Coluna

Efeitos de acordo trabalhista, impostos e provisões derrubam lucro da Saneago

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 16 de agosto de 2019

O
salto nas provisões para fazer frente a contingências e perdas, especialmente
para cobrir gastos com o programa de demissão voluntária, os efeitos do acerto
trabalhista com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado
de Goiás (Stiueg), estimados em R$ 10,0 milhões, e o aumento nos valores
desembolsados para o pagamento de impostos diferidos derrubaram o lucro da Saneamento
de Goiás S.A. (Saneago) ao longo da primeira metade do ano. A companhia, de
qualquer forma, conseguiu reduzir sua dívida líquida, registrou sensível
melhoria em sua classificação de risco e conseguiu excluir ressalva até então
apontada pelos auditores independentes em seu balanço, o que tenderá a
facilitar a captação de recursos no mercado.

No
segundo trimestre deste ano, a Saneago anotou um resultado líquido de R$ 26,945
milhões, em queda de 36,5% na comparação com igual período do ano passado,
quando havia lucrado R$ 42,431 milhões. Como já havia sido registrado queda de
praticamente 32% no primeiro trimestre, o lucro líquido encerrou o primeiro
semestre deste ano em baixa de 34,3% na comparação com os seis primeiros meses
de 2018, saindo de R$ 84,430 milhões para R$ 55,509 milhões. O acerto de
impostos e contribuições diferidas resultou no desembolso de R$ 11,284 milhões
no semestre, frente a R$ 5,461 milhões nos mesmos seis meses de 2018 – uma alta
de 106,6%.

O
resultado foi afetado pesadamente pelo salto de 213,9% nas provisões, que
subiram de R$ 25,804 milhões para R$ 80,991 milhões, influenciado pela inclusão
de R$ 35,079 milhões para enfrentar gastos futuros com o programa de demissão
voluntária. Da mesma forma, as provisões para contingências trabalhistas e
tributárias cresceram mais de oito vezes entre junho do ano passado e igual mês
deste ano, avançando de R$ 2,885 milhões para R$ 26,722 milhões. O valor inclui
o recálculo de ações trabalhistas movidas pelo Stiueg, de R$ 2,460 milhões para
R$ 21,347 milhões, e ainda provisão para ação de caráter tributário movida pelo
município de Santo Antônio do Descoberto, estimada em R$ 11,652 milhões.

Investimentos

Considerando
apenas os sistemas de água e esgoto, os investimentos da Saneago apresentaram
variação de apenas 1,02% no segundo trimestre, avançando de R$ 50,5 milhões
para R$ 51,016 milhões. As redes de abastecimento e distribuição de água
tiveram investimentos ampliados em 16,4% no período, mas a coleta e tratamento
de esgoto sofreram corte de 14,42% (de R$ 25,199 milhões para R$ 21,566
milhões. No semestre, registrou-se elevação de 6,08% (explicada pela alta de
14,6% registrada no primeiro trimestre), sempre na comparação com o mesmo
período do ano passado. No acumulado dos primeiros seis meses de cada ano, o
investimento em água e esgoto cresceu de R$ 80,339 milhões para R$ 85,221
milhões (com aumento de 9,57% nos sistemas de água e de quase 2,0% para
esgotos).

Balanço

·  
Considerando
os demais setores da companhia, o investimento total desabou 34% no segundo
trimestre (de R$ 84,898 milhões para R$ 56,058 milhões) e 20,0% no semestre
(encolhendo de R$ 116,193 milhões para R$ 92,948 milhões). O motivo foi um
tombo de 78,45% nos investimentos em outras áreas, o que se explica
parcialmente pela contratação, em junho do ano passado, do novo sistema
integrado de gestão SAP, a um custo aproximado de R$ 20,0 milhões. Excluída
essa despesa, a queda em outros investimentos teria sido de 51,3%.

·  
Entre
dezembro de 2018 e junho de 2019, a dívida líquida da companhia recuou 8,88%,
caindo de R$ 921,711 milhões para R$ 839,869 milhões, correspondendo a 2,82
vezes o resultado ajustado antes de despesas financeiras, impostos, depreciação
e amortizações (Ebitda).

·  
No
início de agosto deste ano, a empresa de classificação de risco Fitch melhorou
a avaliação corporativa da Saneago, que evoluiu de BBB+ para A- (o que
significa um nível de risco mais baixo do que anterior, favorecendo, por
exemplo, operações de captação de recursos no mercado).

·  
Na
avaliação da consultoria, “a elevação dos ratings (classificação de risco) reflete
a visão da Fitch de que a empresa será capaz de elevar a rentabilidade de seu
negócio de saneamento básico, trazendo sua margem de Ebitda para o patamar de
25% a partir de 2020, com captura de eficiência operacional proveniente dos
esforços para controle de custos, aumento da produtividade e crescimento
gradual dos volumes faturados”.

A avaliação, prossegue a Fitch,“também incorpora
a expectativa de manutenção de baixa a moderada alavancagem financeira (dívida
sobre capital) e de satisfatória flexibilidade financeira, o que é importante
para reduzir os riscos de refinanciamento e suportar o aumento esperado dos
investimentos e o fluxo de caixa livre negativo nos próximos três anos”. 

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