Consultas ao BNDES sobem 72,8% e desembolso cai 5,9% no 1º trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 15 de maio de 2021

As consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) experimentaram salto de 72,8% em Goiás no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. Em valores nominais, subiram de R$ 483,829 milhões para R$ 836,204 milhões, representando R$ 352,375 milhões a mais no período. As consultas representam o primeiro passo de empresas interessadas em contratar recursos do banco para financiar projetos de investimento em melhorias, renovação e expansão de suas fábricas ou ainda para a instalação de novas unidades.

De certa forma, há uma correlação entre as propostas de crédito encaminhadas pelas empresas à instituição e decisões de investimento no lado real da economia, ainda que nem toda a consulta venha a gerar desembolsos efetivos de crédito pelo BNDES. Em Goiás, apenas como referência, os desembolsos efetivos realizados pelo banco no ano passado haviam somado R$ 1,790 bilhão, frente a consultas na faixa de R$ 2,037 bilhões realizadas ao longo dos 12 meses anteriores. Pode-se considerar que empresas desistiram de investir ou, alternativamente, que o banco rejeitou uma parcela das consultas recebidas.

No caso goiano, a procura por créditos foi impulsionada principalmente pelo setor de energia, seguido pela indústria de produtos químicos, quando considerados os três primeiros meses deste ano. No setor de energia, provavelmente refletindo especialmente a necessidade de investimentos na base instalada no Estado na área de distribuição, as consultas subiram nada menos do que 833,4 vezes em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando a busca por crédito havia se limitado a míseros R$ 300,0 mil em grandes números. Entre janeiro e março deste ano, as consultas atingiram perto de R$ 250,0 milhões ou quase 30% do total. Com base nesses números, a contribuição do setor para o crescimento geral acumulado pelas consultas aproximou-se de 70,9% – um seja, a cada R$ 100 em novas consultas, pouco mais de R$ 70 tiveram origem no setor de energia.

Salto na indústria

A indústria química, que havia encaminhado propostas no valor aproximado de R$ 1,45 milhão no primeiro trimestre do ano passado, turbinou os valores neste ano, elevando as consultas para quase R$ 205,0 milhões (ou seja, 141 vezes mais). Assim como na área de energia, o salto refletiu a base muito enxuta em 2020, mas pode ter sido estimulado pela maior demanda por produtos químicos (produtos de limpeza, por exemplo) durante a pandemia. O setor de fabricação de produtos químicos respondeu sozinho por 86,5% do total das consultas realizadas pela indústria goiana em geral e influiu decisivamente no desemprenho de todo o setor nesta área. Na soma final, a indústria propôs ao BNDES a contratação de R$ 237,0 milhões entre janeiro e março deste ano, diante de R$ 21,0 milhões em 2020, num aumento de 11,3 vezes. Os químicos foram responsáveis por quase 94% do avanço verificado em toda a indústria.

Balanço

  • Os números da indústria registraram ainda o impulso da maior demanda por crédito no setor de produtos alimentícios, onde as consultas cresceram 180,4 vezes entre um trimestre e outro. Os valores, embora reduzidos, subiram de R$ 8,2 milhões para R$ 22,0 milhões, algo muito baixo para um setor que responde por quase metade do valor adicionado pela indústria de transformação no Estado.
  • Resultado direto da maior demanda apresentada pelo setor energético, as consultas de financiamento de novos projetos de infraestrutura cresceram 31,3 vezes entre 2020 e 2021, sempre considerando o primeiro trimestre de cada período, avançando de apenas R$ 10,0 milhões para R$ 313,0 milhões (dos quais 80% apenas no setor de energia).
  • Ainda na mesma área, as consultas foram influenciadas também pelo crescimento registrado pelo setor de transporte rodoviário (manutenção, reforma, construção de estradas). Aqui, os valores saíram de R$ 8,0 milhões para pouco mais de R$ 61,0 milhões, numa variação nominal de 689,0%.
  • O setor de comércio e serviços, duramente atingidos pelas medidas de distanciamento social adotadas pelos Estados para enfrentar a pandemia, viu desabar o valor das consultas ao BNDES, que despencou de R$ 237,0 milhões (quase 49,0% do total em 2020) para R$ 67,0 milhões (perto de 8,0% do total), num tombo de 71,7%.
  • Os desembolsos do banco, que representam os recursos que de fato entraram na economia no período para financiar investimentos em curso, sofreram baixa de 5,89%, saindo de R$ 326,769 milhões para R$ 307,515 milhões.
  • Entre os grandes setores, praticamente todos sofreram baixas – com única e até certo ponto surpreendente exceção para o setor de comércio e serviços. Nesta última área, os desembolsos aumentaram 16,37%, avançando de R$ 56,905 milhões para R$ 66,221 milhões. Dois terços desses recursos favoreceram empreendimentos em Goiânia, Alexânia e Aparecida de Goiânia. A capital do Estado recebeu R$ 20,945 milhões (31,63%), dos quais 59,3% destinados ao comércio (R$ 12,424 milhões).
  • Em segundo lugar, com participação de 22,7%, Alexânia obteve R$ 15,034 milhões, destinados ao setor de hotéis e restaurantes. Aparecida surge com a fatia menor, em torno de R$ 5,928 milhões (quase 9,0% do valor desembolsado para comércio e serviços em todo o Estado).
  • Proporcionalmente, a indústria sofreu a maior queda nos desembolsos, que baixaram de R$ 17,039 milhões para R$ 14,599 milhões (-14,32%). As perdas atingiram as indústrias de alimentos, que teve desembolsos reduzidos em 17,0% (de R$ 5,130 milhões para R$ 4,258 milhões); o setor de borracha e plástico, com redução de 49,5% (de R$ 2,733 milhões para R$ 1,380 milhões); confecções, em retração de 70,76% (de R$ 2,732 milhões para apenas R$ 798,72 mil); e de máquinas e equipamentos, que sofreu tombo de 88,58% nos desembolsos (de R$ 824,725 mil para R$ 94,206 mil).
  • Ao contrário do comportamento das consultas, os desembolsos para energia despencaram quase 60,0%, saindo de R$ 20,115 milhões para R$ 8,073 milhões. No setor de rodovias, houve salto de 123,6%, com os desembolsos passando de R$ 7,082 milhões para R$ 15,833 milhões. Incluindo todos os segmentos, o setor de infraestrutura observou redução de 8,94% nos desembolsos (de R$ 28,039 milhões para R$ 25,533 milhões).
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