terça-feira, 30 de junho de 2026

Déficit nas contas externas sofreu baixa de 9,31% até maio deste ano

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 30 de junho de 2026

O salto experimentado pela balança comercial nos primeiros cinco meses deste ano, com as exportações de bens e mercadorias superando as importações, contribuiu para derrubar o déficit na conta de transações correntes, ao mesmo tempo em que o investimento realizado aqui dentro por empresas estrangeiras continua em aceleração – a despeito do mau humor persistente de consultores, analistas associados ao mercado financeiro e da grande mídia em geral, retroalimentando o caldeirão de ódios e desinformação nas redes sociais e outros meios digitais.

Entre maio deste ano e o mesmo mês do ano passado, o déficit em transações correntes registrou baixa de 4,01%, reduzido de US$ 3,318 bilhões para US$ 3,185 bilhões, refletindo em grande parte o aumento de quase 8,0% registrado pelo saldo entre exportações e importações, que passou de US$ 6,437 bilhões para US$ 6,951 bilhões. Nos cinco primeiros meses deste ano, o déficit em transações correntes caiu para US$ 25,093 bilhões, saindo de US$ 27,668 bilhões entre janeiro e maio do ano passado, numa redução de 9,31% (ou seja, perto de US$ 2,575 bilhões a menos).

A influência da balança comercial foi ainda mais destacada, já que o superávit comercial (exportações menos importações) registrou salto de 37,17% frente aos cinco primeiros meses de 2025, num ganho de US$ 7,764 bilhões, já que o resultado avançou de US$ 20,886 bilhões no acumulado entre janeiro e maio do ano passado para US$ 28,650 bilhões em igual intervalo deste ano. Esse crescimento derivou de uma elevação de 8,26% nas exportações, que saíram de US$ 137,787 bilhões para US$ 149,167 bilhões (coisa de US$ 11,380 bilhões a mais). As compras externas cresceram em velocidade muito menor, variando 3,09% ao avançarem de US$ 116,90 bilhões para US$ 120,517 bilhões, correspondendo a um acréscimo de US$ 3,617 bilhões.

 

Transações correntes

Como se recorda, a conta de transações correntes contempla o saldo da balança comercial (exportações menos importações de bens e mercadorias), gastos líquidos do País (descontadas as receitas) com serviços no exterior, incluindo viagens internacionais, transporte de cargas e de passageiros e aluguel de equipamentos importados, pagamentos de royalties pelo uso de tecnologias importadas, entre outros. Somam-se àquela conta gastos com juros e remessas de lucros e dividendos para fora do País, que apresentou dados negativos para a primeira variável e aumento no segundo caso.

 

Balanço

Não deixa de chamar a atenção o “descasamento” entre o pessimismo recorrente da corrente de analistas, consultores e comentaristas, mencionada mais acima, e o comportamento dos investimentos estrangeiros, em geral atraídos presumivelmente por expectativas mais positivas em relação ao momento atual e aparentemente também quando se trata de avaliar as perspectivas futuras para a economia.

Em maio apenas, aqueles investidores injetaram no País US$ 4,111 bilhões a mais na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os valores investidos cresceram de US$ 3,862 bilhões para US$ 7,974 bilhões, o que representou um salto de 106,42%. O investimento realizado em maio deste ano ficou duas vezes e meia maior do que o déficit em transações correntes registrado naquele mesmo mês.

Nos cinco meses iniciais deste ano, os estrangeiros investiram no Brasil perto de US$ 37,911 bilhões, quer dizer, em torno de 51,1% mais do que o rombo na conta de transações correntes. Houve um aumento de 17,46% em relação a igual período do ano passado, quando os valores investidos haviam alcançado US$ 32,275 bilhões (significando em torno de 16,7% acima do déficit em transações correntes acumulado entre janeiro e maio de 2025).

O crescimento geral ficou concentrado nos investimentos realizados para reforçar a participação de empresas estrangeiras em suas filiais aqui dentro e/ou na compra de maior participação em empresas brasileiras. Frente a maio do ano passado, esse tipo de investimento foi praticamente quadruplicado, saltando de US$ 2,046 bilhões para US$ 7,389 bilhões – uma alta de 261,14% (quer dizer, praticamente US$ 5,343 bilhões a mais).

Os registros de maio, com certeza, ajudaram a turbinar o investimento em participação no capital no acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, que atingiu perto de US$ 32,957 bilhões, avançando 37,54% na comparação com os mesmos cinco meses do ano passado (US$ 23,962 bilhões). As operações realizadas entre companhias de um mesmo grupo despencaram 67,81% em maio deste ano, comparativamente a igual mês de 2025, encolhendo de US$ 1,817 bilhão para US$ 584,688 milhões.

Com esse tropeço, o investimento entre companhias sofreu baixa de 40,4% no acumulado entre janeiro e maio deste ano em relação a igual período do ano passado, desabando de US$ 8,314 bilhões para US$ 4,955 bilhões (numa perda de US$ 3,359 bilhões).

Na análise dos dados acumulados entre janeiro e maio deste ano, considerando igual período de 2025, as viagens internacionais e as despesas líquidas associadas a serviços de tecnologia tiveram participação decisiva no aumento do déficit na conta de serviços. A diferença entre receitas e despesas nesta área, que supremacia histórica para os gastos, registrou variação de 5,70% no intervalo analisado, saindo de US$ 21,097 bilhões para US$ 22,299 bilhões – ou seja, perto de US$ 1,202 bilhão a mais. Para reforçar, a variação foi muito menos intensa do que o crescimento acumulado pela balança comercial (exportações menos importações de bens).

Descontadas as receitas em cada uma das áreas analisadas aqui, as despesas com serviços de propriedade intelectual, incluindo remessas de royalties pelo uso de marcas e patentes, gastos com serviços de telecomunicações, computação e dados e com o aluguel de equipamentos (que igualmente podem ser identificados com a remuneração pelo uso de tecnologia embarcada naqueles bens) subiram de US$ 13,423 bilhões para praticamente US$ 15,100 bilhões. Houve um aumento de 12,49% nessa comparação, algo em torno de US$ 1,676 bilhão a mais.

As viagens internacionais consumiram US$ 5,565 bilhões, num salto de 36,32% diante de US$ 4,082 bilhões em igual período de 2025, em alta de US$ 1,483 bilhão. O impacto mais negativo foi parcialmente amenizado pela queda de 18,46% nos gastos com transporte, que baixaram de US$ 6,115 bilhões para US$ 4,989 bilhões, em plena crise gerada pela guerra no Oriente Médio e todos os impactos sobre os custos dos combustíveis (o que teoricamente tenderia a elevar os gastos com fretes).

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