Empregos formais respondem por todo avanço das ocupações em 2025
Em uma tendência reforçada ao longo de 2025, o aumento das ocupações formais respondeu por todo o crescimento do emprego nos 12 meses encerrados no trimestre de setembro a novembro. A estimativa foi construída pela coluna a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, 30.
De acordo com o levantamento, o total de trabalhadores ocupados naquele trimestre alcançou o recorde de 103,019 milhões, registrando alta de 1,1% na comparação com o trimestre de setembro a novembro de 2024. Esse avanço correspondeu à abertura de 1,103 milhão de ocupações no período.
Os empregos formais — conceito que exclui a informalidade estimada pelo IBGE — apresentaram crescimento expressivo. Considerando trabalhadores com carteira assinada no setor privado, servidores públicos sem carteira e outros vínculos formais, o contingente avançou 2,8% no período analisado. O número de trabalhadores com carteira assinada e registro no CNPJ passou de 59,053 milhões no trimestre encerrado em novembro de 2024 para 60,712 milhões no mesmo intervalo de 2025, o que representa a criação de 1,659 milhão de vagas formais. Trata-se, muito provavelmente, do maior número já registrado desde o início da série histórica da PNADC, em 2012.
O desempenho positivo do emprego formal mais do que compensou a retração observada na informalidade. Segundo a metodologia do IBGE, que considera trabalhadores sem carteira no setor privado, empregados domésticos sem carteira, empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ, a taxa de informalidade recuou de 38,8% para 37,7% entre os dois períodos comparados. Em números absolutos, o total de informais caiu 1,75%, passando de 39,508 milhões — o maior patamar da série — para 38,817 milhões, o que significou o encerramento de 691 mil ocupações.
Mudança de perfil
A nova composição do mercado de trabalho, com maior peso de atividades que demandam níveis mais elevados de qualificação e vínculos formais, ajuda a explicar mudanças relevantes no padrão de remuneração. Setores como administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde, serviços sociais, informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais, administrativas e a indústria passaram a responder por 44,36% do total das ocupações, ante 43,56% no trimestre de setembro a novembro de 2024.
Em termos absolutos, essas atividades passaram a empregar 45,697 milhões de trabalhadores, crescimento de 3,9% frente aos 44,392 milhões registrados no mesmo período do ano anterior, o que representou a abertura de 1,305 milhão de vagas. Em sentido oposto, setores como construção, agropecuária, comércio, serviços domésticos e outros serviços reduziram o número de ocupados em 232 mil pessoas, com queda de 0,4%, passando de 57,504 milhões para 57,272 milhões. Apesar de continuarem majoritários, esses segmentos reduziram sua participação no total de ocupados de 56,42% para 55,59%.
Essa mudança estrutural no perfil das ocupações está associada à valorização persistente dos salários, reforçada pela política de reajustes anuais acima da inflação adotada pelo governo. O rendimento real médio dos trabalhadores registrou alta de 4,5% entre os trimestres comparados, avançando de R$ 3.420 para R$ 3.574, o maior valor da série histórica. Desde 2021, o ganho real acumulado chega a 19,9%.
Combinado ao crescimento de 10,6% no total de ocupados — o equivalente à geração de 9,835 milhões de vagas em quatro anos —, o aumento do rendimento médio impulsionou um salto de 33,9% na massa total de rendimentos reais, já descontada a inflação.
Mesmo em uma perspectiva de médio prazo, a contribuição do emprego formal se mostra decisiva. Entre os trimestres de setembro a novembro de 2021 e de 2025, o número de trabalhadores formalizados passou de 52,832 milhões para 60,712 milhões, crescimento de 14,9%, com acréscimo de 7,880 milhões de vagas. Esse avanço respondeu por 80,1% de todas as novas ocupações criadas no período. A participação do emprego formal no total subiu de 56,70% para 58,90%, alta de 2,2 pontos percentuais.
O maior nível de escolaridade da força de trabalho também contribuiu para esse processo. Entre 2021 e 2025, o total de ocupados cresceu 12,24%, passando de 91,265 milhões para 102,433 milhões, um acréscimo de 11,168 milhões de pessoas. As vagas ocupadas por trabalhadores com ensino superior incompleto ou completo responderam por 54,3% desse crescimento. Esse contingente aumentou de 25,883 milhões para 31,946 milhões, alta de 23,4%, elevando sua participação no total de ocupados de 28,36% para 31,19%.
Ao considerar conjuntamente os trabalhadores com ensino médio completo e superior, o avanço é ainda mais expressivo. Essas categorias passaram de 58,021 milhões de ocupados (63,57% do total) para 70,488 milhões (68,81%), crescimento de 21,5%. Enquanto os demais grupos perderam postos de trabalho, esses dois níveis de escolaridade concentraram a geração de 12,467 milhões de vagas ao longo de quatro anos.
