terça-feira, 29 de setembro de 2026

Em baixa, indústria goiana acumula perdas de 10,3% desde dezembro

Lauro Veiga Filhopor em
Em baixa, indústria goiana acumula perdas de 10,3% desde dezembro
Foto: Reprodução/Canva

A indústria goiana havia alcançado seu melhor momento na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro passado, mas não conseguiu sustentar o mesmo ritmo nos meses seguintes. Os dados dessazonalizados, que excluem fatores e eventos que sempre ocorrem em iguais períodos ano após ano, mostram um comportamento titubeante da produção industrial no Estado entre janeiro e agosto, dado mais recente divulgado pelo instituto. Nesse tipo de comparação, que toma como base o mês imediatamente anterior, o setor chegou a anotar resultados positivos apenas em maio e julho, com elevações respectivamente de 0,9% e de 0,8%.

Houve perdas em todos os outros seis meses, com redução de 4,0% em junho, a mais intensa do período, e recuo de 0,4% em agosto, na edição mais recente da pesquisa mensal sobre a produção industrial regional, o que significou devolver praticamente metade do crescimento de 0,8% anotado em julho. Como resultado, o volume produzido pelo setor industrial goiano em agosto deste ano encolheu 10,3% em relação a dezembro do ano passado.

A comparação com idêntico período do ano passado chegou a mostrar forte incremento nos meses de janeiro a maio, com saltos, num exemplo, de 12,8% e de 13,1% em janeiro e fevereiro frente aos mesmos dois meses de 2023. A produção ainda cresceria 6,5% em março, acelerando seu ritmo em abril, quando avançou 10,7% sobre abril do ano passado, e atingindo variação de 8,1% em maio. Até ali, a indústria goiana contabilizava 13 meses consecutivos de números positivos em relação aos mesmos meses do ano imediatamente anterior. O ciclo parece ter sido interrompido e desde junho os números passaram a ser negativos, com queda de 1,5% em junho, recuo de 0,8% em julho e um tombo de 2,8% em agosto.

Perda de vigor

O crescimento acumulado no ano, que havia atingido 7,5% ao final do primeiro semestre, havia se limitado a 6,0% até julho e, agora em agosto, desacelerou para uma taxa próxima de 4,5%. A mesma tendência surge na comparação acumulada em 12 meses. Entre julho de 2023 e junho deste ano, a produção da indústria goiana apontava um salto de 9,3%. No período entre setembro do ano passado e agosto deste ano, comparado aos 12 meses imediatamente anteriores, a velocidade de crescimento da indústria foi reduzida para 7,6%. De toda forma, trata-se de uma taxa ainda superior ao avanço de 6,0% registrado ao longo dos 12 meses do ano passado. O desempenho mais recente, no entanto, considerando a evolução mês a mês (ou “na ponta”, para recorrer a um jargão do setor econômico) aponta nítida perda de fôlego da produção, com perdas em agosto para as indústrias de alimentos, bebidas, vestuário, produtos químicos e metalurgia, sugerindo a possibilidade de números menos favoráveis no restante do segundo semestre.

Balanço

  • Em agosto, praticamente 54% dos ramos industriais acompanhados pelo IBGE no Estado, ou seja, sete entre 13 segmentos, produziram menos do que no mesmo mês de 2023. A maior influência negativa veio da indústria de produtos alimentícios, que teve a produção reduzida em 6,2% diante de agosto do ano passado.
  • O acompanhamento realizado pelo IBGE explica o resultado negativo naquela área como decorrência da menor produção de óleo de soja refinado, carne bovina fresca ou resfriada, maionese, farelo de soja e outros resíduos de seu processamento, além de açúcar demerara em bruto.
  • A redução na produção de fertilizantes e adubos derrubou a indústria de produtos químicos em agosto, determinando uma redução de 12,0% em relação ao mesmo mês de 2023, mais do que devolvendo toda a alta de 9,4% anotada em julho. Esse desempenho fez encolher o avanço acumulado no ano de 13,4% até junho para 7,9% nos oito primeiros meses de 2024 comparados a igual intervalo do ano passado.
  • A terceira principal influência negativa no mês veio do segmento de metalurgia, afetado pelo desempenho ruim da produção de ferroníquel, ouro em suas formas brutas não destinadas ao mercado financeiro e ferronióbio. Com a redução de 21,3% em agosto, o setor metalúrgico chegou ao quinto mês consecutivo de baixas, lembrando que a produção no setor já havia sofrido baixa severa em julho, num tombo de 16,6%. No ano, a metalurgia retrocedeu 6,2%.
  • Bebidas, celulose, papel e produtos de papel, vestuário e a indústria extrativa, na mesma linha, viram a produção recuar, pela ordem, 1,4%, 2,3%, 7,8% e 12,6%.
  • As perdas foram compensadas, ao menos parcialmente, pelo avanço vigoroso da produção de veículos e, de forma mais modesta, na área de derivados do petróleo e biocombustíveis. As montadoras de veículos instaladas em Goiás vêm apresentando saltos mensais, com altas de 74,5% em junho, mais 69,7% em julho e, agora em agosto, mais 57,1%. A indústria do setor passou a acumular incremento de 72,4% nos primeiros oito meses deste ano.
  • Em parte, a alta pode ser atribuída a uma base de comparação bastante achatada, resultados de perdas em sequência ocorridas entre julho de 2022 e agosto do ano passado. A queda na produção ao longo daqueles 14 meses esteve numa faixa situada, em boa parte do período, acima dos 20% mensais. Entre janeiro e agosto do ano passado, a produção havia acumulado retração de 22,1% e encolheu 25,4% no período de 12 meses terminado em agosto de 2023. O ritmo de alta tende a ser menor em setembro, considerando o salto de 42,4% registrado no mesmo mês do ano passado, comparado a setembro de 2022.
  • A produção de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, que havia recuado 1,0% em julho (depois de saltar 11,9% em junho), anotou crescimento de 5,3% em agosto. No acumulado deste ano, a produção do setor avançou 6,0%. Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de etanol e biodiesel, na soma dos dois setores, cresceu de 4,228 bilhões para 4,537 bilhões de litros entre os primeiros oito meses do ano passado e igual período deste ano, com elevação de 7,31%. Em agosto especificamente, a produção havia crescido 4,22%, saindo de 949,633 milhões para 989,707 milhões de litros.

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