Déficit da prefeitura cresce oito vezes no terceiro bimestre do ano
Os números divulgados pela prefeitura de Goiânia em seu portal da transparência mostram um salto vigoroso do déficit entre receitas e despesas primárias no terceiro bimestre deste ano, excluídas aquelas contas de caráter financeiro, a exemplo de juros e amortizações. As receitas de fato chegaram a avançar num ritmo de certo modo acelerado, bem acima da inflação acumulada em 12 meses, que chegou ao final de junho a 5,41%. Mas as despesas efetivamente pagas, incluindo restos a pagar processados e não processados também pagos, aumentaram mais fortemente, pressionados principalmente pelas demais despesas correntes e pelos investimentos.
Literalmente, o gestor municipal decidiu manter o pé no acelerador, embora de forma mais contida do que no segundo bimestre deste ano, quando o déficit primário havia alcançado R$ 105,398 milhões, representando 7,22% da receita corrente líquida realizada na soma de março e abril. No bimestre entre maio e junho, a prefeitura chegou a arrecadar perto de R$ 1,620 bilhão, o que se compara com qualquer coisa ao redor de R$ 1,457 bilhão em igual período do ano passado, numa variação de 11,16%. O ganho de receitas, no caso, aproximou-se de R$ 162,601 milhões.
As despesas primárias, no entanto, cresceram 15,65% naquela mesma comparação, avançando de R$ 1,467 bilhão para R$ 1,696 bilhão, correspondendo a um incremento de R$ 229,543 milhões. A diferença entre receitas e despesas, que já havia sido negativa entre maio e junho do ano passado, num déficit de R$ 9,281 milhões, foi ampliada para R$ 76,223 milhões em igual bimestre deste ano, saltando 721,28% – quer dizer, praticamente R$ 66,942 milhões a mais. Numa nota menos negativa, o déficit do terceiro bimestre ficou 27,68% mais baixo do que aquele registrado nos dois meses imediatamente anteriores.
Contas pagas
Tomando como base o terceiro bimestre do ano passado, as despesas com pessoal apresentaram variação nominal de apenas 2,34%, o que permite estimar um recuo próximo de 2,9% em termos reais, quer dizer, depois de descontada a inflação. Em valores ainda nominais, a folha de pessoal variou de R$ 730,551 milhões no bimestre maio e junho de 2025 para R$ 747,659 milhões em igual intervalo deste ano, num acréscimo de R$ 17,108 milhões. As demais despesas correntes, destinadas a compras de materiais, manutenção, segurança e demais gastos, subiram 11,52% entre os mesmos dois bimestres, saindo de R$ 533,218 milhões para R$ 594,668 milhões, ou seja, em torno de R$ 61,450 milhões a mais. O investimento pago pela prefeitura, considerando ainda restos a pagar processados e não processados, saltou de R$ 57,538 milhões para R$ 194,003 milhões, saltando 237,17% (ou mais R$ 136,465 milhões). A relação entre o investimento realizado e a receita corrente líquida bimensal foi ampliada de 4,33% no ano passado para 12,94% neste ano.
Balanço
Apenas para comparação, o déficit primário havia correspondido a 0,70% da receita corrente líquida no acumulado entre maio e junho do ano passado, relação elevada para 5,09% neste ano, considerando o terceiro bimestre.
Os números acumulados no primeiro semestre, conforme o relatório resumido da execução orçamentária, mantiveram o mesmo padrão, com as despesas primárias crescendo em velocidade mais de três vezes superior ao ritmo de avanço das receitas, gerando uma queda vertical no resultado primário, sempre com a exclusão de juros e amortizações.
As receitas primárias totais apresentaram variação nominal de 5,49%, o que praticamente manteve os valores arrecadados em termos reais, depois de descontada a inflação. Sem atualização, a receita passou de R$ 4,902 bilhões para R$ 5,171 bilhões, num acréscimo de R$ 269,263 milhões.
Mas as despesas aumentaram 18,53% nominalmente (correspondendo a um crescimento ao redor de 12,4% depois de descontada a inflação), saindo de quase R$ 4,20 bilhões para R$ 4,978 bilhões, quando incluídos restos a pagar processados e não processados igualmente pagos. Quer dizer, registrou-se um acréscimo de R$ 778,057 milhões entre a primeira metade do ano passado e o mesmo semestre deste ano.
O resultado primário, diferença entre receitas e despesas depois de descontado o pagamento de juros e amortizações, desabou de R$ 702,137 milhões no primeiro semestre de 2025, algo como 15,63% da receita corrente líquida acumulada no mesmo período, para R$ 193,343 milhões em idêntico período deste ano, o que derrubou a relação com as receitas líquidas para apenas 4,05%.
A comparação entre aqueles dois valores mostra um enxugamento de R$ 508,794 milhões no superávit primário, equivalente a uma retração nominal de 72,46%. A queda responde a pressões vindas em maior intensidade das demais despesas correntes, que aumentaram 13,95% entre os dois semestres analisados, avançando de R$ 1,567 bilhão para R$ 1,786 bilhão – ou seja, quase R$ 218,617 milhões a mais, o que explicou dois terços do incremento observado para as despesas primárias correntes. Nesta área, os gastos subiram de R$ 3,667 bilhões para R$ 3,998 bilhões, numa variação de 9,03% (algo como R$ 331,072 milhões a mais). A relação entre despesas primárias correntes e receita líquida, que havia alcançado 81,64% no primeiro semestre do ano passado, avançou para 83,81%.
Nessa composição, as despesas com a folha de pessoal e encargos apresentaram variação inferior à inflação acumulada entre julho do ano passado e junho deste ano, resultando em alguma forma de perda real para a massa de salários pagos aos servidores. Em dados nominais, o gasto com pessoal variou de pouco menos do que R$ 2,10 bilhões para aproximadamente R$ 2,212 bilhões, em torno de R$ 112,454 milhões adicionais, equivalentes a uma variação de 5,36%.
Entre as despesas de capital, o investimento realizado pela prefeitura cresceu nada mais, nada menos do que 469,37% nos seis primeiros meses deste ano, salto explicado em parte pela base muita reduzida de comparação. No semestre inicial de 2025, a administração municipal havia investido apenas R$ 91,463 milhões, perto de 2,04% da receita corrente líquida. O valor escalou para R$ 520,760 milhões na primeira metade deste ano, passando a representar 10,92% da receita líquida, numa injeção adicional de recursos na faixa dos R$ 429,297 milhões.
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