Conceição Evaristo publica pesquisa que antecedeu a escrevivência
Trinta anos depois de defender sua dissertação de mestrado na PUC-Rio, Conceição Evaristo transforma a pesquisa em livro. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, publicado pela Pallas, recupera o estudo de 1996 em que a escritora investigou a presença negra na literatura brasileira e formulou as bases do conceito de escrevivência, que mais tarde se tornaria central em sua obra.
Ao longo de 208 páginas, Evaristo percorre autores dos séculos XIX e XX, entre eles Luís Gama, Maria Firmina dos Reis, Machado de Assis, Cruz e Sousa, Lima Barreto e Solano Trindade, além de escritores ligados aos Cadernos Negros. A análise passa pela oralidade, pela memória do corpo negro, pelo uso da língua e pela reconstrução de uma história literária em que essas vozes foram muitas vezes deixadas à margem.
O volume traz prefácio da própria autora, apresentação de Denise Carrascosa e orelha de Eduardo de Assis Duarte. Mais do que recuperar um trabalho acadêmico, o livro permite acompanhar a formação de um pensamento que já colocava o sujeito negro como autor e agente da própria história, décadas antes de a escrevivência ganhar projeção nacional.
A autora
Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte em 1946. De origem pobre, trabalhou como empregada doméstica para pagar seus estudos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em Letras pela UFRJ, tornando-se mestre e doutora em Literatura. Sua escrita é marcada pela “escrevivência”, conceito que funde a vivência das mulheres negras à ficção, resgatando a memória e combatendo o racismo. Estreou na literatura nos anos 1990 nos Cadernos Negros. É autora de marcos como “Ponciá Vicêncio”, “Becos da Memória” e o aclamado “Olhos d’Água”, vencedor do Prêmio Jabuti em 2015. Ativa na militância e na academia, tornou-se uma das vozes mais potentes da literatura brasileira, sendo eleita imortal pela Academia Mineira de Letras em 2024.
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