E se Galípolo não quiser mentir? E se Vorcaro delatar? E se a PF…
Sem o poder das ruas, tão odiadas pelo Supremo Tribunal Federal, seus 11 ministros podem assinar o que quiserem, não haverá quem cumpra. Estão calados quanto ao caso do Banco Master, que até agora envolveu Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Se continuarem assim, destruirão o prestígio do Judiciário com a sociedade. Sem ela, lei é letra morta.
Toffoli viajou num jatinho de empresário, ao lado de um advogado do Master. Viu o Palmeiras perder para o Flamengo a decisão da Copa Libertadores em Lima, no Peru. Segundo o ministro, nada foi conversado sobre o banco. Dias depois, surge o contrato de R$ 129 milhões da mulher de Moraes com o Master. Ainda não foram desmentidas a existência nem a quantia. Moraes emitiu três notas. Pioraram o que já era péssimo. Não é que a estratégia esteja frágil, é que os elementos de prova se mostram fortes. Antes de elaborarem a defesa, precisam ser comedidos, pois não se sabe o que vem por aí.
Talvez esteja em curso uma delação premiada de Daniel Vorcaro, que continua solto, mesmo tendo tentado enfiar numa entidade pública R$ 12 bilhões em títulos falsos. Talvez o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não seja dado a mentiras ou ao escamoteamento. E se resolver nominar as autoridades que lhe pediram para livrar a cara e o banco de Vorcaro? E se o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, contar se alguém tentou impedir a operação que resultou em Vorcaro preso e seu banco liquidado?
Fim de ano, muita gente bebendo e falando mais do que a língua. Aguardando.