Em meio à guerra, elevar juros agora seria um erro monumental
A mudança radical no cenário geopolítico pode de fato afetar negativamente as tendências até recentemente desenhadas para os preços em geral na economia brasileira em 2026, assim como as expectativas inflacionárias daqui para frente. A extensão desses impactos, no entanto, dependerá da intensidade, duração e desdobramentos da guerra que Israel e Estados Unidos decidiram promover contra o Irã desde 28 de fevereiro último, um sábado.
Em tempos assim, a irracionalidade tende a predominar, como parecem demonstrar a movimentação meramente especulativa observada nos últimos dias no mercado de combustíveis, com revendedores, transportadores e distribuidoras escamoteando estoques à espera de eventuais reajustes determinados pela Petrobrás, causando o encarecimento dos preços nas bombas, principalmente no caso do diesel. Cabe à equipe econômica preservar a racionalidade, combater a especulação, com a colaboração dos órgãos de defesa do consumidor, assim como, além de tudo, evitar decisões precipitadas e na direção equivocada.
A manutenção da política de arrocho ao crédito, recuando da intenção já antecipada de iniciar um modesto processo de redução do custo do dinheiro, ou, mais grave, a decisão de aumentar ainda mais a taxa básica de juros, atualmente em exorbitantes 15,0% ao ano, num exemplo, seria desastroso e, novamente, um equívoco.
Como parece evidente, as pressões altistas esperadas a partir do conflito, com a escalada dos preços do petróleo, não serão contornadas por medidas domésticas, já que independem do poder de decisão da equipe econômica e, mais ainda, tendem a refluir mais à frente quando e se os conflitos começarem a perder força. Nitidamente, um cenário de refluxo dos combates ainda não está colocado, pelo contrário. Os sinais são de um acirramento no conflito, o que de todo modo não autoriza decisões açodadas.
Escalada
Os resultados apresentados até o momento pelas pesquisas sugerem um quadro mais confortável para os preços aqui dentro, ainda sem considerar eventuais focos altistas a serem detonados pela guerra numa das regiões mais críticas do globo, seja sob o ponto de vista do abastecimento global de petróleo, já que a região responde por mais de dois terços da produção global, seja por sua complexidade geopolítica. Ontem, nos mercados futuros, os preços do barril saltaram 10,4% em relação ao fechamento de quarta-feira, 11, com a cotação do barril do petróleo tipo Brent alcançando US$ 101,57 e acumulando um salto de 43,6% em relação a 26 de fevereiro, dois dias antes do início dos ataques. A última vez em que a cotação superou a marca dos US$ 100 foi em agosto de 2022. O petróleo tipo WTI experimentou idêntica variação entre quarta-feira e ontem, aproximando-se da marca de US$ 96,40. Desde 26 de fevereiro, no entanto, registrou-se salto de 47,8% neste caso.
Balanço