Em desaceleração, consultas ao BNDES sofrem baixa de 17,5% no 3º trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 18 de novembro de 2021

Até o final do primeiro do ano, as consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encaminhadas por empresas instaladas ou com planos de investimento para o Estado chegaram a experimentar salto nominal de 65,8% em relação à primeira metade do ano passado. Ao final do terceiro trimestre deste ano, a velocidade de crescimento havia perdido força, mas ainda sustentava tendência inversa àquela observada para o restante do País, com taxas muito positivas. Em valores não atualizados, as consultas endereçadas ao banco de fomento em Goiás atingiram R$ 3,697 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, saindo de R$ 2,876 bilhões em igual período do ano passado, numa variação de 28,5%.

O desaquecimento refletiu a queda nominal de 9,4% no valor das consultas realizadas no terceiro trimestre deste ano no Estado, encolhendo de R$ 1,425 bilhão entre julho e setembro do ano passado para R$ 1,291 bilhão, numa perda real de 17,5%, em valores atualizados com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado em todo o País, novamente na contramão de Goiás, mas com sentido inverso, expressou alguma melhoria no total das consultas, que avançaram de R$ 43,934 bilhões no terceiro trimestre do ano passado para R$ 47,958 bilhões em igual intervalo deste ano, numa elevação de 9,2% depois de descontado o IPCA.

No caso goiano, as consultas foram lideradas pelo setor de comércio e serviços, paradoxalmente um dos mais afetados pelas medidas de distanciamento sociais adotadas no ano passado, mas que já vinha experimentando baixa na intenção de investimentos desde 2015, em termos nominais. As consultas nesta área atingiram o fundo do poço em 2019, quando o valor dos pedidos de financiamento ao BNDES havia desabado para R$ 146,0 milhões, o mais baixo em 13 anos.

Na liderança

No ano passado, em meio à crise sanitária, o setor encaminhou propostas no valor de R$ 681,0 milhões entre janeiro e setembro, expressando um salto de 368% frente aos sete primeiros meses do ano anterior. No mesmo intervalo deste ano, com as consultas subindo para R$ 1,469 bilhão, quase 40,0% do total apresentado ao banco pelas empresas instaladas no Estado, registrou-se alta de 115,7%. O setor sozinho respondeu por 96% do aumento observado para o total das consultas. Numa avaliação de mais longo prazo, os valores observados agora aproximam-se das consultas registradas nos mesmos nove meses de 2013, corrigidas pelo IPCA, permanecendo leve recuo de 1,4% em termos reais.

Balanço

  • No setor de infraestrutura, o salto de 97,1% nas consultas entre os primeiros nove meses deste ano e igual período do ano passado foi puxado exclusivamente pelo segmento de energia elétrica, num desempenho supostamente influenciado pelos planos de investimento da principal distribuidora de energia do Estado. A alta ganha maior expressão em função dos valores muito reduzidos em 2020, qualquer coisa na faixa de R$ 41,0 milhões, segundos dados arredondados pelo BNDES. Entre janeiro e setembro deste ano, as consultas na área de energia elétrica alcançaram R$ 304,0 milhões, subindo 641%.
  • Na verdade, as consultas saíram de seu pior momento em pouco mais de duas décadas, registrado em 2019, com míseros R$ 300,0 mil registrados entre janeiro e setembro, ainda na área da energia. Mesmo assim, os números deste ano, até setembro, representam menos de 20% de quase R$ 1,549 bilhão anotados nos mesmos nove meses de 2007, em valores não atualizados pelo IPCA.
  • Confirmando o mau momento para o setor, a indústria cortou suas propostas de financiamento quase pela metade neste ano, já que as consultas despencaram de R$ 979,0 milhões entre janeiro e setembro de 2020 para R$ 520,0 milhões neste ano, num tombo de 47%. Foi o menor valor par ao período desde 2014, em valores nominais, e correspondeu ainda a menos de 16% dos R$ 3,279 bilhões anotados nos nove meses iniciais de 2008.
  • A queda foi mais pronunciada do que aparenta quando se considera que as consultas na indústria química e petroquímica (na verdade, usinas de etanol e biodiesel, no caso goiano) dispararam de apenas R$ 4,0 milhões nos nove primeiros meses de 2020 para R$ 419,0 milhões neste ano, representando praticamente 80,6% das consultas totais feitas pelo conjunto das indústrias. Se excluído o setor, a queda para o restante da indústria aproxima-se de 90,0% (na ponta do lápis, uma retração de quase 89,6% entre um ano e o seguinte).
  • O setor agropecuário confirma sua resiliência em meio à crise e à espiral inflacionária, com alta de 26,2% no total das consultas entre 2020 e este ano, sempre nos mesmos nove meses analisados neste espaço. Em valores não corrigidos, as consultas encaminhadas pelo setor ao BNDES avançaram de R$ 973,0 milhões para R$ 1,228 bilhão. Em números não atualizados pelo IPCA, foi o maior valor desde 2000 pelo menos. Mas, em termos reais, ficou quase 11,0% mais baixo do que as consultas realizadas entre janeiro e setembro de 2004, que haviam atingido perto de R$ 1,415 bilhão (já atualizados pela inflação).
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