terça-feira, 22 de setembro de 2026

Déficit da prefeitura cresce oito vezes no terceiro bimestre do ano

Lauro Veiga Filhopor em
Déficit da prefeitura cresce oito vezes no terceiro bimestre do ano
Foto: Joabe Mendonça

Os números divulgados pela prefeitura de Goiânia em seu portal da transparência mostram um salto vigoroso do déficit entre receitas e despesas primárias no terceiro bimestre deste ano, excluídas aquelas contas de caráter financeiro, a exemplo de juros e amortizações. As receitas de fato chegaram a avançar num ritmo de certo modo acelerado, bem acima da inflação acumulada em 12 meses, que chegou ao final de junho a 5,41%. Mas as despesas efetivamente pagas, incluindo restos a pagar processados e não processados também pagos, aumentaram mais fortemente, pressionados principalmente pelas demais despesas correntes e pelos investimentos.

Literalmente, o gestor municipal decidiu manter o pé no acelerador, embora de forma mais contida do que no segundo bimestre deste ano, quando o déficit primário havia alcançado R$ 105,398 milhões, representando 7,22% da receita corrente líquida realizada na soma de março e abril. No bimestre entre maio e junho, a prefeitura chegou a arrecadar perto de R$ 1,620 bilhão, o que se compara com qualquer coisa ao redor de R$ 1,457 bilhão em igual período do ano passado, numa variação de 11,16%. O ganho de receitas, no caso, aproximou-se de R$ 162,601 milhões.

As despesas primárias, no entanto, cresceram 15,65% naquela mesma comparação, avançando de R$ 1,467 bilhão para R$ 1,696 bilhão, correspondendo a um incremento de R$ 229,543 milhões. A diferença entre receitas e despesas, que já havia sido negativa entre maio e junho do ano passado, num déficit de R$ 9,281 milhões, foi ampliada para R$ 76,223 milhões em igual bimestre deste ano, saltando 721,28% – quer dizer, praticamente R$ 66,942 milhões a mais. Numa nota menos negativa, o déficit do terceiro bimestre ficou 27,68% mais baixo do que aquele registrado nos dois meses imediatamente anteriores.

 

Contas pagas

Tomando como base o terceiro bimestre do ano passado, as despesas com pessoal apresentaram variação nominal de apenas 2,34%, o que permite estimar um recuo próximo de 2,9% em termos reais, quer dizer, depois de descontada a inflação. Em valores ainda nominais, a folha de pessoal variou de R$ 730,551 milhões no bimestre maio e junho de 2025 para R$ 747,659 milhões em igual intervalo deste ano, num acréscimo de R$ 17,108 milhões. As demais despesas correntes, destinadas a compras de materiais, manutenção, segurança e demais gastos, subiram 11,52% entre os mesmos dois bimestres, saindo de R$ 533,218 milhões para R$ 594,668 milhões, ou seja, em torno de R$ 61,450 milhões a mais. O investimento pago pela prefeitura, considerando ainda restos a pagar processados e não processados, saltou de R$ 57,538 milhões para R$ 194,003 milhões, saltando 237,17% (ou mais R$ 136,465 milhões). A relação entre o investimento realizado e a receita corrente líquida bimensal foi ampliada de 4,33% no ano passado para 12,94% neste ano.

 

Balanço

Apenas para comparação, o déficit primário havia correspondido a 0,70% da receita corrente líquida no acumulado entre maio e junho do ano passado, relação elevada para 5,09% neste ano, considerando o terceiro bimestre.

Os números acumulados no primeiro semestre, conforme o relatório resumido da execução orçamentária, mantiveram o mesmo padrão, com as despesas primárias crescendo em velocidade mais de três vezes superior ao ritmo de avanço das receitas, gerando uma queda vertical no resultado primário, sempre com a exclusão de juros e amortizações.

As receitas primárias totais apresentaram variação nominal de 5,49%, o que praticamente manteve os valores arrecadados em termos reais, depois de descontada a inflação. Sem atualização, a receita passou de R$ 4,902 bilhões para R$ 5,171 bilhões, num acréscimo de R$ 269,263 milhões.

Mas as despesas aumentaram 18,53% nominalmente (correspondendo a um crescimento ao redor de 12,4% depois de descontada a inflação), saindo de quase R$ 4,20 bilhões para R$ 4,978 bilhões, quando incluídos restos a pagar processados e não processados igualmente pagos. Quer dizer, registrou-se um acréscimo de R$ 778,057 milhões entre a primeira metade do ano passado e o mesmo semestre deste ano.

O resultado primário, diferença entre receitas e despesas depois de descontado o pagamento de juros e amortizações, desabou de R$ 702,137 milhões no primeiro semestre de 2025, algo como 15,63% da receita corrente líquida acumulada no mesmo período, para R$ 193,343 milhões em idêntico período deste ano, o que derrubou a relação com as receitas líquidas para apenas 4,05%.

A comparação entre aqueles dois valores mostra um enxugamento de R$ 508,794 milhões no superávit primário, equivalente a uma retração nominal de 72,46%. A queda responde a pressões vindas em maior intensidade das demais despesas correntes, que aumentaram 13,95% entre os dois semestres analisados, avançando de R$ 1,567 bilhão para R$ 1,786 bilhão – ou seja, quase R$ 218,617 milhões a mais, o que explicou dois terços do incremento observado para as despesas primárias correntes. Nesta área, os gastos subiram de R$ 3,667 bilhões para R$ 3,998 bilhões, numa variação de 9,03% (algo como R$ 331,072 milhões a mais). A relação entre despesas primárias correntes e receita líquida, que havia alcançado 81,64% no primeiro semestre do ano passado, avançou para 83,81%.

Nessa composição, as despesas com a folha de pessoal e encargos apresentaram variação inferior à inflação acumulada entre julho do ano passado e junho deste ano, resultando em alguma forma de perda real para a massa de salários pagos aos servidores. Em dados nominais, o gasto com pessoal variou de pouco menos do que R$ 2,10 bilhões para aproximadamente R$ 2,212 bilhões, em torno de R$ 112,454 milhões adicionais, equivalentes a uma variação de 5,36%.

Entre as despesas de capital, o investimento realizado pela prefeitura cresceu nada mais, nada menos do que 469,37% nos seis primeiros meses deste ano, salto explicado em parte pela base muita reduzida de comparação. No semestre inicial de 2025, a administração municipal havia investido apenas R$ 91,463 milhões, perto de 2,04% da receita corrente líquida. O valor escalou para R$ 520,760 milhões na primeira metade deste ano, passando a representar 10,92% da receita líquida, numa injeção adicional de recursos na faixa dos R$ 429,297 milhões.

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