Consultas por crédito do BNDES saltam 362% no primeiro semestre em Goiás
A corrida ao balcão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em busca de recursos relativamente mais baratos para financiar novos projetos, em tempos de custos exorbitantes para o crédito em geral, registrou aceleração acentuada no segundo trimestre deste ano, com destaque para o setor de infraestrutura e, nesta área, para as atividades auxiliares dos transportes, em Goiás e para o conjunto do País. As estatísticas do banco de fomento sugerem um apetite até certo ponto inusitado por novos investimentos, dada a conjuntura muito mais complicada e turbulenta por conta da guerra e pelo consequente choque gerado sobre os custos do petróleo e derivados ao redor do planeta.
Os dados do BNDES mostram que as consultas saltaram nada menos do que 362,14% em Goiás na comparação entre o primeiro semestre deste ano e igual período do ano passado, em valores nominais, subindo de R$ 2,425 bilhões para quase R$ 11,209 bilhões – um número recorde para um primeiro semestre desde 1995. Em valores reais, atualizados com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as consultas encaminhadas ao banco de fomento pelas empresas em operação no Estado subiram de R$ 2,558 bilhões para R$ 11,312 bilhões, saltando 342,14%.
O desempenho no Estado foi mais vigorosa do que o avanço real de 64,39% acumulado no semestre pelas consultas realizadas ao BNDES e seus escritórios em todo o País, escalando de R$ 145,930 bilhões para R$ 239,971 bilhões em valores já atualizados. Para relembrar, no primeiro trimestre as consultas haviam crescido, em termos nominais, 312,2% em Goiás e 58,2% na média brasileira, diante dos três meses iniciais do ano passado. Houve, portanto, uma escalada das consultas entre abril e junho, com saltos de 503,48% em Goiás, frente ao segundo trimestre do ano passado, e de 80,51% na média brasileira, ainda sem descontar a inflação. Portanto, em valores correntes, o valor das consultas disparou de R$ 1,705 bilhão no segundo trimestre do ano passado para R$ 10,289 bilhões em igual período deste ano, saindo ainda de R$ 84,578 bilhões para R$ 152,675 bilhões em todo o País.
Atividades auxiliares
As atividades auxiliares do setor de transportes, que haviam registrado consultas de apenas R$ 1,0 milhão em Goiás durante todo o primeiro semestre do ano passado para R$ 3,161 bilhões nos mesmos seis meses deste ano, uma exorbitância de três mil vezes a mais explicada em medida relevante pelos valores muito baixos alcançados em 2025. O segmento explicou em torno de 36% do crescimento das consultas totais no Estado. No resto do País, aquelas atividades apresentaram ao BNDES consultas num total de R$ 49,314 bilhões a valores corrigidos até junho deste ano, frente a R$ 1,073 bilhão na primeira metade do ano passado, quase 46 vezes a mais – ou perto de R$ 48,241 bilhões a mais. Vale acrescentar, o setor explicou sozinho 51,34% do aumento das consultas totais no País.
Balanço
Na definição adotada pelo IBGE, as atividades auxiliares de transportes incluem a fabricação de guinchos e reboques, equipamentos de pesagem de veículos, de bilhetagem eletrônica (nos pedágios, por exemplo), além de serviços de gestão de tráfego e de escolta de cargas no transporte terrestre. Adicionalmente, o segmento registra ainda indústrias de armazéns e silos, construção e operação de terminais marítimos e aéreos.
Esse incremento das atividades auxiliares ajudou a turbinar o avanço das consultas para financiamento de projetos de infraestrutura, que passaram de apenas R$ 484,0 milhões para R$ 6,810 bilhões no Estado entre a primeira metade do ano passado e os seis meses iniciais deste ano, em grandes números. A variação de R$ 6,326 bilhões em valores nominais – ou 1.307% a mais – explicou 72% do crescimento anotado pelo total das consultas.
Em todo o País, as consultas na área de infraestrutura aumentaram, agora em termos reais, 148,44%, subindo de R$ 50,592 bilhões para R$ 125,693 bilhões no mesmo intervalo. O setor, que havia representado 34,67% do total das consultas no primeiro semestre do ano passado, elevou sua participação para 52,39% nos mesmos seis meses deste ano. O setor respondeu, isoladamente, por praticamente 80% do crescimento acumulado pelo total das consultas.
De volta a Goiás, o segundo melhor desempenho veio da indústria, que anotou uma elevação de alguma coisa muito próxima de 365% entre os seis meses iniciais do ano passado e o mesmo semestre deste ano, avançando de R$ 508,0 milhões para R$ 2,361 bilhões (quer dizer, em torno de R$ 1,853 bilhão adicionais).
Nos setores de comércio e serviços, analisados em conjunto, as consultas aumentaram quase 60,0%, de R$ 794,0 milhões para R$ 1,270 bilhão. A agropecuária registrou o desempenho mais modesto, apresentando variação nominal de 20,0%, para R$ 767,0 milhões, diante de R$ 639,0 milhões no primeiro semestre de 2025.
Entre os principais setores de atividade, depois das atividades auxiliares de transportes, as maiores contribuições para o aumento das consultas vieram de transportes rodoviários, da indústria de química e petroquímica e do setor de energia, que teve os desembolsos reduzidos em menos de um terço dos valores realizados no primeiro semestre do ano passado (O Hoje, 13.08.2026).
As consultas no segmento de transportes rodoviários cresceram 11,0 vezes no Estado, saindo de R$ 144,0 milhões para R$ 1,605 bilhão, seguidas pela alta de R$ 1,413 bilhão no setor químico e petroquímico, significando um incremento nominal de 318% (de R$ 444,0 milhões para R$ 1,857 bilhão). A quarta maior contribuição, em termos absolutos, veio do setor de energia elétrica, que registrou alta de 16,3 vezes no valor das consultas, de R$ 81,0 milhões para R$ 1,401 bilhão.
Em todo o País, depois da infraestrutura (sob predominância dos serviços auxiliares de transportes), a indústria de transformação surge como segunda maior influência, com alta real de 33,62% em suas consultas ao banco, passando de R$ 41,645 bilhões para R$ 55,648 bilhões, agregando mais R$ 14,003 bilhões a seu portfólio de projetos em valores de junho deste ano. Em torno de 43,6% daquele aumento tiveram como origem o setor de fabricação de materiais de transporte, que elevou o valor das consultas de R$ 23,860 bilhões para R$ 29,965 bilhões, crescendo 25,59% ou mais R$ 6,105 bilhões.
A indústria de alimentos e bebidas engordou sua carteira em R$ 3,189 bilhões, elevando as consultas de R$ 2,356 bilhões para R$ 5,545 bilhões, num aumento de real de 135,36%.
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