Das bets, prefira Macbeth, de Shakespeare, que previu o Master
O nojo que a população tinha de políticos aumentou com o caso Master, no qual esquerda, direita e centro estão atolados. Como em “Macbeth”, tragédia de Shakespeare, quando o eleitor vê um candidato a vontade é de ir “direto ao vilão, não se despedir nem dizer adeus, até o descoser do umbigo ao queixo, e lhe expor a cabeça por bandeira”. O banco de Daniel Vorcaro, uma bet sem prêmio, deu o cano superior a R$ 50 bilhões em 1 milhão e 600 mil correntistas. Beneficiou a si mesmo, agora em cana, e a um magote de homens públicos, agora em apuros.
Como pergunta Hamlet a Guildenstern, numa das principais obras do inglês, “viveis na zona da cintura ou no meio de seus favores?”. Agora, pesquisa global mostra que o Brasil é um dos cinco países menos competitivos do mundo e aparece a ponta do iceberg de pus criado na Bahia pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), que ganhou do esquema um big apê. País que nunca ganhou um Nobel. Não investe em laboratório nem em escolas de tecnologia. Em 2025, a Transparência Internacional divulgou que o Brasil está com a pior nota (34) e a pior colocação (107ª) no Índice de Percepção da Corrupção.
Os bandidos conquistam mandato nas urnas. Para conter a ladroagem, é só não votar em quem o prefeito manda, em quem o líder religioso leva à igreja para fazer proselitismo, em quem compra apoio. Se o Ricardo III de Shakespeare troca seu reino por um cavalo, o brasileiro não deveria trocar seu voto com nenhum filho de égua. Votar apenas em quem, como na peça “Rei Lear”, o único crime seja a honestidade, mesmo que pareça “muito estranho”. (Especial para O HOJE)