Desafios que vão estar na mesa de Daniel Vilela
Governador reeleito vai precisar de muita energia, paciência e sabedoria para administrar vaidades, ambições e futricas palacianas
Depois de ser reeleito em primeiro turno em uma eleição com três adversários, entre eles um ex-governador que deixou um legado administrativo singular, Daniel Vilela (MDB) viajou para recarregar as baterias. Ele vai precisar de muita energia, paciência e sabedoria para administrar vaidades, ambições e futricas palacianas. A gestão é um de seus menores problemas, já que pretende montar uma equipe de primeiro time. De acordo com aliados, Daniel quer mesclar técnicos capacitados em gestão pública e lideranças políticas comprometidas com o seu projeto desenvolvimentista.
Na seara política, seu principal desafio é apaziguar os ânimos de contendas entre os deputados de sua base na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O avanço na conquista da maioria de votos a favor de Issy Quinan (MDB) para comandar o Legislativo acirrou a rebeldia dos deputados contrários a Quinan. Esse grupo composto pelos deputados Jamil Calife (PP), Charles Bento (MDB), Wagner Neto (Solidariedade), Virmondes Cruvinel (União Brasil), Cairo Salim (MDB) e Wilde Cambão (União Brasil) articula uma candidatura independente do Palácio das Esmeraldas não vai ceder sem lutar.
A boa notícia para Daniel é que, independentemente do resultado da articulação desse grupo, não há sinal de rompimento à vista, mas, para evitar qualquer tipo de desconforto, Daniel terá que atender, ao menos em parte, as reivindicações de cada um deles. Esse é o jogo em que, atendidos todos os aliados, a dissidência perde fôlego e talvez nem cheguem divididos na escolha da Mesa Diretora. Esse é o melhor caminho para todos, incluindo Daniel, que pode estrear o novo mandato com toda a base sorrindo ao invés de cara feia ao governo do emedebista.
Mudar sem melindrar
Na gestão, o desafio de Daniel é mais sutil, mas não menos espinhoso: dar cara própria ao governo sem romper com a administração de Ronaldo Caiado (PSD). Afinal, Vilela só chegou ao primeiro turno porque foi “abraçado” por Caiado. Caberá a Daniel a árdua tarefa de mudar sem desmontar, inovar sem desautorizar, equilibrismo que poucos conseguem fazer sem trincar o azulejo.
Interlocutor
Como único governador eleito pelo MDB no País, Daniel ganha visibilidade nacional como um dos interlocutores da legenda junto ao governo Lula, o que pode, indiretamente, beneficiar Goiás com obras federais.
Bom para Celina
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, abre conversas com o MDB de Baleia Rossi (SP) e também com o PP. Essas conversas podem ser traduzidas em aliança do Centrão com o presidente Lula e favorecem o diálogo da governadora do DF, Celina Leão, com o Governo Federal.
À deriva
Desde que o deputado federal Professor Alcides (PSDB) deixou o PL, o partido em Aparecida de Goiânia segue sem comando. Hoje, a maior liderança local é Dieyme Vasconcelos (PL), que pode, inclusive, trocar a vereança no município por Goiânia na eleição de 2028, após ser bem votado na Capital na disputa para deputado estadual.
Não conte comigo
Se depender da bancada do Amapá no Senado para ser reeleito, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já pode se despedir da Presidência da Casa. Lucas Barreto (PSD-AP) e Rayssa Furlan (Podemos-AP) já avisaram que caminham com a oposição. A dupla derrotou nas urnas o grupo político de Alcolumbre e agora chega a Brasília com vontade de repetir a dose.
Serpentário brasiliense – Alguns blogs do Distrito Federal têm divulgado notícias de descontentamento na base de Celina Leão e de discussões pela ocupação de espaço no governo. A coluna buscou a veracidade e descobriu que não existe nada de concreto, só especulações.
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