Direita e esquerda correm atrás de nomes para Câmara e Senado
Poucas vezes na história do Congresso, dois partidos focaram em eleger o maior número de senadores e de deputados federais. Mas na era da polarização lulopetista contra bolsonaristas e vice e versa, o eixo político passou a sustentar essa contenda. No PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva coroa sua longeva carreira política com os louros dos deuses do Olimpo. Não é à toa que ele se apresenta como um iluminado a guiar os povos que “estão fora do orçamento público”. Mas não basta só vencer a eleição. Caso seja eleito, ele quer ter poder absoluto no Congresso, principalmente no Senado.
Do lado de seu principal oponente, o bolsonarismo, seja ele Flávio, o filho 03 do ex-presidente Jair, ou um outro nome que consiga aglutinar a direita, o objetivo é o mesmo. No entanto, o bolsonarismo trabalha, assim como o PT e associados, para formar uma grande bancada de senadores. A meta é ampliar de 15 atualmente para, no mínimo, 20 assentos no Senado em 4 de outubro. Na Câmara, das 91 cadeiras, a legenda trabalha para ocupar no mínimo 115.
Diante desse cenário de polarização entre esquerda e direita, essas metas do lulopetismo e bolsonarismo vão depender muito do desempenho dos candidatos Lula e o da direita, possivelmente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por enquanto, o esforço de Lula para turbinar sua vantagem na intenção de votos não garante uma eleição tipo “pode encomendar um terno novo”. Ao tomar como base as últimas pesquisas de intenção de votos, somados, os votos de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Jr. (PSD), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil) superam os de Lula. Outro ponto vulnerável do petista é o número de eleitores que aprovam sua gestão.
Agenda de governança e política
Enquanto os adversários não colocam os blocos nas ruas, o vice-governador e pré-candidato à cadeira principal do Palácio das Esmeraldas, Daniel Vilela (MDB), cumpre agenda administrativa e política. Nesta segunda-feira (20), ele participou em Aparecida da abertura do ano letivo no Colégio José Bonifácio da Silva, que recebeu investimento de R$ 5,6 milhões do governo estadual.
Tempo esgotado
O estrategista em campanhas políticas e especialista em comportamento humano e Inteligência Artificial (IA), Marcelo Senise, disse à coluna que o prazo para que o Congresso aprovasse uma legislação que pudesse proteger as eleições de 2026 contra o abuso e uso criminoso da IA se esgotou. “Essa omissão empurra o Brasil, de forma irrevogável, para o processo eleitoral mais complexo e tecnologicamente volátil da história republicana.” Com a omissão do Legislativo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lidera uma operação de controle de danos.
Expectativa eleitoral
Alexandre de Moraes autorizou para quinta-feira (22) a visita de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Jair Bolsonaro (PL). O encontro deve ocorre em meio às articulações do Centrão e da Faria Lima em torno de uma possível composição presidencial, seja para apoiar Flávio ou ungir Tarcísio candidato (Leia a análise de Nilson Gomes na página 7).
Ajuda, mas nem tanto
O portal da Confederação Nacional de Municípios (CNM) informa que as prefeituras brasileiras recebem nesta terça-feira (20) o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) referente ao segundo decêndio de janeiro. O valor líquido creditado é de R$ 2,6 bilhões, já descontada a retenção destinada ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Considerando os valores brutos, o montante chega a R$ 3,29 bilhões. O recurso ajuda, mas não resolve as inúmeras demandas dos municípios, que cada vez mais recebem atribuições.
Esquerda em alerta – O avanço da direita pelo mundo afora, em especial na América Latina, coloca os apoiadores de Lula em estado de alerta. Vários países alinham o discurso ao de Donald Trump, mas no Brasil a direita ainda bate cabeça.