Dois recados
A rejeição ao nome do jovem advogado Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi amparada em dois duros recados do Senado: aos Poderes Executivo e Legislativo. Ao fim da noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entendeu que não adianta empurrar um nome sem debater com os senadores, que, constitucionalmente, dão a palavra final.
Na outra ponta, o Senado mostrou à composição atual do STF que nenhum ministro mais está seguro na poltrona. Pesou muito, nos bastidores, o fato de o decano Gilmar Mendes sair aos holofotes nesta semana pregando a revisão das emendas impositivas e o fim da ingerência partidária nas agências reguladoras — cujos indicados passam pelo Senado.
Destaque para o discurso duro do senador Hamilton Mourão (Rep-RS) na sabatina na CCJ, no qual lembrou, em outras palavras, que o Supremo não pode ser um “puxadinho” das vontades de um presidente ou partido.
Tudo errado
O dia B, de “Bessias”, tinha tudo para dar errado. Indicado por um presidente em baixa popular histórica, com um governo desgastado, e uma madrinha, Dilma Rousseff, que saiu da China para comemorar a suposta aprovação — cuja maioria do Congresso nunca engoliu.
O AGU Jorge Messias apanhou igual a lutador magrelo em arena de UFC. Dois banquetes, em mansão e restaurante do Lago, foram cancelados na noite de quarta-feira.
Os Insaciáveis
O grupo Prerrogativas, formado por advogados e juristas em sua maioria progressistas, reivindica no Palácio o Ministério da Justiça para o AGU Jorge Messias como prêmio de consolo.
Este é o mesmo grupo que “ganhou” os Correios na camaradagem lulista após defender sua liberdade na Operação Lava Jato. Também atua para derrubar no STF a decisão que resultou na derrota de Messias no Senado.
Na contramão
Questionada pelo Tribunal de Contas de Rondônia sobre o transporte escolar, a Prefeitura de Cacoal reconheceu em ofício que quase metade de sua frota — 40 de 82 veículos — não passou por vistoria, o que coloca alunos em situação de risco. Outros oito veículos estão parados.
Circulam nas redes imagens de ônibus sucateados e vídeos de crianças em situação de desespero. Até abril, a prefeitura era comandada por Adaílton Fúria, pré-candidato do PSD ao governo estadual.
Balelômetro
A coluna lança hoje o “Balelômetro”, voltado a qualquer nível de governo — municipal, estadual ou federal — para que leitores também possam questionar promessas.
No âmbito federal, já se observa um pacote de medidas com potencial impacto eleitoral para outubro. Entre elas, a suspensão de multas do pedágio free flow pela Senatran e a promessa de fim da escala de trabalho 6×1 — proposta que encontra resistência no Congresso.
Seguro do dinheiro
Até os bancos, mesmo com lucros trimestrais bilionários, demonstram cautela. O uso de seguros para gestão de capital cresceu mais de dez vezes entre 2020 e 2024, segundo relatório da corretora Howden.
O estudo aponta que o volume de operações de transferência significativa de risco estruturadas, com suporte de seguro, passou de cerca de €500 milhões em 2020 para €6 bilhões em 2024 — aproximadamente R$ 36 bilhões.