domingo, 27 de setembro de 2026

Desemprego desaba, rendimentos desaceleram e emprego segue forte

Lauro Veiga Filhopor em
Desemprego desaba, rendimentos desaceleram e emprego segue forte

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) divulgada ontem, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o mercado de trabalho preserva certo vigor em meio à desaceleração mais ampla da atividade econômica, segundo sugerem indicadores macroeconômicos mais recentes e projeções de organismos oficiais e de consultorias a serviço do sistema financeiro. Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que tende a manter a política de arrocho ao crédito aplicada à economia há 12 meses, mais precisamente, desde a segunda metade de setembro do ano passado, a PNADC mostra alguma perda de ritmo para os rendimentos reais habitualmente recebidos pelos trabalhadores, mas com forte queda para o total de desempregados e crescimento persistente do emprego.

Numa tendência já em curso nos últimos trimestres, a taxa de desemprego cai upara seu nível mais baixo da série iniciada em 2012 pelo IBGE, caindo de 6,8% no trimestre encerrado em julho do ano passado para 5,6% em igual período deste ano. O número de trabalhadores desempregados literalmente desabou no trimestre investigado pelo pesquisa, baixando de 7,279 milhões no período de maio a julho do ano passado para 6,118 milhões, o que significou uma redução de 1,161 milhão no total de desocupados, num tombo de 16,0%. Foi também o número mais baixo desde que a história do desemprego passou a ser contado pela PNADC, versão mais atualizada da antiga PNAD.

Contradição aparente

Comparado ao trimestre imediatamente anterior, a pesquisa anota redução de 14,2% ou 1,013 milhão de desempregados a menos, considerando que naquele período, entre fevereiro e abril deste ano, haviam sido identificados 7,130 milhões de pessoas sem uma colocação no mercado. A taxa de desemprego então havia alcançado 6,6% – o que significa dizer que a desocupação foi reduzida em quase um ponto percentual nos três meses seguintes. Numa projeção que sugere alguma contradição em relação aos dados do IBGE para o mercado de trabalho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), já descontados fatores sazonais havia apontado redução de 1,0% para a atividade econômica no trimestre finalizado em julho deste ano na comparação com os três meses anteriores, embora indique elevação de 1,97% frente ao trimestre concluído em julho de 2024, depois de ter avançado 2,53% no segundo trimestre deste ano (igualmente em relação ao mesmo período do ano passado).

Balanço

  • Nitidamente, o mercado de trabalho tem se mostrado mais resiliente quando se considera a tendência mais geral de desaquecimento. Como hipótese, pode-se inferir que a desaceleração da atividade venha sendo determinada por setores que demanda proporcionalmente menor número de trabalhadores, já que o emprego tem mantido taxas positivas – ainda que ligeiramente menos positivas do que nos trimestres anteriores.
  • O dado mais concreto, apresentado pela PNADC, reafirma mais um recorde para o número de pessoas ocupadas no País, que atingiu 102,437 milhões no trimestre encerrado em julho deste ano, Na comparação com o trimestre móvel anterior, quando a pesquisa identificou 101,260 milhões de ocupados, houve um incremento de 1,2%, correspondendo a 1,176 milhão de vagas abertas no período.
  • A taxa de variação repete a mesmo observada entre maio e julho do ano passado, mas ficou moderadamente abaixo do avanço de 1,5% anotado no trimestre entre agosto e outubro do ano passado diante dos três meses imediatamente anteriores.
  • Em relação ao trimestre maio a julho de 2024, o total de ocupados experimentou crescimento de 2,4% com acréscimo de 2,356 milhões de ocupações em relação ao total de 100,081 milhões registrados há um ano. A variação, neste caso, ficou ligeiramente inferior à alta de 2,7% indicada pela edição de maio a julho do ano passado da PNADC, igualmente diante do mesmo trimestre de 2023. Em havido alguma desaceleração quando se compara com a alta de 3,4% registrada durante o trimestre móvel finalizado em outubro do ano passado frente a idêntico intervalo de 2023.
  • Na análise do emprego gerado por tipo de atividade econômica, mais de dois terços do crescimento da ocupação na passagem do trimestre fevereiro-abril para os três meses seguintes podem ser explicados pelas contratações ocorridas nos segmentos de informação, comunicação, atividade financeiras, imobiliárias e administrativas (22,11% do aumento observado) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais (contribuição de 44,38%).
  • O total de empregados avançou, respectivamente, de 12,786 milhões para 13,046 milhões, variando 2,0% (mais 260,0 mil ocupados), e de 18,409 milhões para 18,931 milhões, subindo 2,8% (mais 522,0 mil pessoas com algum tipo de ocupação).
  • Considerando-se o tipo de ocupação, a maior contribuição veio das pessoas ocupadas por conta própria, que avançaram de 25,445 milhões no trimestre fevereiro a abril deste ano para 25,938 milhões nos três meses seguintes, correspondendo a 492,0 mil ocupações a mais, numa alta de 1,9%. Pouco mais de 55% dessas novas ocupações, no entanto, tiveram como origem ocupações por conta própria sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que contribuíram para que o total de trabalhadores por conta própria quebrasse mais um recorde.
  • Na comparação com o trimestre finalizado em julho do ano passado, a indústria geral, informação e comunicação e administração pública responderam por algo em torno de 73,7% do aumento registrado para o total de ocupações. Com participação mais relevante, no período, o segmento de administração pública contratou 677,0 mil trabalhadores a mais e respondeu por quase 29% do aumento nas ocupações totais. O emprego no setor cresceu 3,7%, para 18,931 milhões.
  • A indústria observou alta de 4,6% no total de empregados, para 13,326 milhões, e contribuiu com quase um quarto no crescimento geral das ocupações. Os setores de informação e comunicação registraram 13,046 milhões de empregados no trimestre maio-julho deste ano, perto de 3,8% acima do nível registrado em igual trimestre do ano passado, equivalente a 480,0 mil ocupações a mais.

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