Desemprego em Goiás volta a dar sinais de avanço no 1º trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 14 de maio de 2022

O mercado de trabalho voltou a derrapar no primeiro trimestre deste ano em Goiás, com avanço simultaneamente tanto do total de pessoas ocupadas quanto do número de trabalhadores que perderam o emprego, levando a um ligeiro avanço da taxa de desocupação frente ao último trimestre do ano passado. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram criados em torno de 68,0 mil empregos na passagem do trimestre final de 2021 para os três primeiros meses deste ano. Como resultado, o contingente de pessoas ocupadas passou de 3,460 milhões para 3,528 milhões.
Mas a população desocupada aumentou igualmente, saindo de 332,0 mil para 343,0 mil, perto de 12,0 mil a mais, conforme a pesquisa, numa variação de 3,5% (frente a um incremento de 2,0% observado para o total de ocupações). O que explica esse paradoxo aparente? O número de vagas abertas em toda a economia goiana não foi suficiente para abrigar o número de novos trabalhadores que passaram a integrar a força de trabalho e começaram ou retomaram a procura por emprego. Os dados da pesquisa mostram que a população com 14 anos de idade ou mais avançou de 5,793 milhões no quarto trimestre do ano passado para 5,863 milhões no trimestre seguinte, com a entrada de 70,0 mil pessoas (numa elevação de 1,2%).
Adicionalmente, em torno de 9,0 mil trabalhadores que haviam deixado a força de trabalho nos trimestres anteriores como consequência da perda de emprego ou pela ausência de oportunidades de colocação decidiram retomar a procura por uma vaga, o que provocou uma ligeira redução no número de pessoas fora da força de trabalho, de 2,001 milhões para 1,992 milhão (-0,4%). Ou seja, em torno de 79,0 mil pessoas passaram a procurar algum tipo de colocação, ainda que nos mercados informais, dos quais 15,2% não tiveram sucesso e voltaram a engrossar a fila dos desempregados.

Faltam empregos
O total de pessoas fora da força de trabalho continua a responder por um percentual elevado do número de goianos com idade para trabalhar (14 anos ou mais), ligeiramente acima de 34,0% e um pouco abaixo dos 34,5% registrados no trimestre final de 2021. Em 12 meses, houve alguma melhora de fato, já que 36,6% das pessoas em idade de trabalhar estavam fora do mercado no primeiro trimestre de 2021. O comportamento do mercado goiano como um todo sugere que a economia ainda não teria engrenado crescimento em velocidade adequada para assegurar empregos em número suficiente para todos os que desejariam estar trabalhando, a despeito da recuperação empreendida ao menos até o final do ano passado.

Balanço

  • Uma das consequências dos movimentos observados no mercado de trabalho no Estado foi um ligeiro aumento da taxa de desemprego de 8,7% para 8,9% entre a quarto e o primeiro trimestres de 2021 e 2022, respectivamente. Evidentemente, a taxa é mais baixa do que os 13,9% anotados no trimestre inicial do ano passado e ainda não há evidências suficientes de que a modesta inversão observada no dado mais recente poderá se tornar uma tendência daqui em diante. De qualquer forma, os dados funcionam como um sinal de alerta, indicando dificuldades em algum nível para a recuperação do emprego.
  • Numa medida mais ampla, que considera o que se poderia classificar como “desemprego potencial”, a taxa continuaria ainda em dois dígitos. Somando aos desempregados o total de pessoas que trabalham número de horas insuficiente para assegurar a subsistência de suas famílias, os trabalhadores desalentados, que desistiram de procurar emprego, e aqueles que saíram do mercado, mas continuam dispostos a trabalhar, persiste um contingente próximo a 631,0 mil pessoas. O número corresponde a uma taxa de desemprego “ampliada” de 15,7%.
  • Aquele percentual, de toda forma, vem baixando, pois havia atingido 22,4% no primeiro trimestre do ano passado e chegou a recuar para 17,3% no quarto trimestre do mesmo ano.
  • Para complicar o cenário e ressaltar a fragilidade ainda persistente no setor, o total de trabalhadores informais, quer dizer, sem direito a férias, 13º salário, aposentadoria e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mantém-se elevado e não registrou alteração substancial na saída do último trimestre de 2021 para o primeiro deste ano, quando 1,404 milhão de trabalhadores estavam ainda na informalidade. Na metodologia definida pelo IBGE, isso corresponderia a uma virtual estabilidade diante de 1,417 milhão de informais registrados pela pesquisa no trimestre final do ano passado.
  • Comparado aos números do primeiro trimestre de 2021, quando 1,256 milhão de trabalhadores estavam na informalidade, houve um aumento de quase 11,8%. Isso correspondeu à entrada de 148,0 mil pessoas nessa categoria, praticamente 38% de todos os trabalhadores que conseguiram uma colocação no período. O total de ocupados entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano aumentou 12,4%, saindo de 3,137 milhões para 3,528 milhões (quer dizer, 390,0 mil a mais). A taxa de informalidade manteve-se quase inalterada, em torno de 40%.
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