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domingo, 11 de janeiro de 2026

Déficit dos governos encolhe 31,3% nos primeiros sete meses deste ano

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 30 de agosto de 2025
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

O alarmismo fiscal parece ter dado uma trégua nas últimas semanas, já que o noticiário foi dominado pelo acirramento dos conflitos geopolíticos e pela ebulição do mundo político, uma constante brasileira. Ainda assim, nada assegura que a pressão na área fiscal tenha de fato arrefecido, assim como parece improvável que a chamada “esquadrilha austericida” tenha se deixado convencer de que o cenário vem mostrando melhoras consistentes ao longo do ano, como indicam os números oficiais.

Considerando os três níveis de governo, além do Banco Central (BC), da Previdência Social e de todas as estatais, o déficit primário — que não contabiliza os juros da dívida — encolheu 31,27% nos primeiros sete meses deste ano frente ao mesmo período de 2024. Em valores nominais, sem descontar a inflação, o resultado caiu de R$ 64,797 bilhões para R$ 44,537 bilhões, redução de R$ 20,260 bilhões. Na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), segundo o BC, o déficit recuou de 0,97% para 0,61%, corte equivalente a 0,36 ponto percentual.

Quando observada uma série mais longa, de 12 meses, o ajuste é ainda mais expressivo. Entre agosto de 2023 e julho de 2024, o déficit primário chegou a R$ 257,742 bilhões. Nos 12 meses seguintes, despencou para R$ 27,293 bilhões, uma queda de 89,41%. O rombo ficou R$ 230,449 bilhões menor, equivalente a um ajuste de pouco mais de dois pontos percentuais do PIB, reduzindo a relação déficit/PIB de 2,26% para apenas 0,22%.

Apesar do avanço, as visões mais catastróficas sobre a situação fiscal do setor público, em especial do governo federal, não desapareceram. Apenas cederam espaço no noticiário para temas mais “quentes”, como o julgamento do golpismo, o avanço do crime organizado sobre a economia real via “fintechs” e sua associação com setores da extrema-direita. O receituário defendido pelo “austericídio” permanece o mesmo: cortes em áreas sociais, como transferências de renda para famílias vulneráveis, recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS), para a educação e programas voltados aos mais pobres — ao mesmo tempo em que se mantêm incentivos, subsídios e isenções que corroem a arrecadação e aumentam a concentração de renda.

Balanço

De acordo com o Banco Central, o déficit primário do governo central caiu 13,34% no acumulado de janeiro a julho, passando de R$ 79,258 bilhões em 2024 para R$ 68,684 bilhões em 2025 — uma redução de R$ 10,574 bilhões. Esse resultado refletiu um salto de 25,36% no superávit do governo federal, que subiu de R$ 142,016 bilhões para R$ 178,034 bilhões, um ganho de R$ 36,018 bilhões. Também contribuiu a queda de 36,44% no déficit do próprio BC, que recuou de R$ 596,307 milhões para R$ 378,999 milhões, embora com impacto marginal no conjunto das contas.

Na outra ponta, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cresceu 11,63%, de R$ 220,678 bilhões para R$ 246,339 bilhões nos sete primeiros meses de cada ano. Já os governos regionais, puxados sobretudo pelos municípios, ampliaram em 46,47% o superávit primário, que passou de R$ 22,142 bilhões para R$ 32,431 bilhões, incremento de R$ 10,289 bilhões.

As prefeituras tiveram papel decisivo nessa melhora, revertendo um déficit de R$ 7,291 bilhões em 2024 para um superávit de R$ 5,170 bilhões neste ano. Essa virada acrescentou R$ 12,461 bilhões ao saldo primário e compensou a queda de 7,38% no superávit dos Estados, que recuou de R$ 29,434 bilhões para R$ 27,261 bilhões, o equivalente a R$ 2,173 bilhões a menos.

Na conta de juros, houve contribuição ligeiramente positiva. As despesas do setor público com juros caíram de R$ 534,900 bilhões entre janeiro e julho de 2024 para R$ 525,676 bilhões em 2025, representando 7,24% do PIB. A queda de 1,72%, ou R$ 9,224 bilhões, se deveu exclusivamente aos ganhos do BC no mercado de câmbio, com a queda do dólar. Em 2024, a autoridade monetária havia registrado despesas líquidas de R$ 116,894 bilhões com juros; neste ano, obteve receitas líquidas de R$ 22,129 bilhões, abatendo cerca de R$ 139,023 bilhões da conta de juros.

Mesmo assim, o governo federal aumentou em 34,87% seus gastos com juros, que saltaram de R$ 361,548 bilhões para R$ 487,622 bilhões — R$ 126,074 bilhões a mais. Estados e municípios, em conjunto, também elevaram suas despesas, que cresceram de R$ 53,463 bilhões para R$ 57,620 bilhões, acréscimo de R$ 4,157 bilhões.

Com isso, o resultado nominal consolidado de todo o setor público apresentou queda de 4,92%, com o déficit recuando de R$ 599,697 bilhões para R$ 570,213 bilhões, uma redução de R$ 29,484 bilhões.

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