Derrota de Gracinha pode ser o fim do ciclo de poder dos Caiado
Caiado sabe que, para salvar Daniel e Gracinha, precisa mais do que presença, sobretudo votos
Entramos na reta final de campanha em Goiás com Ronaldo Caiado (PSD) sem ter conseguido transferir seus votos para Daniel Vilela (MDB). A maioria das pesquisas crava segundo turno, o que já é um recado e tanto para quem venceu os últimos pleitos no primeiro turno. Transferir votos, ao que parece, não é tão simples quanto transferir um PIX.
A situação ficou ainda pior com a pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira (24), com registro BR-03864/2026, que mostrou Caiado em terceiro lugar em Goiás na disputa pelo Planalto, com apenas 23% dos votos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, e até de Lula (PT), que aponta 27%. Para um político de direita em um Estado majoritariamente conservador, é um tropeço com direito a fratura exposta. O eleitor que era dele, cativo e fiel, agora está com Flávio e pode muito bem, na cabine, trocar Daniel por Wilder Morais (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil) por Gustavo Gayer (PL).
Caiado sabe que, para salvar Daniel e Gracinha, precisa mais do que presença, sobretudo votos. No entanto, mesmo que Daniel vença e sua mulher seja derrotada, os livros de história vão registrar a vitória do MDB, partido ao qual Caiado nunca foi sequer filiado. Quem carrega de fato o sobrenome que protagoniza a política goiana desde 1772, quando Manoel Caiado de Souza chegou por essas bandas, saído da Freguesia de Caria, em Portugal, é Gracinha. Caiado sabe disso melhor do que ninguém. Se ela perder no próximo domingo (4), ele já terá perdido tudo, não importa o que aconteça depois. Assim, sem herdeiro político em Goiás, a dinastia Caiado pode encerrar seu longevo protagonismo político.
Wilder: “Governo facilitador”
Nesta quinta-feira (1º), a coluna alcançou o candidato a governador de Goiás pelo PL, senador Wilder Morais, em mais um dia de carreatas. Desta vez ele voltou ao Entorno e percorreu quatro cidades. A coluna perguntou sobre a expectativa para o segundo turno e Wilder foi cirúrgico: “Respeito as regras democráticas e o empenho dos outros candidatos de oposição, mas, pelas propostas de governo do PL, a receptividade que nossos candidatos a deputados, senadores e eu temos tido em todo o Estado, reafirmo minha convicção em conquistar o segundo turno em primeiro lugar”. E arremata: “Acredito que vamos chegar à frente do candidato oficial”. Wilder reforçou à coluna o que tem dito em suas reuniões com aliados, entrevistas e podcasts que “nosso governo será um facilitador para quem produz, gera empregos, trabalha, e não um opressor que só pensa na coleta de impostos”.
Reforço de Flávio
Wilder cita como ponto de virada na campanha as constantes visitas, carreatas pelo interior, a presença do candidato a presidente da República em Goiânia, Flávio Bolsonaro, o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e “nossa militância, juntamente com lideranças da direita e conservadores goianos”.
Marconi nas ruas
O candidato do PSDB Marconi Perillo percorre as principais avenidas de Anápolis em carreata, segue para Catalão e encerra o dia em Goiânia. O ex-governador reforça sua estratégia final na busca dos eleitores na capital do Estado, onde tem seu maior legado de obras estruturantes na mobilidade urbana, saúde e educação.
Voto útil à direita
A dois dias da eleição, eleitores de direita começaram a reforçar a dobradinha entre Gustavo Gayer (PL) e Gustavo Mendanha (PRD), em reação ao voto útil em Zacharias Calil (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD), pregado entre setores da esquerda. Resta saber onde Gracinha Caiado (União Brasil), até então favorita, vai ficar em meio a todo esse imbróglio.
Tô com Fred! – Fred Rodrigues (PL) ganhou um presentão daqueles que valem quase uma campanha inteira. Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) indicou o ex-deputado como seu candidato para a Câmara dos Deputados.
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