domingo, 27 de setembro de 2026

Emprego agora avança, puxado pela administração pública e pela indústria

Lauro Veiga Filhopor em
Emprego agora avança, puxado pela administração pública e pela indústria

As estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), vinham indicando uma nítida perda de fôlego do emprego desde o trimestre finalizado em novembro do ano passado, quando o total de
ocupados havia alcançado um recorde absoluto desde o início da série histórica, em 2012, somando 103,903 milhões de trabalhadores. Até o final
do primeiro trimestre deste ano, aquele número havia sofrido recuo de 1,37%, o que havia representado a perda de 1,420 milhão de ocupações.

O dado do trimestre móvel terminado em abril mostrou, no entanto, alguma reação, com avanço de 0,8% frente a março e abertura de 774,0 mil vagas,
o que representou a recomposição de 54,5% dos empregos que haviam sido perdidos entre novembro do ano passado e março deste ano, restando um
saldo negativo ainda de 646,0 mil ocupações e baixa de 0,62% na comparação entre os trimestres finalizados respectivamente em novembro e abril.

No trimestre entre fevereiro e abril deste ano, a pesquisa registrou 103,257 milhões de trabalhadores ocupados, seja em empregos formais, seja na
informalidade. O número correspondeu ainda a um ligeiro incremento de 0,3% frente ao trimestre encerrado em janeiro deste ano, com abertura de
288,0 mil ocupações, e avanço de 2,4% em 12 meses, representando 2,453 milhões de vagas criadas desde o trimestre fevereiro a abril do ano passado,
quando a PNADC havia registrado 100,804 milhões de ocupados em toda a economia.

Principais contribuições

Na passagem do trimestre concluído em janeiro para os três meses seguintes, o emprego cresceu puxado pela administração pública, incluindo
os setores de defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, e pela indústria, embora a produção no setor continue patinando. A
administração pública contratou mais 405,0 mil funcionários, elevando o total de ocupados no setor de 18,380 milhões para 18,785 milhões, num
crescimento de 2,2%. A indústria abriu 176,0 mil vagas, trazendo o número de ocupações de 13,286 milhões para 13,463 milhões, numa variação de
1,3%. Em 12 meses, a administração pública abriu 731,0 mil colocações, em alta de 4,0%, e contribuiu com quase 30% para o aumento do total de ocupados. Na indústria, o emprego variou 3,6% com a geração de 471,0 mil ocupações (19,2% do total criado em toda a economia no período).

Balanço

  • Aquela movimentação no mercado de trabalho tem sido acompanhada por um aumento mais relevante das ocupações formais, com recorde para o total de empregados no setor privado com certeira assinada – um fator que tem marcado a criação de empregos desde o ano passado, com as devida oscilações ao longo do período.
  • Na comparação entre abril e janeiro, sempre considerando os trimestres encerrados em cada um daqueles respectivos meses, os informais mantivera-se virtualmente estagnados, recuando levemente de 39,217 milhões para 39,172 milhões (ou 0,1% a menos). Na comparação com o trimestre iniciado em fevereiro e terminado em abril do ano passado, quando a PNADC registrava 39,035 milhões de informais, houve avanço muito modesto de menos do que 0,4% (equivalente à inclusão de 137,0 mil trabalhadores na informalidade).
  • O número de trabalhadores formais, no entanto, avançou 0,5%, de 60,723 milhões para 61,051 milhões entre janeiro e abril, correspondendo à criação de 328,0 mil empregos. Em relação aos três meses concluídos em abril do ano passado, quando a pesquisa anotava 58,696 milhões de trabalhadores formais, quer dizer, com carteira assinada ou registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), registrou-se a geração de 2,355 milhões de ocupações ou 4,0% a mais. Essa variação representou pouco mais de 96% do incremento acumulado no período para o total de ocupados.
  • A taxa de desemprego, que havia saído de 6,2% no trimestre final de 2024 para 7,0% no primeiro trimestre deste ano, recuou para 6,6% (levemente acima dos 6,5% alcançados em janeiro deste ano). O indicador ficou abaixo das expectativas dos mercados, que giravam em torno de 6,9% na média das previsões. Num comentário lateral, economistas em geral parecem errar tanto no longo quanto no curto prazo.
  • A comparação entre janeiro e abril mostra ligeiro aumento de 1,0% no total de desocupados, saindo de 7,204 milhões para 7,273 milhões. Mas, tomando março, quando aquele número havia chegado a 7,714 milhões, houve forte baixa de 5,7%, correspondendo a 441,0 mil desocupados a menos. Em relação ao trimestre fevereiro-abril de 2024, quando a PNADC apontou 8,213 milhões de desempregados, a redução alcançou 11,5% (ou seja, houve uma queda equivalente a 941,0 mil no número de desempregados).
  • O rendimento real médio habitualmente recebido pelo total de ocupados, considerando todos os trabalhos, mostra arrefecimento, variando 0,4% de janeiro para abril, saindo de R$ 3.414 para R$ 3.426 (num recuo de 0,3% frente a março). Em 12 meses, o rendimento apresentou variação real de 3,2% depois de aumentar 4,0% em março e 4,7% em abril do ano passado.
  • A massa total de rendimentos, igualmente atualizada com base na inflação, recuperou-se do recuo de 0,1% registrado em março e avançou 0,7% desde lá, atingindo R$ 349,355 bilhões no trimestre encerrado em abril deste ano, marcando novo recorde na série histórica recente. Em 12 meses, a PNADC informa uma elevação real de 5,9% (perto de R$ 19,468 bilhões a mais). Em abril do ano passado, de toda forma, a massa de rendimentos chegou a crescer 7,9%, injetando uma renda adicional de R$ 24,280 bilhões no orçamento dos trabalhadores e de suas famílias.

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