Delação de Vorcaro não derrubará a República porque ela já está no chão
A rigor, um órgão público falhou no Caso Master, o Banco Central. Se ele tivesse acompanhado as movimentações de Daniel Vorcaro, não sobraria dinheiro para tantas farras, contratos exorbitantes, mansões sediando orgias, degustações mais caras que a do Santo Graal, consultoria jurídica a R$ 4 mil por minuto. É candidato a ficar décadas atrás das grades, a menos que se transforme em dedo-duro. Disputam sua delação a Polícia Federal (com muito empenho), a Procuradoria-Geral da República (com zero empenho) e o Supremo Tribunal Federal (com empenho negativo). A expectativa é que derrube a República caso conte tudo de todos.
Há vários autoenganos na espera. A República já foi à lona e, justiça seja feita, quem a nocauteou não foi Vorcaro, ele apenas a pisoteou após a queda e pode esmagá-la com o que tem na videoteca. As autoridades envolvidas, e justiça não será feita, são de tantos lugares (governos passados e atuais, Legislativos, STF, BC…) que estamos num conto de Machado de Assis, a realidade é que se deve trancar numa cela (cabem) quem for honesto e deixar soltos os criminosos.
Seus depoimentos precisam ser seguidos de apuração minuciosa por policiais competentes alheios a ideologias e partidos políticos. Pode mandar recados durante as gravações. Está acostumado a ser traído, inclusive por moças fartamente remuneradas, não terá pudor em trair, mentir, enrolar, denunciar sem provas. O Brasil já teve diversos Vorcaros à frente de bancos enroladíssimos, sobretudo os oficiais, mas com final feliz: o povo bancou tudo e não lembra sequer o nome das instituições. (Especial para O HOJE)