Economia goiana volta a tropeçar e sinaliza um final de ano em baixa

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 17 de novembro de 2021

A atividade econômica começou tropeçando no último mês do terceiro trimestre do ano, sinalizando dificuldades para o período e resultados aquém dos esperados no fechamento de 2021. Os números mais recentes, divulgados ao longo da semana que passou pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, mostram quedas para as vendas, para a produção industrial e para os serviços em setembro e desaceleração para as exportações em outubro, com déficit mensal na balança comercial.

A tendência de enfraquecimento da atividade econômica, em um momento em que a pandemia parece recuar por força do avanço da vacinação, pode ser explicada principalmente pela alta da inflação, que tem contribuído fortemente para corroer a capacidade de consumo das famílias, pelo desemprego ainda muito alto, pelo crescimento da informalidade, pela retomada dos juros, encarecendo o crédito (que poderia operar como alternativa para desafogar a demanda) e, não menos relevante, pelo turbilhão de incertezas e insegurança causado dia sim e outro também pelo desgoverno de Brasília e ainda pela inação e incompetência gerencial do ministro dos mercados.

A combinação entre má gestão, estupidez e oportunismo ajuda a piorar o cenário, tornando os mercados mais instáveis, especialmente no caso do dólar. Obviamente, a economia local não poderia atravessar intocada toda a série de dificuldades que atinge o País. Os dados de setembro sugerem resultados inferiores aos esperados inicialmente para o trimestre final do ano, indicando até o momento um desaquecimento frente aos meses anteriores. A produção industrial sofreu a segunda baixa consecutiva em setembro, numa redução de 2,3% frente a agosto, quando já havia recuado 0,5%.

Indústria mais magra

Em relação a setembro do ano passado, o tombo chegou a 8,2%, o que marcou uma sequência de seis meses sem crescimento. Na verdade, nos primeiros noves meses deste ano, a indústria registrou sete meses de retração, um de estagnação e apenas um mísero mês com números melhores do que em 2020. Entre maio e setembro, a produção na indústria goiana encolheu praticamente 4,0% e o setor passou a anotar perdas de 10,3% em relação ao seu melhor momento na série histórica do IBGE, alcançado em novembro de 2019. Como consequência, a produção não conseguiu retomar os níveis verificados em fevereiro de 2020, acumulando queda de 4,9% desde lá. No acumulado entre janeiro e setembro deste ano, frente ao mesmo período do ano passado, a indústria goiana produziu 4,4% a menos (depois de avançar 4,0% entre os mesmos nove meses de 2020 e idêntico intervalo de 2019). Nos 12 meses finalizados em setembro deste ano, o setor caiu 4,7%.

Balanço

  • Ainda considerando os nove meses iniciais deste ano e o mesmo período de 2020, os destaques mais negativos ficaram por conta dos setores mais próximos do consumidor final, como as indústrias de alimentos e de medicamentos, que acumulavam, até setembro, perdas de 5,8% e de nada menos do que 29,6%. A produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), segundo setor mais importante na estrutura industrial, experimentou baixa de 5,2%. O salto de 94,3% acumulado pela indústria de veículos está ainda muito mais relacionado aos números muito ruins registrados no ano passado.
  • As vendas do varejo restrito caíram 1,9% entre agosto e setembro, no segundo mês com sinal negativo, com elevação de 1,0% para o varejo ampliado (que inclui concessionárias de veículos e motos e lojas de autopeças e materiais de construção). Deve-se recordar que o comércio varejista em seu conceito mais amplo havia sofrido perda de 3,1% de julho para agosto. No caso do varejo mais convencional, as lojas já haviam anotado tombo de 6,3% em agosto.
  • O avanço acumulado no ano, que havia alcançado 4,6% ao final de julho, encolheu para uma taxa de 1,8% em setembro (frente aos mesmos nove meses de 2020), no caso do varejo tradicional. O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo puxou o desempenho de todo o setor para baixo ao registrar perdas de 10,1% (nitidamente num reflexo dos preços mais altos).
  • As vendas de móveis e eletrodomésticos, que dependem não só da renda, mas do custo e da oferta de crédito, vêm caindo mês a mês, despencando 26,6% em agosto e 24,9% em setembro, passando a registrar perda de 4,2% em nove meses (lembrando que o número estava positivo em 4,3% ao final dos sete primeiros meses deste ano). O varejo mais amplo aponta dados mais positivos, mais uma vez em função dos números muito ruins registrados no ano passado, com avanço de 13,1% no acumulado do ano (resultado dos aumentos de 38,9% para veículos, motos e peças, e de 8,6% para materiais de construção.
  • Nos dois casos, os volumes vendidos estão muito abaixo das melhores marcas já registradas na série estatística do IBGE. A varejo amplo ainda encontrava-se, em setembro deste ano, 24,6% abaixo de agosto de 2012. No caso do varejo restrito, o volume vendido despencou 31,0% na comparação com maio de 2014.
  • O nível de atividade no setor de serviços em Goiás havia caído 2,2% em julho, avançou 2,1% em agosto e caiu 2,2% em setembro. Como o distanciamento social em 2020 havia provocado o fechamento bares, restaurantes, boates, clubes, hotéis e de outras atividades e empresas do setor, as taxas deste ano, com a liberalização quase integral dos serviços, têm sido muito mais elevadas. Mas mostram desaceleração na medida em que a base para comparação vai se tornando mais elevada. O crescimento saiu de 19,6% em julho pra 10,8% em setembro, sempre em relação a igual mês do ano passado. Em nove meses, persiste uma alta de 14,5%.
  • O setor de serviços em Goiás continua a superar, em setembro, os níveis registrados em fevereiro do ano passado em 9,3%. Olhando os indicadores dessazonalizados do IBGE, no entanto, não parece ser grande coisa, já que o volume de serviços consumido em fevereiro do ano passado estava 22,6% abaixo da média de 2014, antes da recessão. Foi em fevereiro daquele ano que o setor registrou seu melhor desempenho, murchando quase 20% até setembro deste ano.
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