sábado, 12 de setembro de 2026

Debates políticos só têm bate-boca e não atraem mais o cidadão-eleitor

Wilson Silvestrepor em
Debates políticos só têm bate-boca e não atraem mais o cidadão-eleitor
Até aqui, salvo uma ou outra exceção, os candidatos abandonaram propostas e ideias por acusações - Ilustração: Takeshi Gondo

O modelo de debate político promovido pelas televisões abertas, rádios e por alguns portais de notícias já deu no que tinha que dar

 

O modelo de debate político promovido pelas televisões abertas, rádios e por alguns portais de notícias já deu no que tinha que dar. A fórmula se esgotou, e não é força de expressão. Até aqui, salvo uma ou outra exceção, os candidatos abandonaram propostas e ideias por acusações. Por isso, quem perde é o eleitor que tenta entender qual candidato tem a melhor proposta, seja ao País ou em seu Estado. No Distrito Federal, por exemplo, o debate promovido pelo portal Metrópoles entre os candidatos a governador, na última quinta-feira (10), foi um show de horrores digno de dar inveja a arenas de luta livre. Praticamente todo o tempo se resumiu a farpas e acusações. Só no primeiro bloco, foram concedidos oito direitos de resposta. Um recorde e tanto de baixaria por minuto.

Em Goiás, a fórmula não fica atrás, com candidato que comparou a tática de campanha do adversário às de Hitler. Uma comparação que deixou até seus militantes mais aguerridos constrangidos. Só que colocar a culpa apenas nos candidatos não é a melhor resposta. Parte dessa decadência no debate público é filha do crescimento das redes sociais e da consequente fuga de audiência da televisão. Só para efeito de comparação, nos últimos anos, a recepção de TV aberta caiu para 86,5%, enquanto 90,5% dos brasileiros já vivem conectados a alguma rede social.

Sem plateia garantida na televisão, resta aos candidatos polemizar, apontar o dedo na cara do adversário e, se não o suficiente, dar uma cadeirada. Só assim terá um corte capaz de viralizar nas redes, porque é lá que está o eleitor. Pablo Marçal soube trabalhar muito bem na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. E, nesta eleição, quem tem feito isso melhor é Renan Santos (Missão). Mas até essa fórmula o cidadão-eleitor não aprova, portanto, é bom os candidatos se concentrarem em propostas e não em espinafrar o adversário.

Sem Daniel e Wilder
O debate entre os candidatos ao Governo de Goiás, marcado para este sábado (12), em Rio Verde, deve contar com apenas dois participantes, se é que sai do papel. Isto porque Daniel Vilela (MDB) não deve comparecer, enquanto Wilder Morais (PL) condicionou presença à ida do governador. Sem os dois, sobram apenas Marconi Perillo (PSDB) e Luis Cesar Bueno (PT) para dividir um palco com menos gente do que reunião de condomínio.

Vitor Hugo e Isaura
Firme no propósito de democratizar o debate e levar informação de qualidade, o Grupo O HOJE recebeu, nesta sexta-feira (11), Major Vitor Hugo (PL) e Isaura Lemos (PSB) para uma rodada de entrevistas no Momento Político. A programação completa você confere no Canal O HOJE no YouTube.

Unidos pela política
O candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL) e o candidato a deputado federal Major Vitor Hugo (PL) decidiram deixar as brigas no passado e, de quebra, dividir o aluguel. Os dois abriram um comitê conjunto no Setor Oeste, em Goiânia, num gesto de união na reta final da campanha.

Realidade ignorada
Lideranças petistas alimentam na mídia a tese de que a queda de Lula (PT) nas pesquisas é passageira, efeito da crise no STF, enquanto ignoram o aumento do custo de vida, a segurança pública em pane e o fim do combustível de um discurso que já existe há 40 anos. A turbulência institucional passa. Desgaste de quatro décadas, sem oxigênio novo, não some só porque a tripulação promete céu de brigadeiro.

Cury com Flávio?
O candidato a presidente da República pelo Avante, Agusto Cury, não descarta apoio ao presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, mas pede que ele esclareça de vez sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quanto a um possível apoio a Lula no segundo turno, descartou de imediato. Resta saber como fica nos Estados, onde filiados do Avante declaram apoio à reeleição do presidente.

CNBB cobra solução – A CNBB aderiu ao bloco da sociedade organizada na cobrança de uma solução para a crise entre os Poderes, principalmente no STF. A instituição católica rejeita qualquer arranjo ou omissão sobre a crise que envolve autoridades.

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