Corrupção sistêmica fragiliza a democracia e seus agentes
O escândalo do Banco Master não é novidade para a maioria dos brasileiros minimamente informados. Apenas expõe mais uma etapa da corrupção sistêmica que assola o País, consolidado assim que houve a redemocratização. A corrupção sempre existiu e faz parte do DNA humano, tanto que o Império Romano e tantos outros ruíram devido à roubalheira dos que estavam no topo do poder.
No passado, o que antes aparecia como desvio pontual, hoje surge como operação estruturada, com cifras que migraram dos milhões para os bilhões. Não se trata de erro técnico nem de falha isolada de gestão. O caso do Banco Master revela um arranjo em que decisões políticas, crédito público e sistema financeiro se combinam para converter risco em ativo e prejuízo. Segue um roteiro conhecido: garantias frágeis, ativos superavaliados, circulação interna de recursos e, por fim, a revelação do rombo nos balanços. Quando isso ocorre, a linguagem é contábil, mas o efeito é político.
A cada novo episódio, repete-se o argumento de que se trata de um ponto fora da curva. A repetição, no entanto, demonstra que a curva é o próprio método. O tratamento institucional segue a mesma lógica. Investigações que alcançam autoridades com prerrogativa de foro são fragmentadas. Parte permanece nos tribunais superiores; outra segue para a primeira instância. O escândalo perde a unidade, as responsabilidades se diluem e o núcleo do poder permanece protegido.
A crítica não é moral, mas estrutural. O sistema passou a operar de modo a administrar desvios, não a enfrentá-los; a acomodar crises, não a corrigi-las. O Banco Master não é o problema em si. É o sintoma de um modelo que normalizou a conversão do Estado em instrumento de proteção dos de cima e de transferência dos custos para os de baixo. Não há ruptura porque não há interesse em romper. O que existe é gestão política do estrago. E, nesse arranjo, a corrupção deixa de ser um acidente do percurso para se firmar como método permanente de funcionamento do poder.