Estoques de plástico, lona e papel para eleição da vida real
As redes sociais vão concentrar grande parte do gasto dos candidatos, com postagens pagas e vídeos bem produzidos, mas o maior volume de dinheiro tende a continuar sendo empregado nas antigas e eficientes estratégias de campanha, a da vida real palpável. Após consulta aos principais comitês, os fornecedores de materiais estão com os estoques lotados. Os donos de gráficas, por exemplo, compram da China navios cheios de papel e lona para santinhos, jornais, adesivos, sitrus e banners.
O HOJE conversou com dois deles, e ambos adquiriram ainda em setembro de 2025 os produtos que vão imprimir para os políticos. Desde então, os preços subiram quase 50% e a carestia deve aumentar, pois os aiatolás do Irã fecharam o Estreito de Ormuz, por onde passa a maioria das exportações da China que vêm para o Cone Sul.
Assim, fica comprometida a fidelidade dos que celebram as chamadas dobradinhas, sobretudo entre candidatos a deputado federal (que paga a conta) e estadual (responsável pela distribuição). Os impressos são uma forma controlável de circular o pedido de voto em conjunto.
Desde quando foi deputado federal, o presidenciável Ronaldo Caiado gosta dos cartões em PVC, que ele mesmo entrega durante reuniões e caminhadas. Nas campanhas de rua, está na moda há 20 anos o see through, ou o aportuguesado “sitru”, aquele cartaz com microperfurações colado no vidro traseiro de automóveis e caminhonetes.
Por ser grande e estar sempre à vista de motoristas e pedestres, o sitru comporta nomes e até fotos de todos os componentes da dobradinha; se o aliado deixar algum de fora, é porque traiu. Pois podem preparar mais dinheiro: seu sitru está do lado de lá de Ormuz. (Especial para O HOJE)