Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Coluna

Déficit comercial da indústria salta 32,5% e registra pior resultado em quatro anos

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 20 de agosto de 2019

A
queda nas exportações de produtos típicos da indústria de transformação ajuda a
compor o cenário de recessão no setor ao longo deste ano, segundo aponta
relatório recente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial
(Iedi), que avalia o desempenho da balança comercial da indústria por
intensidade tecnológica. Resultado da baixa na atividade industrial, desta vez
as importações não tiveram maior impacto sobre o comportamento da balança
comercial, afetada mais duramente pela retração nas exportações.

Na
avaliação do Iedi, essa queda deve ser relacionada ao esfriamento do comércio
mundial como um todo, refletindo a guerra comercial entre Estados Unidos e
China e a desaceleração no ritmo do crescimento global. Mais regionalmente –
embora o senhor ministro dos mercados acredita que a economia do país vizinho
não conta, o desmonte da economia argentina ajudou a derrubar as vendas
externas da indústria brasileira. Entre janeiro e junho deste ano, o setor
exportou US$ 62,722 bilhões, correspondendo a uma queda de 5,43% em relação aos
US$ 66,325 bilhões exportados em igual período do ano passado.

Como
se percebe, houve uma perda de US$ 3,603 bilhões entre os dois semestres, numa
contribuição de 90,6% para a queda geral acumulada pelas exportações totais do
País. Conforme já noticiado, as vendas externas brasileiras recuaram 3,49% no
primeiro semestre deste ano, baixando de US$ 113,818 bilhões para US$ 109,842
bilhões (ou seja, US$ 3,976 bilhões a menos). Da mesma forma, a contribuição da
indústria para a queda no saldo comercial do País no semestre foi decisiva,
como mostram os dados apurados pelo Iedi.

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A
balança comercial da indústria de transformação acumulou rombo de US$ 12,717
bilhões nos primeiros seis meses deste ano, num salto de 32,53% em relação ao
mesmo intervalo de 2018, quando havia alcançado US$ 9,595 bilhões, demonstrando
uma evolução de US$ 3,122 bilhões. Para comparação, o saldo comercial
brasileiro caiu 13,24% no primeiro semestre, numa queda de US$ 3,973 bilhões,
encolhendo de US$ 30,017 bilhões para US$ 26,044 bilhões. Assim, a indústria
contribuiu com 78,6% para a retração do superávit brasileiro com o restante do
mundo.

Cenário crítico

Sem
conseguir ampliar suas vendas externas, com dificuldades igualmente para fazer
crescer sua produção, o que trouxe ainda um recuo nas importações de bens
industrial de 0,63% (de US$ 75,920 bilhões para US$ 75,439 bilhões), o cenário
para a atividade industrial continua crítico neste ano. Diante desse quadro,
supor que a economia como um todo possa vir a experimentar alguma reação
sustentável e de fôlego mais longo corresponde a uma aposta frágil e de alto
risco, dadas as condições atuais nos mercados doméstico e internacional.

Balanço

·  
A
piora sensível na balança comercial da indústria de transformação foi motivada
principalmente por setores de alta e média-alta intensidade tecnológica,
demonstrando a extrema dificuldade que o setor voltou a enfrentar para exportar
produtos de maior valor agregado.

·  
As
exportações de bens de alta tecnologia (aviões, produtos farmacêuticos,
equipamentos de informática e de comunicação e instrumentos médicos, entre
outros) desabaram 19,26% no primeiro semestre, caindo de US$ 5,575 bilhões para
US$ 4,501 bilhões). As compras externas nesta área também baixaram, mas em
menor ritmo, numa redução de 2,84% (de US$ 15,264 bilhões para US$ 14,830
bilhões).

·  
O
déficit das indústrias de alta tecnologia, como consequência, subiu 6,61%,
avançando de US$ 9,689 bilhões para US$ 10,329 bilhões.

·  
No
segmento de média-alta tecnologia, as exportações caíram 14,88% na mesma
comparação, despencando de US$ 18,490 bilhões para US$ 15,738 bilhões. As
importações mantiveram-se praticamente estáveis, com ligeiro avanço de 0,93%
(saindo de US$ 34,811 bilhões para US$ 35,134 bilhões).

·  
As
indústrias de média-baixa tecnologia, ao contrário, reduziram o déficit
comercial de US$ 1,278 bilhão para US$ 305,0 milhões. As exportações avançaram
5,89% (de US$ 16,627 bilhões para US$ 17,607 bilhões), enquanto as importações
foram mantidas em US$ 17,912 bilhões. O segmento inclui produtos dos setores de
construção e reparação naval, borracha e plásticos, petróleo refinado, outros
produtos não metálicos e produtos metálicos.

O setor de baixa tecnologia (alimentos, bebidas,
madeira, celulose e papel, produtos têxteis, couros e calçados e outras
manufaturas não especificadas) reduziu exportações em quase 3%, com baixa de
4,7% nas compras externas e recuo de 2,14% no superávit comercial, para US$
17,314 bilhões.