Deputados pedem isenção de secretários, mais ainda dos novos
Metade da equipe do presidente Lula saiu do governo para se candidatar, com duas famosas premissas, uma favorável (puderam dar palpite e até indicar o sucessor), outra contrária (o substituto vai trabalhar para o governo, não para seu antecessor). O mesmo dilema é vivido no âmbito estadual, com agravantes. O governador Daniel Vilela está substituindo Ronaldo Caiado, que passou sete anos com aprovação superior a 80%. Ideal, então, seria manter todo o time de Caiado, na tentativa de manter os índices? Eis o drama hamletiano.
Deixaram a equipe integrantes de pastas riquíssimas, como Detran, Seinfra, Goinfra e Educação. Seria natural os novos comandantes renderem obediência aos ex, só que os deputados pensam o oposto. Não nesses cargos citados, mas a base do governo na Assembleia e no Congresso teme o uso da máquina em favor de aliados dos atuais ocupantes, vale também para quem está desde o início do mandato e foi indicação de alguém (todo mundo é indicação de alguém em todo lugar do mundo).
A bancada de Daniel/Caiado é imensa, portanto, o problema será proporcional durante a campanha. Tem Polícia Civil e Militar, Ciretran, Emater e Vapt Vupt em quase todas as cidades. Quem seus servidores vão apoiar, além dos majoritários? Não é usar a estrutura para pedir voto, o que afrontaria a lei, mas ajudar debaixo do quieto, depois do expediente, fora da repartição.
Hamlet puro: se ninguém ajudar ninguém, estará ajudando a oposição; se apoiar na base, mas longe do local de trabalho, será considerado isentão, novo sinônimo de traíra; se fizer campanha declarada, pode ser pego em flagrante. É mais um abacaxi para Daniel descascar. Bom suco, governador. (Especial para O HOJE)