quinta-feira, 2 de abril de 2026

Equatorial Goiás registra prejuízo de R$ 363,5 milhões no quarto trimestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 2 de abril de 2026

A escalada das despesas com depreciação e amortizações e o salto nos gastos financeiros levaram a Equatorial Goiás a registrar um prejuízo de R$ 363,543 milhões no trimestre final do ano passado, o que se compara com um lucro de R$ 439,787 milhões nos últimos três meses de 2024, o que demonstra uma deterioração equivalente a R$ 803,330 milhões na conta de resultados da companhia. O tropeço no quarto trimestre explica o resultado negativo de R$ 352,952 milhões acumulado nos 12 meses de 2025, revertendo os números mais favoráveis anotados nos primeiros três primeiros trimestres do exercício passado. No ano anterior, a última linha da conta de resultados apontava um lucro de R$ 356,892 milhões.

Nos dados do quarto trimestre, a receita operacional líquida avançou de R$ 3,015 bilhões para R$ 3,404 bilhões, numa elevação nominal de 12,90%. A queda de 12,59% nos custos de construção, operação e na compra de energia para revenda, encolhendo de R$ 2,599 bilhões para R$ 2,272 bilhões, o lucro bruto chegou a experimentar salto de 172,11% ainda no quarto trimestre do ano passado diante de igual período de 2024, disparando de R$ 416,096 milhões para R$ 1,132 bilhão.

O desempenho vigoroso, no entanto, trouxe pouco alívio de fato, diante de saltos de 721,85% para as despesas operacionais e de nada menos do que 2.474% no caso das despesas gerais. Nas despesas operacionais, os valores desembolsados subiram de R$ 106,358 milhões para R$ 874,099 milhões, com contribuição decisiva dos gastos gerais, que saíram de apenas R$ 23,379 milhões para R$ 601,788 milhões, puxados, por sua vez, pela disparada das despesas com depreciação e amortizações. Neste último caso, os dados das demonstrações financeiras da distribuidora em Goiás apontam um incremento de expressivos 2.263,47% na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e igual período de 2024 ao dispararem de R$ 17,716 milhões para R$ 418,712 milhões – algo como R$ 400,996 milhões a mais, o que explica quase 77,6% do aumento dessa conta ao longo dos 12 meses do ano passado.

Impacto financeiro

Na conta financeira, pesaram a redução das receitas e, numa proporção muito mais intensa, a alta das despesas com juros e demais gastos relacionados a compromissos financeiros. No lado das receitas, sempre considerando o quarto trimestre de cada exercício, os números mostram redução de 18,36%, encolhendo de R$ 236,573 milhões para R$ 193,132 milhões, numa perda de R$ 43,441 milhões. Mas as despesas financeiras escalaram de R$ 558,753 milhões para R$ 1,043 bilhão, em alta de 86,70%. Isso correspondeu a um acréscimo de R$ 484,447 milhões. Esse comportamento foi decisivo para determinar o aumento do resultado negativo na conta financeira, que subiu de R$ 322,180 milhões para R$ 850,068 milhões, crescendo 163,85% no período (em torno de R$ 527,888 milhões a mais, afetando amplamente os dados finais da conta de resultados).

Balanço

Algumas comparações permitem visualizar o peso assumido pelos gastos financeiros no trimestre final do ano passado. Em 2024, aquelas despesas haviam correspondido a 18,53% da receita operacional líquida, numa relação que disparou para 30,65% no ano passado. Evidentemente, esse impacto pode ser amenizado e mesmo revertido a depender do comportamento das receitas financeiras. Neste caso, no entanto, a relação entre receitas financeiras e receita operacional líquida foi reduzida de 7,85% para 5,67%.

As despesas financeiras no quarto trimestre haviam representado 28,56% dos gastos totais nesta área acumulados nos 12 meses de 2024, avançando para 35,67% no ano passado e contribuindo em pouco mais de 50% para o aumento daqueles desembolsos ao longo de todo o ano. Na mesma linha, o prejuízo financeiro no último trimestre de 2025 foi equivalente a 39,0% do resultado total acumulado no ano e contribuiu com quase 70% para o crescimento registrado pelo prejuízo financeiro nos 12 meses do ano passado.

O resultado antes de juros, impostos, amortização e depreciação, mais conhecido no mercado pela sigla em inglês (Ebitda), recuou 7,35% entre os dois trimestres analisados, baixando de R$ 485,239 milhões para R$ 449,555 milhões, com a margem líquida saindo de 16,09% para 13,21% (numa estimativa que leva em conta a relação entre aquele resultado e a receita operacional líquida).

O prejuízo antes dos impostos cresceu exponencialmente, multiplicado em pouco mais de 47 vezes ao saltar de R$ 12,442 milhões para R$ 591,934 milhões. As perdas finais foram amenizadas pelo impacto positivo, ainda que declinante, do aproveitamento de créditos relacionados a prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de tributos e contribuições.

Os impostos sobre o lucro, que haviam gerado um ganho de R$ 452,229 milhões nos três meses finais de 2024, tiveram reduzida a contribuição positiva sobre o resultado final em 49,50%, para R$ 228,391 milhões no último trimestre do ano passado.

O desempenho financeiro da Equatorial Goiás no quarto trimestre afetou decisivamente os números do balanço em todo o exercício, já que a operadora saiu de um lucro líquido de R$ 356,892 milhões em 2024 para um prejuízo de R$ 352,952 milhões. A receita operacional líquida cresceu 17,10% no ano passado, aproximando-se de R$ 12,712 bilhões frente a R$ 10,855 bilhões em 2024, superando a variação de 6,60% acumulada pelos custos de construção, da operação e de compra de energia.

Mas as despesas operacionais dispararam, com alta de 143,56% entre os dois exercícios, escalando de R$ 759,798 milhões para alguma coisa em torno de R$ 1,851 bilhão (quer dizer, perto de R$ 1,091 bilhão a mais, consumindo 58,8% do ganho trazido pelo incremento da receita líquida). Parte daquele aumento veio da alta de 806% nas despesas com depreciação e amortização, que atingiram R$ 581,110 milhões no ano passado diante de R$ 64,139 milhões em 2024.

A conta financeira teve o prejuízo elevado de R$ 1,423 bilhão para R$ 2,179 bilhões, em alta de 53,13%, com o avanço de 49,50% anotado pelas despesas financeiras superando a variação de 39,81% no lado das receitas.

Os investimentos foram ampliados em 23,26% no ano passado, subindo de R$ 2,124 bilhões para R$ 2,618 bilhões, somando um total de R$ 6,815 bilhões entre 2023 e 2025. A distribuidora conseguiu melhorar os indicados de duração e frequência na paralisação do fornecimento de energia elétrica (DEC e FEC, respectivamente). Os índices de duração na falta de energia baixaram de 15,91 para 12,66 – ainda acima do teto regulatório, fixado em 11,24. A frequência das interrupções recuou de 7,61 para 5,87 vezes, em torno de 20,6% abaixo do indicador definido pelo órgão regulador (7,39).

 

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