 2,6% em agosto, 1,5% em setembro e um tombo de 8,4% em outubro. O crescimento acumulado em 12 meses, que havia atingido 6,8% em setembro, encerrou novembro em apenas 1,5%.
Desempenho por tipo de bem
Nos dados dessazonalizados, a produção de bens de capital apresentou desempenho relativamente melhor que os demais grandes grupos industriais, embora ainda negativo na comparação com 2024. O setor registrou altas de 0,5%, 0,9% e 0,7% em setembro, outubro e novembro, respectivamente, frente aos meses imediatamente anteriores.
No entanto, na comparação interanual, houve queda nos seis meses entre junho e novembro, com recuos de 3,2%, 0,5%, 5,3%, 1,5%, 3,7% e 4,9%. Nos 11 primeiros meses de 2025, o setor acumula baixa de 1,0%.
A produção de bens intermediários recuou 0,6% de outubro para novembro e caiu 1,2% em relação a novembro de 2024, após variação nula em outubro. Já a produção de bens duráveis diminuiu 2,5% na passagem mensal e 6,2% na comparação interanual.
No segmento de bens semi e não duráveis, houve crescimento de 0,9% em outubro e de 0,6% em novembro, sempre em relação ao mês anterior. No entanto, na comparação com novembro de 2024, a variação foi praticamente estável, em 0,1%. Considerando os mesmos meses do ano passado, o setor não apresentou crescimento relevante ou registrou quedas em oito meses consecutivos, a partir de abril.