Empréstimos do FCO crescem 16,15% em Goiás, abaixo da média na região

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 03 de março de 2022

As contratações do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) em Goiás registraram variação de 16,15% na saída de 2020 para 2021, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), com os desembolsos avançando deR$ 3,027 bilhões para R$ 3,516 bilhões em valores arredondados e nominais (ou seja, sem descontar a inflação do período). O desempenho parece relevante, indicando algum ganho em termos reais, quando se considera que a inflação ficou ligeiramente aviam dos 10% no ano passado. Mas deve ser relativizado, até porque os desembolsos totais do fundo em toda a região Centro-Oeste experimentaram salto de 27,94%, saindo de R$ 7,544 bilhões em 2020 para quase R$ 9,652 bilhões no ano passado, fazendo a participação de Goiás recuar de 40,13% para 36,43%.

O setor rural, que havia respondido por 65,52% dos desembolsos em 2020, elevou sua fatia para 78,63% no ano seguinte, com as contratações subindo de R$ 1,984 bilhão para R$ 2,765 bilhões, num salto de 39,38%. No segmento empresarial, houve uma verdadeira fuga das empresas, que reduziram suas contratações de R$ 1,044 bilhão para R$ 751,445 milhões, correspondendo a um tombo de 28,0%. Na verdade, foi o segundo ano de queda, já que as contratações do setor já haviam sofrido baixa de 26,58% em 2020 (saindo de R$ 1,421 bilhão em 2019 para R$ 1,044 bilhão). O número de contratos caiu pela metade, saindo de 3.719 para 1.850, enquanto registrou-se alta de 37,04% no segmento rural, com o número de operações nesta área avançando de 6.319 para 8.660. Essa evolução explica o incremento de 15,04% no total das operações do FCO no ano passado, quando foram firmados 10.510 contratos frente a 10.038 em 2020.

Perdas

Ainda no setor empresarial, as maiores quedas foram observadas nos desembolsos destinados a projetos de infraestrutura e na área de turismo, com as perdas alcançando 82,06% e 89,75%, respectivamente. As atividades de turismo receberam apenas R$ 6,280 milhões em 2021, frente a R$ 61,280 milhões no ano anterior. Na área de infraestrutura, as contratações recuaram de R$ 190,420 milhões para R$ 34,154 milhões. O setor industrial, ao contrário, ampliou as contratações em 16,3%, de R$ 145,688 milhões para R$ 169,438 milhões. Comércio e serviços anotaram desembolsos de R$ 541,340 milhões no ano passado, num recuo de 0,39% em relação aos R$ 543,436 milhões desembolsados em 2020.

Balanço

  • Considerando o tamanho das empresas contratantes, os desembolsos para pequenos e pequenos-médios negócios ganharam destaque com saltos de 30,15% e de 31,27% na passagem de 2020 para 2021, subindo de R$ 1,484 bilhão para R$ 1,931 bilhão no primeiro caso e de R$ 655,726 milhões para R$ 860,790 milhões no segundo. Entre mini e microempresas, as contratações cresceram 7,74%, de R$ 201,463 milhões para R$ 217,058 milhões. Somados, os três segmentos responderam por 85,57% das contratações, saindo de 77,33% em 2020. Os desembolsos para grandes empresas sofreram corte de 67,61%, despencando de R$ 331,269 milhões para R$ 107,284 milhões.
  • Por modalidade, o crédito para investimentos aumentou 28,0% entre 2020 e 2021, passando de R$ 2,316 bilhões para R$ 2,965 bilhões. Os recursos para capital de giro desabaram 95,57% na mesma comparação, murchando de R$ 604,890 milhões para R$ 546,795 milhões.
  • Inicialmente, a programação financeira estabelecida para o FCO em 2022 prevê disponibilidade total de recursos de quase R$ 9,720 bilhões, descontados quase R$ 650,957 milhões em saldos contratados, mas ainda não liberados. Para Goiás, a previsão era de financiamentos próximos a R$ 3,207 bilhões, abaixo dos valores desembolsados no ano passado.
  • A estimativa contempla R$ 1,363 bilhão para o setor empresarial e igual valor para o segmento rural, somando mais R$ 481,169 milhões em repasses do Banco do Brasil para os demais agentes financeiros FCO. Os valores tendem a ser alterados ao longo do exercício, a depender do desempenho de cada Estado na contratação de empréstimos e ainda da perspectiva de complementação dos recursos destinados aos fundos regionais, como historicamente ocorre.
  • Na reunião agendada para o próximo dia 24, espera-se que o Conselho Monetário Nacional (CMN) analise a proposta de resolução que altera a sistemática de cálculo dos encargos financeiros nos financiamentos não apenas do FCO, mas também dos fundos constitucionais de financiamento do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO).
  • A proposta desenhada numa articulação entre Senado, equipe econômica e instituições empresariais daquelas regiões inclui a possibilidade de contratação de financiamentos e empréstimos a taxas de juros pós ou prefixadas. Com base nas normas fixadas ao final de 2017, que passaram a definir a fixação dos juros nas operações dos fundos regionais a partir do ano seguinte, a opção disponível para o segmento empresarial contempla exclusivamente taxas pós-fixadas.
  • Adicionalmente, a medida oferecerá a possibilidade de os empresários migrarem uma vez ao longo de 2022 de um regime para o outro (de pós para prefixado), optando pelo mais favorável a cada empresa. A alteração visa dar maior previsibilidade e estabilidade nas taxas de juros, passando a considerar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) médio dos últimos 12 meses, e não apenas dos últimos dois meses.
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