Desafios de Daniel, Wilder e Marconi na conquista do eleitor em Goiás
Governador tem a base, senador o bolsonarismo e o tucano a memória de parte do eleitorado goiano
Com pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições para o Governo de Goiás, Daniel Vilela (MDB) segue como favorito. A vantagem mais óbvia é ter em suas mãos uma máquina com 6 mil comissionados que, em campanha, se tornam cabos eleitorais, 12 partidos na coligação e mais de duzentos prefeitos aliados, além de carregar o sobrenome de Maguito Vilela (MDB).
Só que essa força toda esconde um problema que não vem de fora, mas sim de dentro de casa. A montagem da chapa foi um parto. A escolha do vice virou espetáculo digno de final de Copa do Mundo, até terminar na vitória de Luiz do Carmo (PSD) sobre José Mário Schreiner (PSD), decisão que deixou ressentimento em seu grupo e parte do agro, setor estratégico para qualquer governo. E a dor de cabeça não para por aí. A chapa ao Senado tem quatro nomes para apenas duas vagas, um filme que Goiás já viu em 2022, quando a base governista se dividiu e a oposição aproveitou a brecha para eleger Wilder Morais (PL) com apenas 799.022 votos.
Curiosamente, o próprio Wilder enfrenta hoje um desafio semelhante ao de Daniel, afinal, a rebeldia também mora no PL, partido que preside. À frente desse enrosco está Gustavo Gayer (PL), um “meio dissidente” inconformado ainda por ter perdido a disputa interna sobre uma aproximação com a base governista. Sem munição, sobretudo nas redes sociais, para peitar o bolsonarista, Wilder faz cara de paisagem e torce por uma intervenção do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) que ponha a casa em ordem.
Já Marconi Perillo (PSDB) sofre de um mal diferente. Se Daniel e Wilder lidam com disputas internas, o tucano-mor enfrenta a solidão. Acostumado a fazer campanhas com um leque generoso de partidos, hoje reunidos à mesa de Daniel, ainda não aprendeu a se mover no terreno das redes. Resta saber se apenas 30 segundos de horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão serão suficientes para reconectar o eleitor com seus governos, relógio esse que não costuma ter paciência com ninguém.
Arestas com Zé Mário aparadas
Na inauguração de seu comitê, nesta segunda-feira (24), o governador Daniel Vilela (MDB) tratou de encerrar de vez a disputa do vice, ao afirmar que as arestas com José Mário Schreiner (PSD) foram aparadas. Schreiner, porém, até esta publicação não soltou uma linha de declaração pública. Segue irredutivelmente concentrado na reeleição de Marussa Boldrin (Republicanos) e Talles Barreto (União Brasil), aliados de primeira ordem.
Campanha cara
A candidatura de Pedro Sales (PSD) entra na lista de vítimas do alto custo de uma campanha a deputado federal. “Olhei o custo e aquilo que me foi concedido pelo fundo, eu ia ter que pegar patrimônio próprio”, disse em despedida a apoiadores. Com toda razão, enfrentar mandatários com R$ 40 milhões em emendas e R$ 3,1 milhões de Fundo Eleitoral é tarefa para poucos.
Celina põe o pé na porta
Fechado há mais de 10 anos, o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD-DF) vai deixar de acumular poeira. A ocupação deve poupar cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos nos próximos cinco anos. Celina Leão (PP), assessorada por Valdivino de Oliveira, o “mãos de tesoura” de apoiadores e opositores, faz do respeito ao dinheiro público a marca de sua gestão.
Marconi na rede
Com mais de 2 milhões de visualizações nas redes sociais, principalmente no Instagram, o candidato de oposição Marconi Perillo (PSDB) ganha musculatura junto à população no interior. Essa estratégia de utilizar com maior intensidade as plataformas digitais tem a assinatura de seu marqueteiro, ‘Lula’ [Luiz Flávio Guimarães Marques]. “Marconi passou a dormir no máximo quatro horas por noite”, conta um de seus aliados.
Repetir Caiado
A leitura política do prefeito de Moiporá, Região Oeste do Estado, José Wilson (MDB), é de que Daniel Vilela (MDB) está se posicionando para vencer logo no primeiro turno. “Seus principais adversários ainda não consolidaram uma base que aponte um deles no segundo turno, por isso, vejo Daniel a um passo da vitória e de repetir Ronaldo Caiado em 2018”, resumiu Wilson à coluna.
Arruda no suspense – Não está nada fácil para o candidato a governador do DF, José Roberto Arruda (PSD), administrar a campanha eleitoral sob o pêndulo da Justiça em sua cabeça. Essa dúvida drena seu esforço para conquistar a confiança do eleitor em sua candidatura.
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