Credibilidade será a bússola do cidadão-eleitor na hora de votar.
Nesta polarizada eleição entre o antipetismo e a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por mais quatro anos à frente do País, o ativo mais importante para convencer o cidadão-eleitor será a credibilidade. Esse conceito, que no passado representava o elo mais resistente entre o eleito e seu eleitorado, entrou em desuso. Atualmente, essa percepção moral se desidrata a cada eleição.
Uma breve pesquisa nos jornais e na mídia, de modo geral, constata que o comportamento dos “representantes do povo” no Congresso, na Presidência da República, entre governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, não faz jus aos votos recebidos pela população. Esse estado de decadência moral na política é o desafio que o eleitor deve julgar em 4 de outubro — e não as narrativas ideológicas.
Esse sentimento deve ser a bússola para os pré-candidatos a deputados estaduais, federais, ao Senado, governos estaduais e à Presidência da República. No caso de Goiás e do Distrito Federal, a coluna acompanha as movimentações dos pré-candidatos ao Legislativo e ao Executivo.
Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) segue o roteiro para dar continuidade à boa gestão do antecessor, Ronaldo Caiado (PSD). No entanto, tem como desafio conduzir sua campanha e se firmar como uma liderança em ascensão. É apontado como favorito, mas não existe eleição ganha de véspera, mesmo com uma ampla base de apoio formada por 10 partidos e mais de 200 prefeitos.
No vizinho Distrito Federal, Celina herda um contencioso provocado pelo escândalo do Banco Master, que pode levar à liquidação do BRB. Além disso, terá de cortar gastos para equilibrar as contas de um governo que acumula déficit preocupante. Soma-se a isso a pressão da maioria dos aliados de sua base, que querem cargos e benesses. São 12 partidos que, em ano eleitoral, resistem a qualquer discurso de austeridade.
Diante desse cenário, Celina precisa urgentemente de uma comunicação política eficiente e de uma equipe capaz de fazer contraponto midiático. Ainda assim, o diferencial decisivo tende a ser a marca da ética na política e a credibilidade junto aos eleitores.
Consequências políticas e de voto
O principal editorial da Folha de S. Paulo neste domingo (19) aborda a perda de credibilidade e suas consequências para os políticos. O mais grave é que, até o momento, pouco se vê entre os postulantes a cargos no Legislativo ou Executivo essa preocupação.
O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) costuma afirmar, em entrevistas, que “o político precisa ter estatura moral para rebater críticas e apontar caminhos”. Candidatos que não se enquadram nesse conceito podem enfrentar surpresas nas urnas.
Ação e reação
“A credibilidade é alicerce da governabilidade. Quando ela se esvai, o sistema reage”, diz trecho do editorial da Folha. A frase serve de alerta aos políticos que “sequestraram o orçamento” e passaram os últimos anos tratando o eleitor como um detalhe.
Caiado ou Zema
Catapultado às manchetes após pedir o indiciamento de ministros do STF, Alessandro Vieira (MDB) também passou a ser questionado sobre as eleições de 2026. Ele afirmou que votará, no primeiro turno, em uma alternativa de terceira via e mantém conversas com Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Ciro, a incógnita
Preocupado com o cenário da terceira via, Ronaldo Caiado procurou Ciro Gomes (PSDB) no início de abril. Ouviu do cearense que seu foco seria o governo do Ceará. A conversa, no entanto, ocorreu antes de um convite feito por Aécio Neves (PSDB), deixando em aberto uma possível mudança de posição.
Troco do Metrópoles
O caso Banco Master ganhou espaço na grande mídia. O Estadão publicou que o Metrópoles teria recebido R$ 27 milhões do banco de Daniel Vorcaro. Em resposta, o portal afirmou que o jornal paulista captou R$ 142,5 milhões no mercado, com intermediação de uma gestora ligada ao ex-banqueiro.