Coluna

Crescimento das vendas no varejo sofre desaceleração em outubro

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 11 de dezembro de 2019

A
liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) explica
parcialmente o desempenho das vendas nos últimos meses, na visão dos
economistas Luka Barbosa e Matheus Felipe Fuck, da equipe de macroeconomia do
Itaú Unibanco. Ainda assim, o avanço das vendas no varejo continua limitada
pelo desemprego e pela participação crescente de informais no mercado de
trabalho, o que gera incertezas em relação ao futuro imediato do emprego,
afetando as decisões de consumo das famílias.

Em
outubro, o chamado varejo tradicional – que não inclui concessionárias de
veículos e motos, lojas de autopeças e de materiais de construção –
simplesmente não saiu do lugar, apresentando oscilação de 0,1% em relação a
setembro. Na análise mês a mês, segundo mostram as séries de dados da pesquisa
mensal do comércio realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), houve mesmo uma desaceleração no ritmo de crescimento, já
que o volume de vendas no setor havia experimentado variações de 0,3% e de 0,8%
em agosto e setembro, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior.

Tendência
semelhante pode ser observada quando são considerados os dados do varejo
ampliado (que inclui as lojas do varejo tradicional e ainda veículos, motos,
autopeças e materiais de construção). Na evolução mês a mês, a pesquisa havia
registrado forte aceleração entre agosto e setembro, com a variação passando de
apenas 0,2% para 1,0%. Em outubro, o número veio ligeiramente mais magro ao
registrar avanço de 0,8% em relação a setembro deste ano. A perspectiva dos
varejistas é de alguma melhora em novembro, estimulada pelas promoções da
“Black Friday” (que tem se tornado muito mais uma opção para o consumidor
antecipar parte das compras de Natal e de fim de ano).

Massa salarial

Os
números do Banco Central (BC), que estima a massa salarial ampliada disponível
(quer dizer, a soma de todos os ganhos das famílias, incluindo salários,
transferências de renda do governo via pensões, aposentadorias, Bolsa Família e
benefícios sociais, descontados o Imposto de Renda recolhido na fonte e as
contribuições pagas à Previdência Social), não trazem detalhes que permitam
apontar quais fatores podem (ou não) ter maior influência em sua composição.
Mas pode-se supor que o reforço do FTGS tenha contribuído de alguma forma em
seu crescimento recente.

Entre
janeiro e junho deste ano, a massa de rendimentos chegou a desabar quase 9,9% e
entrou em recuperação na segunda metade do ano, em parte por conta do aumento
das ocupações de pessoas informais (sem carteira e sem registro no Cadastro
Nacional de Pessoas Jurídicas, o CNPJ), em parte, possivelmente, pela liberação
de recursos do FGTS. Entre os trimestres encerrados em junho e em outubro, a
massa salarial avançou praticamente 6,9% (mantendo-se ainda perto de 3,7%
abaixo do valor registrado em janeiro).

Balanço

·  
Se
de fato aqueles fatores têm tido maior influência no comportamento da massa de
rendimentos (e, portanto, nos resultados do comércio), os dados atuais devem
ser analisados com certa cautela, já que não permitem ainda antecipar um
crescimento mais consistente e duradouro.

·  
Por
óbvio, os efeitos do FGTS tendem a ser passageiros e limitados, em valor e no
tempo, o que torna incerto mesmo o ritmo da atual “recuperação”. Tanto é assim
que a equipe econômica “ultraliberal” recorreu a mais uma medida
“intervencionista” para tentar dar sustentação à demanda ao autorizar o
pagamento de uma espécie de 13º aos participantes do Bolsa Família. Mais uma medida de fôlego curto mas que pode ajudar a
melhorar nos números do consumo.

·  
Será
preciso que a economia passe a apresentar desempenho mais robusto do que o
atual para que o contingente de informais possa de fato ser incorporado, ainda
que gradualmente, pelo mercado de trabalho formal, eliminando incertezas para milhões
de trabalhadores que hoje não têm direitos e garantias.

·  
Se
a tendência de curtíssimo prazo voltou a ser de desaceleração no comércio, na
comparação com iguais períodos de 2018 ocorre o oposto. As vendas do varejo
convencional cresceram 1,4% em agosto, 2,2% em setembro e 4,2% em outubro (e
mais da metade dessa taxa foi assegurada pelos segmentos de hiper e
supermercados e lojas de artigos de uso pessoal e doméstico).

·  
No
comércio varejista ampliado, na mesma ordem, as vendas cresceram 1,4%, 4,4% e
5,6% (com as concessionárias de veículos e motos e lojas de autopeças
respondendo por 39,3% do avanço registrado em outubro).

·  
Esses
números, nesta área, podem não se repetir em novembro, já que o número de
veículos novos licenciados no mês encolheu 4,4% frente a outubro (mas avançou
4,9% frente a novembro do ano passado), nas estatísticas da Associação Nacional
dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em Goiás, as vendas do varejo tradicional
avançaram 3,0% em outubro (frente a igual mês de 2018), depois de um aumento de
2,2% em setembro. O varejo ampliado repetiu em outubro a mesma taxa observada
no mês anterior, crescendo 3,9%. O dado mais negativo ficou por conta do recuo
de 1,7% nas vendas de hiper e supermercados. 

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