Economia goiana cresce 4,4% em 2025, aponta BC. Centro-Oeste avança 5,3%

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 23 de maio de 2026

Puxada principalmente pelo desempenho da agropecuária, a economia de Goiás teria registrado crescimento de 4,4% no ano passado, segundo dados do Boletim Regional do Banco Central (BC). A projeção considera o comportamento do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) desenvolvido pelo BC como uma aproximação da tendência projetada para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados a partir de uma série de indicadores sobre agricultura, pecuária, comércio, serviços, indústria, mercado de trabalho e renda, setor externo e crédito. O PIB do Centro-Oeste, nessa previsão, teria crescido em torno de 5,3%, sob influência de Mato Grosso, com previsão de alta na faixa de 7,4%.

A se confirmarem as projeções elaboradas pela autoridade monetária, o PIB goiano teria completado em 2025 o quarto ano consecutivo de crescimento abaixo da média observada para a região Centro-Oeste como um todo. Nos dados trabalhados pelo BC, a economia goiana foi menos sacrificada, proporcionalmente, no primeiro ano da pandemia ao recuar 0,8% na passagem de 2019 para 2020, diante de perdas de 3,3% para o PIB brasileiro e de 1,2% no caso do Centro-Oeste. A resiliência aparente revelado pelo PIB goiano estaria relacionada ao avanço do valor da produção da agricultura, contrabalançado por queda na pecuária, com alta ainda para a produção industrial e quedas em serviços e no varejo ampliado.

Em 2021, toda a economia experimentou recuperação, até por conta dos níveis muito achatados pela pandemia e pelas medidas de distanciamento social em vigor. Na média, a economia brasileira cresceu 4,8%, com taxa mais moderada para o Centro-Oeste, numa variação de 2,5%, enquanto Goiás registrava variação de 3,2%. Nos quatro anos seguintes, o crescimento goiana ficou sistematicamente abaixo da variação média observada para a economia da região. Na sequência, o IBCR de Goiás avançou 4,5%, 6,5% e 2,9% em 2022, 2023 e 2024. No Centro-Oeste, seguindo a mesma ordem, as taxas alcançaram 5,8%, 6,8% e 3,0% (taxa mais próxima, no período, da variação de 2,9% observada para Goiás também em 2024).

 

Acima da média

Na comparação com o resto do País, de toda forma, à exceção de 2024, o crescimento goiano tem superado a média desde 2022, em grande medida por conta do comportamento da agropecuária, mas também com ajuda da produção industrial, que tem demonstrado maior capacidade de reação em Goiás. Ano a ano, as taxas brasileiras atingiram 3,0% em 2022 (4,5% em Goiás), 3,2% em 2023 (6,5% no Estado) e 2,3% em 2025 (4,4% para o PB goiano). Para 2024, o País cresceu 3,4% frente a 2,9% no Estado. Numa ressalva necessária, os dados para os Estados correspondem a aproximações com base em indicadores do nível de atividade nos principais setores, sujeitas a acertos e erros como qualquer estimativa, e nem sempre refletindo o desempenho observado no lado real da economia.

 

Balanço

Nas projeções do BC, o desempenho da economia goiana no ano passado foi impulsionado pelo salto de 15,4% registrado pelo valor da produção da agricultura, com alta ainda de 6,4% na pecuária, sempre em relação a 2024. No varejo ampliado, os volumes vendidos recuaram 0,3%, mas a produção industrial cresceu 2,4% (acima da média brasileira, que mostrou variação de apenas 0,6%), com avanço ainda de 2,6% para o nível de atividade no setor de serviços, que havia sofrido baixa de 1,1% em 2024.

Os indicadores do mercado de trabalho, a exemplo das tendências observadas em todo o País, mostraram igualmente melhoras no ano passado. A taxa de desocupação baixou de 5,4% para 4,6% na média de 2024 e 2025, respectivamente, bem abaixo do desemprego médio no País, na faixa de 5,6%. Mas ficou acima da média do Centro-Oeste, que caiu de 5,3% para 4,4% de 2024 para 2025.

O crescimento no total de pessoas ocupadas, no entanto, foi bem mais modesta em Goiás, com certo desaquecimento na passagem de 2024 para 2025 – tendência, de resto, observada para quase todo o mercado de trabalho no País. O número de ocupados saiu de uma alta de 7,2% em 2023 para 0,7% no ano seguinte, passando a anotar variação de 0,4% no ano passado.

Para comparação, o avanço no Centro-Oeste e no País, saindo de 2024 para 2025, alcançou 1,7% nos dois casos. No mercado brasileiro de trabalho, a ocupação havia crescido 2,6% em 2024. Mas o Centro-Oeste experimentou leve aceleração quando considerada a variação de 1,2% observada na comparação entre 2023 e 2024.

Numa tendência que igualmente parece ser comum a todas as regiões, o crescimento da ocupação foi liderado pelo aumento do emprego formal, que cresceu 3,4% em Goiás – mesma taxa anotada por todo o Centro-Oeste e moderadamente acima da alta de 3,2% acumulada no ano passado em todo o País.

Os rendimentos reais habitualmente pagos aos trabalhadores, assim como a massa total de rendimentos reais, cresceram acima da média brasileira em Goiás e no Centro-Oeste. Os rendimentos subiram 9,5% em toda a região e 9,0% no Estado, frente a um incremento de 5,7% na média brasileira. A massa de rendimentos registrou altas de 7,5% em todo o País, atingindo 11,6% no Centro-Oeste e de 9,5% no Estado.

No diagnóstico do BC, “assim como em 2023, o Centro-Oeste voltou a liderar o crescimento regional em 2025, impulsionado pelo forte desempenho da agropecuária. O crescimento do IBCR em 2025 acelerou para 5,0% na região, após alta de 2,7% em 2024. A alta na agropecuária, com peso de 17,7% no indicador, refletiu o avanço na produção agrícola, que também influenciou os fortes desempenhos do IBCR das unidades federativas da região, principalmente Mato Grosso. Contribuiu ainda para o crescimento o avanço disseminado do setor de serviços e, em Goiás, a alta da indústria de transformação”.

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