Daniel, Wilder e Marconi: desafios e vantagens na disputa pelo voto
Em uma campanha eleitoral majoritária para governador com três concorrentes, sendo um deles Daniel Vilela (MDB), sustentado por uma ampla base de apoios, resta aos dois concorrentes, Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB), usar bem a inteligência, uma comunicação digital eficiente e uma leitura minuciosa do adversário. A constatação é fundamentada nos fragmentos de conversas colhidas entre marqueteiros e especialistas em estratégias eleitorais. A conclusão que se tira dessas observações é que, para vencer uma batalha contra um exército numericamente superior, é necessário ter na linha de frente, no corpo a corpo com o cidadão-eleitor, pessoas afirmativas sobre as propostas dos candidatos.
Daniel sai na frente com uma larga margem de vantagens: toca a campanha no cargo de governador com o apoio do padrinho político, Ronaldo Caiado (PSD), que está ancorado sobre aprovação dos goianos em 80% e deixa a gestão sem armadilhas políticas. Na esteira desse contingente pró-Daniel, um exército de candidatos a deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças nos 246 municípios goianos. Seu maior desafio é conciliar a gestão do governo e a campanha eleitoral.
O pré-candidato a governador de Goiás pelo PL, senador Wilder Morais, teve que enfrentar duas campanhas para ser ungido como nome da legenda: vencer o “fogo amigo” protagonizado pelo deputado federal Gustavo Gayer, que, até hoje, ainda advoga a favor de uma aliança com Daniel Vilela. A outra ‘campanha’ foi convencer aliados de que ele é candidato a governador. Outra tacada inteligente foi anunciar Ana Paula Rezende, filha do casal Iris-Iris, como vice. Seu desafio agora, assim que concluir a nominata para candidatos a deputados estaduais, federais e ao Senado, é pontuar melhor nas pesquisas de intenção de votos.
Por fim, Marconi Perillo (PSDB), que, nesta quarta-feira (25), filiou a ex-primeira-dama de Aparecida, Flávia Teles. O anúncio foi estratégico, pois Flávia é viúva de Maguito Vilela (1949-2021) e tem simbolismo político. Portanto, foi uma tacada estratégica e assertiva. Outro ponto forte de Marconi é o seu legado como gestor. Mesmo tendo sido fustigado pelos adversários, ainda arrasta uma grande legião de seguidores. Esse capital político mantém sua pré-candidatura em ascensão, mas precisa ampliar sua estrutura nos municípios e apresentar nominatas de candidatos à Câmara Federal, Senado e Alego que sejam representativas.
Empréstimo ao BRB depende da política
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), até agora fez o que era possível: apresentou um plano de recuperação do BRB e ativos para garantir o empréstimo de R$ 4 bilhões para melhorar a capitalização do banco. O desafio é saber se existe vontade política do Banco Central e do presidente Lula para salvar o BRB sem parecer que é endosso às tramoias de Vorcaro.
Gim mira a vice…
… ou uma das vagas ao Senado na chapa do pré-candidato a governador do DF, José Roberto Arruda (PSD). O presidente do Avante do DF, Gim Argello, é um dos aliados mais próximos de Arruda e está com chapa montada para deputados distritais. Além de seu trabalho como articulador em tempo integral, Gim aglutina lideranças que não têm mandato.
PT unido
O PT de Lula, por ser verdadeiramente o único partido do Brasil, com programa, militância e democracia interna, segue indiferente à janela partidária. Perdeu apenas uma suplente, Elisangela Araujo (BA), que será candidata pelo PSB.
Maiores bancadas
Com a debandada de parlamentares do União Brasil para outras legendas, o PP de Ciro Nogueira e o PSD de Gilberto Kassab disputam o posto de terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, atrás apenas do PL de Jair Bolsonaro e do PT de Lula.
Cristina ou Zema
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se dividem em relação ao nome para vice. Valdemar acredita que o nome ideal é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), pensando no eleitorado feminino, ponto fraco do bolsonarismo. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prefere o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Daqui não saio – O PSDB vinha definhando desde a eleição de 2018, mas agora surpreende. Enquanto a dança das cadeiras acontece em outros partidos, sendo alguns mais desidratados dos que outros, o PSDB, até agora, perdeu quatro deputados e recebeu nove.