Déficit da indústria de transformação experimenta salto de 66% em 2021

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 13 de janeiro de 2022

Num ano de recordes para a balança comercial brasileira, estimulados especialmente pelo salto nas vendas externas de minério de ferro, soja em grão e farelo, petróleo e seus derivados, a indústria de transformação registrou um aumento de 66,16% em seu déficit com o resto do mundo em 2021. Em Goiás, o setor ainda sustentou números positivos nas transações comerciais com o mundo, mas o superávit comercial – exportações menos importações – sofreu baixa de 25,20% em relação a 2020. Nos dois casos, as importações de bens manufaturados andaram na frente das exportações, o que ajudou a deteriorar os números da balança comercial do setor.

No ano passado, a indústria brasileira de transformação exportou US$ 144,115 bilhões, frente a US$ 114,073 bilhões em 2020, o que significou um crescimento de 26,34% (US$ 30,042 bilhões a mais). Mas as importações aumentaram 35,08%, saindo de US$ 146,158 bilhões para US$ 197,427 bilhões (num acréscimo, portanto, de US$ 51,269 bilhões). Como resultado, o déficit entre vendas e compras externas elevou-se de US$ 32,085 bilhões para US$ 53,312 bilhões.

Cinco classes de produtos e/ou itens explicam pouco mais da metade do avanço das importações de manufaturas entre 2020 e 2021, a saber, óleos combustíveis de petróleo, derivados e gás, fertilizantes e adubos, medicamentos, válvulas, tubos e transistores, veículos, acessórios e suas partes.Na soma desses itens, o País importou praticamente US$ 61,896 bilhões no ano passado, diante de US$ 35,776 bilhões nos 12 meses imediatamente anteriores, correspondendo a um salto de 73,01% (ou seja, US$ 26,119 bilhões a mais, o que significa que, a cada US$ 100 importados a mais pela indústria, em torno de US$ 50,95 tiveram origem no mesmo grupo de itens/produtos). A participação daqueles bens na pauta de importações da indústria avançou de 24,48% para 31,35%.

O destaque principal ficou por conta das importações de óleos combustíveis de petróleo, outros hidrocarbonetos manufaturados e gás de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos. As compras nesta área cresceram 135,89% entre 2020 e 2021, saindo de US$ 7,752 bilhões para US$ 18,286 bilhões, num incremento equivalente a US$ 10,534 bilhões, explicando um quinto do aumento geral experimentado pelas importações gerais da indústria.

Base agromineral

Os produtos de base agrícola e mineral, com destaque para açúcar, farelo de soja, carnes, óleos vegetais, celulose, óleos combustíveis, ouro (não monetário), continuaram a responder por metade de toda a exportação do setor de transformação industrial, embora tenham perdido alguma representatividade, recuando de 53,8% para 50,0% das vendas externas totais da indústria. Foram exportados, no ano passado, em torno de US$ 72,096 bilhões, numa elevação de 17,42% em relação ao ano anterior, quando as vendas externas haviam alcançado US$ 61,402 bilhões, em números aproximados. Aqueles produtos foram responsáveis por 35,60% do aumento registrado pelas exportações totais de manufaturas. Trata-se de uma participação nada desprezível e deixa nítida a baixa especialização e sofisticação da indústria de transformação no País.

Balanço

  • O recorde alcançado pelas exportações totais realizadas pelas empresas brasileiras, que atingiram US$ 280,633 bilhões no ano passado, crescendo 34,16% frente a 2020 (US$ 209,180 bilhões), foi sustentado basicamente por três grupos de produtos, conforme já mencionado. Petróleo e derivados, soja e farelo de soja e minério de ferro responderam por 46,1% de toda a exportação brasileira, índice que se compara com 40,88% em 2020. Mas sua contribuição para o crescimento das vendas externas aproximou-se de 61,3%.
  • Em conjunto, aqueles três grupos de bens registraram exportações de US$ 129,306 bilhões no ano passado, crescendo 51,20% frente aos US$ 85,521 bilhões exportados em 2020, num acréscimo de US$ 43,785 bilhões. Os embarques de minério de ferro renderam uma receita cambial de quase US$ 44,597 bilhões em 2021, num aumento de 73,0% em relação a 2020, quando haviam sido exportados US$ 25,780 bilhões. Sozinho, o incremento nas vendas de minério de ferro lá fora explicou 26,33% do crescimento das exportações totais.
  • A segunda maior contribuição veio de petróleo e seus derivados, com as exportações subindo de US$ 24,844 bilhões para US$ 38,149 bilhões, numa alta de 53,55%. A contribuição do setor para o aumento nas exportações totais atingiu 18,62%. Soja em grão e farelo de soja responderam por 16,33% do crescimento das exportações totais, já que as vendas daqueles produtos no exterior cresceram de US$ 34,895 bilhões para US$ 46,561 bilhões, em alta de 33,43%.
  • A concentração foi mais intensa no caso das exportações goianas. Apenas dois itens foram responsáveis por 99,73% do aumento geral experimentado pelas vendas externas totais do Estado, que saíram de US$ 8,134 bilhões para US$ 9,284 bilhões entre 2020 e 2021, num ganho de US$ 1,150 bilhão. O chamado complexo soja (grão, farelo e óleo) acumulou vendas de US$ 4,282 bilhões em 2021 (46,1% do total), num incremento de 29,93% sobre 2020, quando as exportações do setor chegaram a somar US$ 3,296 bilhões (40,52% do total). O ganho aqui somou US$ 986,312 milhões, correspondendo a 85,75% do crescimento acumulado pelo total das exportações goianas.
  • Na segunda posição, as exportações de carne bovina resfriada e congelada subiram de US$ 1,143 bilhão para US$ 1,304 bilhão, avançando 14,06% e agregando US$ 160,856 milhões às exportações goianas, numa contribuição de 13,98%.
  • A indústria de transformação elevou suas vendas externas em 18,33% de 2020 para 2021, exportando US$ 5,152 bilhões no ano passado frente a US$ 4,354 bilhões um ano antes. Sua fatia nas vendas totais do Estado para o exterior avançou de 53,55% para 55,49% (superando a participação do setor de 51,35% nas exportações brasileira).
  • O dado não se traduz, no entanto, em maior especialização e sofisticação, já que 70,16% das exportações da indústria goianas tiveram origem em produtos de base agrícola (farelo de soja, carnes e açúcar, principalmente). Os bens industriais de origem agropecuária somaram exportações de US$ 3,615 bilhões no ano passado, numa elevação de 19,78% na comparação com os US$ 3,018 bilhões exportados em 2020. Esses bens foram também responsáveis por 74,78% do crescimento das exportações da indústria.
  • As importações do setor de transformação cresceram 33,42%, de US$ 3,233 bilhões para US$ 4,314 bilhões, puxadas pelas compras de adubos e fertilizantes, veículos e suas partes e caldeiras mecânicas. Dessa foram, o saldo comercial da indústria encolheu de US$ 1,121 bilhão para US$ 838,407 milhões (25,20% a menos).
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